Pixels (2015)

Figurinhas repetidas, games e um pouco de nostalgia

Adam Sandler e sua patota se reuniram para mais um longa-metragem de comédia. Desta vez além das carinhas carimbadas e dos roteiros manjados de suas histórias, apareceram ícones dos games oitentistas que marcaram uma geração inteira. Se você frequentava fliperamas gastando o dinheiro do lanche dado pela sua mãe na tentativa de bater cada vez mais um novo record e alcançar um novo nível, sabe do que se trata.

A adaptação do curta de mesmo nome, dirigido por Patrick Jean, para um longa-metragem se deu pela direção de um verdadeiro mestre da “Sessão da Tarde”, Chris Columbus, que tem em sua ficha filmes como “Gremlins”, “Goonies”, “Esqueceram de mim 1 e 2”; “Um Herói de Brinquedo”, “Uma Babá Quase Perfeita” e tantos outros. Pixels tinha tudo para ser uma ode à nostalgia, principalmente para aqueles que viveram a época mágica dos jogos para Arcades.

O filme se passa em 1982. Trinta e três anos antes, na esperança de estabelecer uma comunicação pacífica com a vida extraterrestre, a NASA lançou uma cápsula no espaço com imagens e filmagens da vida na Terra. Basicamente um vídeo de um campeonato de fliperama, patrocinado pela Konami, Nintendo e outras empresas de games da época.

Atualmente, em 2015, a mensagem foi interpretada de maneira incorreta. Quando aliens interpretaram como uma declaração de guerra a mensagem contida nos vídeos de jogos clássicos que o homem criou, eles atacam a Terra usando os jogos como modelos para os seus vários ataques – incluindo Pac-Man, Donkey Kong, Galaga, Space Invaders e etc. O Presidente William Cooper (Kevin James) apela para o seu melhor amigo de infância, o vice-campeão de videogame de 1982, Sam Brenner (Adam Sandler), que agora é um instalador de todo tipo de equipamento eletrônico. Sua missão é fazer a cabeça dos nerds, liderar uma equipe de jogadores de arcade (Eddie Plant-Peter Dinklage e Ludlow Lamonsoff-Josh Gad), derrotar os alienígenas e salvar o planeta.

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Esse é o plot de Pixels, independente da invasão alienígena dos ícones dos games e de toda história que os roteiristas Tim Herlihy e Timothy Dowling pretendiam contar, a atenção principal é voltada para o fato de Adam Sandler fazer rir de forma natural ou não. Algo que inicialmente ele conseguiu com sucesso, lembrando muito de seus primeiros filmes. Apesar de Kevin James não convencer nem um pouco como o presidente de uma das maiores potências mundiais, Sandler parecia estar nos seus melhores dias durante os primeiros 60 minutos de filme.

A fase de transição entre os atores mirins e os adultos é bem produzida, os rostos condizem muito bem com suas representações adultas – principalmente o ator que fez Peter Dinklage quando criança. Entre a fase adulta, quando o governo americano sofre a ameaça e o presidente William Cooper convoca seus amigos de infância para salvar a Terra – algo que me lembrou o filme “Armagedon” (1988) – até o plot twist, o filme vai bem. Contudo, nos momentos finais depois da reviravolta que encabeça o desfecho, o longa se perde e torna-se desinteressante. Pareceu que Chris Columbus desistiu do longa e o estagiário conduziu a produção até o final.

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Peter Dinklage e Josh Gad são os diferenciais do filme. O primeiro por sua atuação excêntrica e distinta – é ótimo ver Peter fora de Westeros. Gad é um comediante que destoa dos demais integrantes da panelinha de Sandler e, apesar de lembrar um Jack Black de segunda linha, vai muito bem e arranca boas risadas do espectador.

Michelle Monaghan é a típica mulher estereotipada dos filmes de Sandler, que se faz de difícil, o rejeita e o esnoba, até cair perdidamente em seus braços depois de ser conquistada por atitudes heroicas e pela redenção de seu personagem.

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Com um toque de nostalgia e muitos toques de modernidade, os efeitos especiais estão ótimos. É muito bacana ver um Donkey Kong jogando tudo ladeira abaixo e um Pac-Man gigante sendo perseguido por mini-coopers pelas ruas de Nova York. Os edifícios recebendo ataque de peças de Tetris e se esfacelando como na mecânica do jogo, foi algo que me chamou muito a atenção. Sem dúvidas os pixels e mais pixels sendo espalhados por todo canto foram pontos muito positivos ao filme.

A trilha sonora foi composta por Henry Jackman, que trabalhou em “Detona Ralph”. Uma escolha justa quando a intenção é homenagear grandes clássicos dos games.

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Eu sei que muitos ficam com o pé atrás quando uma produção anuncia que Adam Sandler será o protagonista. Mas eu realmente não entendo muito essa atitude. Eu gosto do ator e, na minha opinião, ele fez mais filmes bons do que ruins. Em Pixels Sandler está bem e suas piadas fluem, mesmo que os roteiros dos personagens que representa em seus filmes sejam, em sua maioria, todos parecidos. Acredito que o problema do filme se tornar desinteressante nos momentos finais não é por culpa dele e se você que está lendo não tiver nenhuma pira com o ator vai identificar isso também.

Pixels é um filme para a família, que tem o intuito de divertir e trazer momentos de nostalgia para aqueles que viveram esta época. Entretanto, se você espera uma produção impecável, sem clichês e momentos previsíveis, melhor não perder seu tempo.


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