A autora Marjorie Liu ficou conhecida dos leitores de quadrinhos um pouco mais atentos ao trabalhar na primeira série solo da mutante X-23 pela Marvel em 2010. Além de outros trabalhos dentro do universo mutante da casa das ideias, a roteirista tem um extenso currículo literário quase sempre dentro do gênero de ficção e fantasia adulta.
Este mês Liu finalmente lança seu primeiro trabalho autoral em quadrinhos pela Image Comics ao lado da artista Japonesa Sana Takeda. O título com chamado “Monstress” é uma nova série mensal que se inicia com uma edição super estendida (são 71 páginas) e se passa em uma Ásia fictícia e mística entre o final do século XIX e início do século XX na qual uma guerra civil devastou duas raças de seres que viviam teoricamente em harmonia. Agora, o povo de criaturas chamado Arcana é escravizado pelos humanos e usado com extrema crueldade por sacerdotes cruéis para obter poderes mágicos. Neste enorme contexto que envolve sequelas de guerra, política, magia e escravidão somos introduzidos à protagonista Maika, uma jovem que sofreu perdas irreparáveis e foi transformada durante o conflito e agora busca reparação usando métodos extremos.
O roteiro para esta primeira edição de “Monstress” é intimidante. Em 71 páginas somos apresentados a um universo
A arte de Sana Takeda em “Monstress” é um misto interessante de mangá tradicional e art déco. O visual é marcante e dá a este universo uma cara muito específica lembrando novamente RPGs de fantasia steampunk principalmente da Square Enix. O design de personagens é fortemente inspirado em arte sequencial Japonesa, no entanto o enquadramento e fluxo narrativo seguem a linha tradicional ocidental de quadrinhos e temos o melhor dos dois mundos – com uma galeria de personagens lindos, diversos e loucos como nos mangás, mas tudo bem amarrado com o roteiro e inserido em cenários que de fato constroem um universo fictício coeso e palpável. Toda a arte, incluindo conceito visual do elenco e locações, finalização e cores é de Takeda e é um trabalho lindo e louvável.
“Monstress” definitivamente não é a primeira edição mais amistosa que você vai ler este ano. O leitor já mergulha na narrativa meio que “pegando o bonde andando” e tem que estar atento para não cair e ficar pelo meio do caminho. Por outro lado, temos um universo enorme, que apesar de estar recheado de fantasia e ficção trata temas muito pertinentes como cicatrizes emocionais, redenção, perda e traumas de guerra de maneira muito convicente e série. Com um conceito vasto e aberto a inúmeras possibilidades, uma representação feminina fortíssima no elenco e uma arte linda e caprichadíssima, a revista tem tudo para formar uma legião de apaixonados novos fãs se seguir verdadeira a sua proposta inicial.


