Lá nos confins da década de 90, quando os point-and-clicks dominavam os PCs e a LucasArts era uma religião, um pequeno estúdio chamado Presto Studios resolveu tentar a sorte com uma bizarrice chamada “Elroy and the Aliens”. O jogo nunca chegou a ter o destaque de um Monkey Island ou Day of the Tentacle, mas mesmo assim, marcou quem teve a sorte de cruzar com essa pérola perdida nos disquetes da vida.
A premissa já entrega o nível de insanidade: você é Elroy, um adolescente típico dos anos 90. Elroy descobre que alienígenas invadiram a cidade, e ao invés de chamar a polícia, o FBI ou os Homens de Preto, ele decide resolver tudo com a ajuda do seu cachorro falante e um hoverboard.
O jogo tem aquele jeitão de animação feita no Deluxe Paint com orçamento de festa de escola. Os cenários são coloridos, exagerados, e até que charmosos, mas os personagens têm animações duras o suficiente pra te fazer sentir saudades do Windows 95 travando.
A trilha sonora bem, ela existe. E às vezes é até divertida, especialmente se você curte aquele estilo MIDI galhofeiro que soa como uma banda cover tocando música de elevador em Marte.
Sabe aquele quebra-cabeça em que você precisa combinar um pato de borracha com um micro-ondas para conseguir abrir uma porta? Elroy faz isso e vai além. Prepare-se para vasculhar o cenário como se estivesse procurando a chave do portão da sua avó que ela jura que deixou em cima da geladeira.
Elroy tenta ser um personagem engraçado, mas muitas vezes escorrega pro cringe – daquele tipo que faria até o pessoal do Cybercops desviar o olhar. A boa notícia é que o jogo sabe que é bobo e abraça essa bobagem com força. Em tempos onde tudo quer ser sério e “cinematográfico”, é até refrescante jogar algo que não tem vergonha de ser bizarro.
“Elroy and the Aliens” é aquele tipo de jogo que você provavelmente nunca ouviu falar, mas que, se cair na sua mão por acaso (num pacote de jogos antigos ou numa sessão de arqueologia digital), pode render umas boas risadas e doses generosas de nostalgia. Não é um clássico. Não é revolucionário. Mas é estranho, divertido e completamente fora da curva. E às vezes, é isso que a gente precisa.




