Kotaro Vai Morar Sozinho | Como falar sutilmente sobre responsabilidade afetiva
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Kotaro Vai Morar Sozinho | Como falar sutilmente sobre responsabilidade afetiva

Anime sobre uma criança de 4 anos que vai morar sozinho encanta ao alternar leveza a assuntos pesados

O que aconteceria se uma criança de 4 anos morasse em um apartamento sem seus pais? A premissa pode até soar irreal num primeiro momento, mas se torna plausível e bastante profunda no desenrolar do novo anime da Netflix “Kotaro Vai Morar Sozinho”, produção baseada no mangá “Kotarou wa Hitorigurashi” de oito volumes escrito por Mami Tsumura.

A obra, que também tem versão live action, nos apresenta o protagonista Kotaro Sato, um garoto de 4 anos, que sem contar com seu pai e mãe (assista para descobrir o porquê), se vê obrigado a morar sozinho em um prédio habitado por um autor de mangá desleixado, um capanga da máfia e uma acompanhante de luxo. Ao interagir com os moradores e deixá-los surpresos, afinal, que criança pequena aluga um apartamento, Kotaro começa sua jornada para se afirmar como um menino capaz de morar sozinho. 

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Kotaro Vai Morar Sozinho | Como falar sutilmente sobre responsabilidade afetiva

O menino carismático, de personalidade madura, conquista todo mundo ao seu redor, desde seus vizinhos até a moça do supermercado (no que parece em uma grande guarda compartilhada) não apenas pela situação incomum que vive, mas por intuitivamente demonstrar responsabilidade afetiva, algo que considero o ponto mais importante da história

Responsabilidade afetiva, termo que ficou muito famoso hoje em dia, é só uma reimaginação da célebre frase da frase “você é eternamente responsável por aquilo que cativas”. Ao contrário do que muitos imaginam, isso não está muito relacionado à reciprocidade, mas pela capacidade de ter empatia e usá-la com sabedoria. Isso fica nítido na forma que Kotaro e Karino, o mangaká, se envolvem.

Kotaro Vai Morar Sozinho | Como falar sutilmente sobre responsabilidade afetiva

A relação pai e filho vive sendo alterada o tempo todo, pois em determinado momento não sabemos quem é o pai e o filho desta vez, já que a criança exige que o jovem adulto tome banho todos os dias (algo que não é muito comum na cultura de alguns japoneses)

E aí temos o que eu mais amo: todos os personagens evoluem ao experimentar este olhar empático. Eles crescem tanto quanto o pequeno, pois por mais que Kotaro prepare sua refeição sozinho, ele é uma criança que gosta de desenhos infantis e que precisa de amor e quer ser amada (do jeitinho dele é claro).

Ao lidar com seus próprios problemas, que vão de abuso físico, abandono parental e até a inabilidade em lidar com crianças, todos os incríveis e complexos personagens precisam refletir sobre o olhar de uma menino que tem seus motivos para não tirar uma foto (e quando você descobre o porquê seus olhos enchem d’agua).

Kotaro Vai Morar Sozinho | Como falar sutilmente sobre responsabilidade afetiva

O jeito que Kotaro enxerga o mundo é brilhante, o cuidado que ele tem com seus vizinhos é  tão expressivo, que a gente questiona como às vezes ir embora é uma forma poderosa de amor. 

O que fez eu apaixonar por este slice of life (gênero de histórias cotidianas que significa “fatia da vida” em português) de 10 episódios é que tudo pareça duro, pesado e leve ao colocar o protagonista como catalizador de tudo. Entendemos que às vezes precisamos de muito pouco para seguirmos em frente, enquanto conquistamos pessoas pelo caminho. 

Unindo histórias contidas, mas conectadas de alguma forma. “Kotaro Vai Morar Sozinho” é uma dos melhores animes originais da Netflix, e isso é por ter uma narrativa aconchegante com personagens carismáticos que fazem a gente exercitar nossa empatia ao mesmo tempo que nos coloca como um dos responsáveis afetivos pelo pequeno protagonista. Tudo isso sem ao menos participar da história.

Aposto com você: a gente ganharia um saco de lenços de boas vindas se estivéssemos lá! 

“Kotaro Vai Morar Sozinho” está disponível na Netflix.

E aí, curtiu?

Escrito por Wendrick Ribeiro

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