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Powers | Dos quadrinhos para a TV. Tudo que você precisa saber sobre a HQ.

Leitores de quadrinhos muito provavelmente estão familiarizados com o trabalho do roteirista Brian Michael Bendis na Marvel. DemolidorAliasCavaleiro da Lua e sua longa passagem pelos Vingadores são alguns exemplos de trabalhos do autor que ajudaram a formar um impressionante currículo ao longo dos últimos 20 anos.

No entanto um de seus trabalhos mais originais, despretensiosos e divertidos comumente é esquecido quando se trata de citar a bibliografia do escritor. Trata-se de Powers, série criada por Bendis e pelo roteirista / ilustrador Michael Avon Oemig em Abril de 2000.

Powers originalmente foi lançada pela Image Comics e em 2004 a franquia se mudou para o selo Icon da Marvel. Seu mais recente volume chamado Powers: The Bureau ainda é publicado pelo selo Icon e é um sucesso de público e crítica, apesar de no Brasil a HQ não ser muito conhecida. No entanto as atenções se voltaram recentemente para esta franquia tendo em vista o lançamento da adaptação do material em um série de TV exibida via Playstation Network.

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Sharlto Copley e Susan Heyward como Christian Walker e Deena Pilgrim no novíssimo seriado baseado em Powers.

Então antes que Powers se torne uma febre entre os aficionados por seriados preparamos um pequeno resumo sobre a HQ que deu origem ao programa de TV.

Tá. Qual a história de Powers?

Primeiramente temos que deixar claro que o termo Powers (traduzido como Poderes) refere-se, no universo da revista, a qualquer indivíduo com poderes sobre-humanos independente da origem destes poderes. Assim como na DC Comics estes indivíduos são chamados ocasionalmente de Meta, no contexto de Powers usa-se o termo que dá nome a série. Powers também é o nome da divisão especial de homicídios na qual trabalham os protagonistas da história.

Powers acompanha o dia a dia dos detetives Christian Walker Deena Pilgrim que trabalham na divisão de homicídios de uma metrópole fictícia investigando crimes relacionados a indivíduos com super poderes. No mundo de Powers estes indivíduos superpoderosos são relativamente comuns e muitos usam seus poderes para proveito próprio apesar da rigorosa legislação proibindo tal uso.

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Deena Pilgrim e Christian Walker no traço estilizado de Michael Avon Oeming.

Powers usa o pano de fundo super-heróico para mostrar uma trama de investigação urbana meio noir com linguagem e situações bem grosseiras. O tom do material não chega a ser escatológico, mas é adulto e faz questionamentos importantes sobre as responsabilidades de quem tem os tais poderes. Tudo permeado pelo humor ácido de Bendis, que escrevendo material autoral não tem obrigação alguma em ser politicamente correto.

No primeiro arco de Powers acompanhamos a investigação do assassinato da Garota-Retrô, umas das super-heroínas mais queridas do universo da revista. É o primeiro caso de Walker com a novata detetive Pilgrim e, a medida em que os dois descobrem os “podres” da vítima desenvolvem sua peculiar relação de trabalho. Histórias subsequentes descrevem tramas como tráfico de drogas, tortura, uma guerra entre gangues de super-indivíduos e corrupção.

Powers é no âmago uma HQ policial urbana fora dos padrões. Os personagens são problemáticos, não funcionam bem em equipe, os vilões muitas vezes tem atitudes e motivações tão condenáveis quanto os “mocinhos” e a história é recheada de crítica ácida ao universo de quadrinhos clássico. A HQ transita na linha tênue entre uma perversão das histórias de super-heróis (como The Boys de Garth Ennis) e as tramas de investigação bizarras como o antigo seriado Arquivo-X, sempre alternando entre esses dois gêneros, mas nunca se comprometendo com nenhum dos dois.

Quem são os protagonistas de Powers?

O elenco da revista é composto do núcleo formado pela dupla de detetives Walker Pilgrim e a cada arco somos apresentados a personagens diferentes que desaparecem / morrem ou simplesmente são presos pelo departamento de Powers. Desta forma os autores conseguem manter um elenco principal bem restrito e focado e não confundem o leitor com uma avalanche de coadjuvantes. Os principais personagens em Powers são:

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Christian Walker 

– Detetive da divisão especial de homicídios chamada Powers. Este policial veterano já teve super-poderes e aparentemente os perdeu. Walker combatia o crime sob a alcunha de Diamond (Diamante) e pouco se sabe a princípio sobre sua longevidade e aparente imortalidade. Sua relação passada com alguns poderes é uma faca de dois gumes, pois apesar de oferecer informações valiosas muitas vezes coloca a investigação e sua vida e de sua parceira em risco. Walker é fechado, introspectivo e misterioso. Tem extrema dificuldade em se comunicar e muitos traumas em seu passado.

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Deena Pilgrim 

– A detetive Pilgrim começou como uma policial comum de rua trabalhando em Chicago na delegacia chefiada pelo corrupto Capitão Adlard (um peão nas mãos de mafiosos). Pouco tempo depois do Capitão ser assassinado Deena é transferida para a Divisão especial de homicídios para trabalhar com o veterano Walker. Pouco se sabe sobre seu passado, exceto que a moça tem um irmão superpoderoso que age sob a alcunha de Hoodwink. Deena é o coração da série. Muito expansiva, instintiva, desbocada e perspicaz a detetive é o contraponto ao silencioso e amargurado Walker. Deena foi inspirada nas esposas de Brian Bendis e Michael Oeming que segundo os autores sempre “dizem alguma coisa que choca as pessoas”. A personagem foi eleita como vigésima quarta personagem mais legal dos quadrinhos em uma lista da revista Empire.

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Garota Retrô 

– Uma das super-heroínas mais populares do universo da revista. O primeiro arco de Powers é uma investigação do assassinato de uma de suas versões. Os poderes da Garota Retrô são um legado que é passado através do tempo para outras mulheres. Após a morte de Janis (A Garota Retrô do início da série) o manto da heroína é passado para Calista Secor. Walker através dos anos conheceu algumas encarnações da Garota Retrô, mas não fica claro a origem e nem a extensão total de seus poderes nas histórias.

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Capitão Cross 

– O Capitão Cross é o chefe do departamento Powers e conhece Christian Walker desde a década de 1980 quando Walker ainda era o super-herói Diamond. Na época, Diamond ajudou Cross em um caso misterioso e talvez seja por isso que Walker tenha conseguido um emprego no departamento do Capitão Cross.

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Triphammer 

– Assim como muitos Poderes na HQ, Triphammer emula um conhecido personagem da cultura dos super-heróis. Em seu caso o Homem-de-Ferro. Seu nome real é Harley Cohen e no primeiro arco de Powers chamado Quem matou a Garota Retrô? Cohen tem uma importante participação caçando o responsável pelos assassinatos dos super-poderosos. Cohen retorna em diversas ocasiões no decorrer da série e é responsável pela criação do dispositivo que drena os poderes.

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O autor Warren Ellis faz uma aparição em Powers.

 Além do elenco fictício Powers é pioneiro em utilizar aparições de personagens de outras editoras independentes e dos próprios autores de quadrinhos em algumas de suas edições. Em sua bibliografia podemos encontrar algumas aparições de personagens como Madman de Michael AllredSavage Dragon de Erik

Larsen Shadowhawk de Jim Valentino. Entre os autores que aparecem em Powers podemos destacar a marcante presença de Warren Ellis como um dos coadjuvantes do segundo arco da série original.

Gostei. Mas Powers saiu no Brasil? Onde posso encontrar isso?

Sim. Felizmente parte do extenso material de Powers chegou ao Brasil em dois formatos.

As seis primeiras edições de Powers foram publicadas em um encadernado pela Devir Livraria em 2005. O encadernado se chama Powers – Quem matou a Garota Retrô? e descreve o primeiro arco da série.

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Encadernado da Panini de 2011.

Em 2011 no entanto a editora Panini publicou um encadernado em capa dura com 457 páginas em formato 17 x 26 contendo as onze primeiras edições de Powers. Logicamente este segundo é o encadernado mais recomendado para novos leitores e o mais fácil de se encontrar em livrarias, lojas virtuais e Comic Shops Brasileiras.

Este foi nosso pequeno guia e uma introdução ao Universo de Powers. Uma HQ que lá no início da década de 2000 já fugia bastante das tendências do mercado de quadrinhos americano e apresentava uma proposta inovadora de divertimento em forma de arte sequencial.

Agora com o lançamento do seriado baseado nos quadrinhos a tendência de relançamentos e de material inédito sendo publicado aqui no Brasil é cada vez mais certa. Então fique atento às notícias sobre o seriado e a HQ aqui no Proibido Ler.

E aí, curtiu?

Escrito por Igor Tavares

Carioca do Penhão. HQ e Videogames desde 1988. Bateria desde 1996. Figuras de ação desde 1997. Impropérios aleatórios desde 1983.

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