School Days

Ah, que maravilha! Agora que o ano vai começar mesmo.
Isso me lembra que, lá nos primórdios, eu estaria ansiosíssima pra voltar às aulas de verdade – porque o ano só começa depois do Carnaval.
Me lembro de muitas coisas esquisitas da escola, mas o que vou lembrar pro resto da vida é do tão querido Fundamental e Ginásio… Quanta coisa.
Nós nos acostumamos com a velocidade do tempo e ele vai passando, passando e a gente nem percebe quanto tempo passou, desde a quinta série.
Olha, eu nunca gostei de Matemática mas, se tem algo que me lembro da quinta série, obviamente é da professora de Matemática que passava a semana inteira enchendo os idiotas aluninhos de atividades, justo na sexta feira… Iludia a aula inteira, fazia pensar que íamos ter todo o final de semana pra soltar pipa, ficar na rua, comprar gelinho, quando, na verdade, havia cerca de trinta e cinco exercícios  pra dar como lição de casa, em sua mesa. É, quem nunca se decepcionou com a professora de Matemática ao ver três folhas de contas pra resolver no Sábado e Domingo? Os dias mais esperados da semana?
Como sempre, na segunda feira, eram poucos os idiotas aluninhos que faziam corretamente a lição de casa e estes, sempre eram os que emprestavam para aqueles que não fizeram nadica.
Nessas horas, até o aluno mais popular se vê obrigado a falar com o nerd da sala:
Oi, tudo bem?
É… Hm, tudo.
Então, me empresta sua lição de casa? Prometo que te convido no próximo aniversário.
– [olhos brilhando] Empresto, empresto. [/olhos brilhando]Ah, a quinta série… Mal eu sabia que os próximos seriam parecidos. A sexta série – que seria igualzinha a quinta -, a sétima – que, para mim, foi a pior de todas – e todos aqueles exercícios de Matemática que se repetem até hoje – tudo pra usarmos em uma prova de 3h de duração que vai decidir tudo e, depois colocarmos todos os exercícios aprendidos durante uma vida inteira na escola, em uma gaveta lá no fundo da nossa mente – gaveta que é capaz de criar teias de aranha e bolor, por falta de uso.
A escola sempre foi uma coisa estranha. Sempre me senti como se estivesse em um Safari, sério mesmo. Tinha as crianças que possuíam a lancheira mais legal e as crianças que levavam o lanche em um saquinho plástico. Tinha também as crianças que levavam suco Tang na garrafa mineral, as crianças que levavam Coca-Cola e as que não levam nada porque não tinham.
Lembro também que tive uma professora de História que simplesmente jogava pontas de giz, nos alunos burros mal-educados (tudo bem que ela tinha um olho meio fora do compasso do outro, e que usava uma pochete preta estranha, mas ela era uma boa professora). Ao menos eu dava risada na aula dela, gostava de ver os alunos mal-educados sujos de giz.
O mais estranho de tudo isso é que a história se repetiu a cada ano que passou.
E hoje em dia, ao invés de lancheiras, os alunos tem colares de prata e Ipods. Ao invés de suco Tang, fumam um narguille depois da aula e, os alunos mais inteligentes continuam a passar a lição de casa na segunda feira, para aqueles preguiçosos que não fizeram no final de semana.
Ah, a escola.


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