Os Vingadores: A Era de Ultron (2015)

A ascensão do Gavião Arqueiro

Foram 3 anos de espera até que os heróis da Marvel se unissem novamente nas telas de cinema para derrotar o mal. É claro que, nesse espaço de tempo, tivemos os filmes individuais dos heróis e a chegada de uma nova super-equipe – Os Guardiões da Galáxia. Entretanto, desde que os cinemas lotaram em 2012 com “Os Vingadores”, a nova aventura dos heróis era aguardada ansiosamente por um público faminto.

O primeiro ponto positivo aparece logo no começo. Enquanto o filme anterior levou certo tempo até conseguir unir os heróis e fazê-los agir como um time, em A Era de Ultron eles já estão à vontade com essa situação. A equipe ainda é a mesma – Capitão América, Thor, Homem de Ferro, Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro. Um time de desajustados que ainda tem suas (muitas) diferenças, mas sabem que juntos são mais fortes e prezam pelo bem maior.

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O Homem de Ferro ficou menos importante na história – não entenda mal, ele é essencial para o filme acontecer, apenas não tem a importância que outros personagens ganharam – ao contrário do filme anterior. Depois da Batalha de Nova York, muita coisa mudou na vida e na mentalidade de Tony Stark. Sua preocupação com a segurança do planeta fez com que ele dedicasse boa parte do seu tempo construindo armaduras (como visto em Homem de Ferro 3), e atualmente sem SHIELD (após os eventos de Capitão América 2: O Soldado Invernal), ele precisava dar um jeito de manter as pessoas a salvo com ou sem Vingadores. Em função disso, Stark criou uma espécie de “polícia robótica” – uma equipe de robôs programada para intervir, proteger e salvar as pessoas quando os Vingadores não estiverem por perto (ou estiverem sobrecarregados).

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A ideia estava funcionando, mas Stark precisava de mais. Seus pensamentos se focavam no ataque alienígena promovido por Loki anteriormente e em como seria para o planeta se algo parecido acontecesse outra vez. Isso o motivou a trabalhar com Bruce Banner para tentar desenvolver uma inteligência artificial cujo único objetivo fosse a paz mundial – Ultron. Destaque para os ótimos momentos de “science bros” que eles dividem na tela. O Hulk pode ser importante, mas Bruce é ainda mais.

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Embora Tony e Bruce sejam duas grandes mentes trabalhando, a criação de Ultron só obteve sucesso depois de um acontecimento duvidoso. Thor ainda precisa lidar com os problemas que seu irmão causou desde A Batalha de Nova York, e pede ajuda aos Vingadores para encontrar e recuperar o Cetro de Loki, que estava nas mãos do Barão von Strucker. A equipe então, invade uma das bases ainda existentes da HIDRA para cumprir a missão – e tem algumas surpresas.

É usando alguns projetos encontrados no bunker de Von Strucker que Tony e Bruce conseguem, enfim, completar seu projeto de inteligência artificial – e logo se arrependem amargamente.

Ultron não é apenas um robô programado para destruir a humanidade – seria muito mais simples se assim fosse. Ele é um robô cuja consciência viaja pelas redes de internet, aprende tudo (sobre tudo) com rapidez, interpreta suas ordens em vez de obedecê-las cegamente e sabe que precisa evoluir. Programado para buscar “A Paz para o nosso tempo”, rapidamente raciocina que a maior ameaça para a Terra são os seres humanos, e a única forma de conseguir completar sua missão de paz, é aniquilando a todos.

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Clint Barton – o Gavião Arqueiro – é o grande nome deste filme. Embora tenha sido esnobado nas outras produções e desvalorizado no filme de 2012, aqui ele prova que é um dos responsáveis pela equipe. Quando tudo o que seus companheiros precisam é de um lugar seguro para traçar uma estratégia de combate, é Clint que fornece. Quando é preciso pedir ajuda para outros seres poderosos, pois os Vingadores não darão conta sozinhos, é Clint quem intercede. Quando há necessidade de um herói implacável que não apenas combata, mas também consiga proteger a população, Clint faz esse papel. As melhores frases, grandes atitudes e ação sem descanso sempre fizeram dele um personagem memorável nas HQs, e agora também nas telonas. É importante ressaltar que não é apenas o Clint Barton agente da SHIELD que se destaca aqui, mas também o homem – o ser humano.

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O Capitão América é o mesmo soldado e líder exemplar que conhecemos, ainda tentando se adaptar ao mundo moderno, mas, de certa forma, muito mais à vontade do que antes. Natasha Romanoff – ao lado de Clint – também tem sua importância afirmada. O passado obscuro, abusivo e violento da Viúva Negra, que sempre foi deixado em aberto, finalmente é trazido a público. Sala Vermelha, treinamento intensivo, tortura e terror são os pesadelos de Natasha – e Wanda sabe que é nas fraquezas que ela tem de tocar.

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Bruce está aceitando melhor o Hulk, mas sua personalidade monstruosa ainda o assombra e o impede de aproveitar a vida plenamente. Thor está, mais do que nunca, com o espírito do deus do trovão – nas palavras, atitudes e preocupações. A primeira aparição dos gêmeos é misteriosa e logo eles revelam seus poderes. Wanda tem seu primeiro grande momento com Stark – a quem ela perturba profundamente. Assustadora e obscura, a Feiticeira não poupa esforços para bagunçar a mente dele e do resto da equipe sempre que possível. Suas motivações para unir-se a Ultron – que nunca ficaram claras – são muito bem explicadas, bem como sua atitude em “mudar de lado”.

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Um dos maiores momentos do filme é o “nascimento” do Visão – que acontece de forma magistral. No momento que o personagem aparece, você agradece profundamente por todo o mistério que a Marvel/Disney manteve. Ele sai diretamente dos quadrinhos para o cinema, com suas cores e visual extravagantes – que não causam desconforto ou estranheza. E não pense que ele será um elemento surpresa a aparecer lá no final do filme. Ao contrário, o personagem surge na metade do filme e tem um ótimo tempo de tela. O que faltou de Visão nos trailers, sobrou no filme.

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As lutas entre os Vingadores e Ultron são memoráveis. O filme é rápido e para não causar confusão, o diretor Joss Whedon usa e abusa do slow motion durante as brigas – por causa disso, é possível saborear as cenas, mesmo com o ritmo acelerado. A conexão profunda entre os irmãos Wanda e Pietro está presente do início ao fim, a vulnerabilidade dos heróis é trazida à tona e intensificada, a importância de se manterem unidos é reforçada e o fato de que cada membro da equipe – seja ele um Deus, um cara com um arco e algumas flechas, um monstro, um cara numa armadura, uma mulher boa de briga, um super soldado, um cara rápido, uma moça mágica ou um androide com sentimentos – é essencial, fica mais evidente do que nunca. Temos uma nova gema revelada e a presença de Thanos paira sobre o planeta – é impossível explicar com palavras, você precisa assistir para pegar as referências a isso, em particular.

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Os pontos negativos do filme não são muitos, mas como em toda obra cinematográfica, acontece. Alguns personagens mereciam mais tempo de tela – Falcão, Máquina de Combate, Dra. Cho, Erik Selvig, Ulysses Klaw, Barão von Strucker e Maria Hill. Certamente eles terão uma considerável importância nos próximos filmes, mas creio que poderiam ter aparecido mais. Em alguns momentos o ritmo acelerado atrapalha e quem não lê quadrinhos ou não acompanha todo o Universo Cinematográfico da Marvel pode ficar perdido. O humor – clássico dos filmes da Marvel – está presente aqui, mas em muitos momentos se torna inconveniente e forçado. Este é um dos filmes mais sérios da Marvel (o mais sério continua sendo O Soldado Invernal) e, embora muitas cenas de humor tenham sido geniais, os roteiristas poderiam ter separado melhor os momentos de rir e os momentos de ficar calado.

É até estranho criticar o humor da Marvel desta forma. Sempre fui uma defensora do humor e do divertimento no universo dos super-heróis, e não pretendo mudar, mas se a proposta do filme é diferente dos anteriores, não dá pra manter o mesmo clima. Pietro Maximoff tem um potencial enorme e sinto que poderia ter sido aproveitado melhor, principalmente na personalidade. Ouso dizer que, de todos os personagens do filme, Pietro acaba sendo o mais fraco e deixa aquela sensação de que poderia ser qualquer outro em seu lugar, pois não faria diferença. O colorido gritante de Os Vingadores (2012) é substituído por paisagens desbotadas, sombrias e metálicas, os momentos dramáticos são intensos (do tipo que atinge o peito do público como uma flecha) e o fim… Ah, o fim traz surpresas enormes – boas e não tão boas assim.

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Aconselho que antes de ir ao cinema assistir A Era de Ultron, todos façam (ou refaçam) uma maratona que inclua os filmes: Os Vingadores (2012), Homem de Ferro 3 (2013), Thor: Mundo Sombrio (2013), Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014) e Guardiões da Galáxia (2014). Cada um deles tem importância, e você entenderá assim que vir. Também aconselho que assistam a primeira temporada da série Agent Carter (2015), são apenas 8 episódios que podem fazer muita diferença – para quem não sabe, a série inicia a introdução do público ao programa Viúva Negra. LEMBRANDO QUE ESSAS DICAS SÃO APENAS PARA MELHORAR O SEU APROVEITAMENTO DO FILME, NÃO SÃO OBRIGAÇÕES E VOCÊ NÃO PRECISA SE DESESPERAR, OK?

Antes de entrar na sala de cinema se alimente, vá ao banheiro, compre líquidos e garanta que não precisará se ausentar em nenhum momento durante as quase 3h de filme. Como eu já disse, o ritmo é acelerado, mas o roteiro amarra pontas soltas de outros filmes e, se você piscar, vai perder um diálogo importante que com certeza refletirá nos filmes que estão para vir ou alguma referência aos quadrinhos que fã nenhum se perdoará por perder.

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Os Vingadores: A Era de Ultron é um filme espetacular que diverte, comove e ensina valiosas lições. Tenho certeza de que acabará dividindo opiniões por trazer um tom e ritmo diferentes dos anteriores, e talvez esse seja o grande trunfo – afinal, não tem nenhuma graça quando não gera discussões, certo?


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Por Louise


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