Sense8 – 1ª Temporada

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Sense8 não é uma série criada para ser popular, tampouco para conquistar legiões de fãs. Cada parte do seriado foi selecionada cuidadosamente para “peneirar” o público. Isso mesmo! Os irmãos Watchowski selecionaram o próprio público de forma peculiar, porém efetiva. Homofóbicos, xenofóbicos, transfóbicos, racistas, machistas e similares são expulsos, senão no primeiro, até o quarto episódio – e esta é uma boa razão para você assisti-la.

Em função dessa “peneira”, o ritmo dos 3 ou 4 primeiros episódios pode parecer lento. Durante esse tempo, conhecemos um pouco dos personagens, somos surpreendidos por cenas ousadas e o mistério, sobretudo, é o que reina, mas a situação logo melhora e envolve o público totalmente.

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É como se o recado dos Watchowski fosse “Se você chegou até aqui, está apto para a ação e as emoções que virão a seguir”. Logo a série se transforma em um filme longo, fazendo com que você fique cerca de 9 ou 10 horas assistindo um capítulo atrás do outro.

A trama gira em torno da conexão existente entre os “sensates” – oito pessoas interligadas por uma espécie de telepatia, que lhes permite conectar-se uns com os outros, dividindo não apenas pensamentos, como também visões, sensações e estados emocionais entre si.

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Sense8 é um dos projetos mais ambiciosos e sentimentais dos Wachowski. Os autores ousaram explorar tanto a diversidade racial quanto a sexual, os mais diferentes tipos de preconceito, a miséria em contraste com o luxo, entre outros temas impactantes. Mais uma vez os irmãos buscam quebrar barreiras, expandir mentes, ampliar horizontes e, com um pouco de sorte, mudar o mundo das séries.

Não é todo dia que se vê uma transexual realizada amorosamente ou uma cena de sexo homossexual que nem mesmo a HBO se atreveria a exibir. Os costumes hindus, o lado mais cruel da pobreza do Quênia, a máfia alemã, a frieza asiática… Tudo isso mostrado em cenas compostas como obras de arte visual, com o contraste das diferenças entre os mundos e as músicas cuidadosamente selecionadas para não apenas prender a atenção do espectador, mas encantá-lo e persuadi-lo a querer mais e mais.

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Um dos principais acertos da série é a escolha cuidadosa de cada perfil e a caracterização, tanto dos personagens quanto dos ambientes, com problemas reais e longe dos esteriótipos. Pouco a pouco essas personalidades tão maravilhosamente diferentes começam a se ver, sentir e interagir com mais frequência.

Os melhores momentos são, sem dúvida, quando os 8 cooperam entre si “emprestando” uns aos outros as habilidades únicas de cada um. As cenas dramáticas realmente tocam o espectador, as de ação são muito bem montadas e coreografadas, as de romance despertam suspiros e as de sexo, bem, melhor você tirar suas conclusões.

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Como em todas as séries, há personagens muito carismáticos que conquistam a simpatia do público desde o primeiro minuto, mas cedo ou tarde todos têm o seu momento. Embora não responda todas as perguntas, Sense8 entrega uma história envolvente que, como dito no início, foi feita para um público seleto.

Notei uma grande influência de “Matrix” na trama, não no que diz respeito a ação (exceto por Sun, minha nova personagem favorita da televisão), mas pelas lições que os irmãos Watchowski escondem em cada cena, diálogo e acontecimento. Trabalhando com temas clássicos como a corrupção, a máfia e a religião, bem como os mais atuais, como drogas, transfobia e AIDS, cada episódio é carregado de mensagens – explícitas ou não.

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A conexão trabalhada na série é o oposto da tecnologia atual. É imediata, íntima, envolve todos os sentidos e surge do interior de cada um. Sense8 trabalha a hipótese de que as pessoas, por mais diferentes que sejam e por mais distantes que estejam, estão conectadas por algo orgânico dentro de si. Este é exatamente o grande acerto dos Wachowski: fazer o público vislumbrar, nestes tempos de fragmentação social, uma luz de esperança na empatia que podemos sentir em relação ao próximo; deixar de lado a individualidade e sentir-se parte de uma totalidade; abraçar a própria humanidade independentemente de qualquer diferença física ou cultural.

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Deguste Sense8 como degustaria um vinho: deixe respirar por um tempo, aprecie o aroma e, por fim, saboreie.


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Por Louise


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