Geração Tubaína

O futuro da nossa nação já tem a responsabilidade de conviver com o medo e enfrentar o mesmo desde seu nascimento. Se uma crianças já sofre ao nascer, imagine depois então. Vixi! Ela vem toda calminha do ventre de sua provedora e quando menos se espera, o senhor médico lhe lança um tapão na bunda pra não ficar mal acostumada. Pronto! A criança já vem ao mundo chorando. O primeiro choro de tantos outros (coitada).

Quando se bota o filho pra dormir, a mãe chega e fala que a Cuca vai pegar, avisando que o pai foi pra roça e ela vai viajar; a criança que ainda não assistiu o Chapolin e não o conhece ficará sozinha sem ninguém para lhe defender. Quando não é a Cuca vem o Boi da Cara Preta pegador de criança que tem medo de careta. A pobre criança se vê tendo que enfrentar o seu primeiro medo: o meda da careta, senão o boizão já estará na cola dele.

Acho que nossos pais fizeram algum treinamento com o BOPE, pois desde que nascemos ficam nos botando medo. É incrível esse modo de criação. Se você quer brincar com seus amiguinhos a noite e sua mãe não deixa, ela diz que se for o homem do saco vai te pegar. Com as meninas, elas falam que o cadeirudoestará lá fora e vai te pegar também. Quando se cresce mais um pouco a pressão aumenta, se você tem um amiguinho ou amiguinha, por exemplo, na rua de cima da sua casa, ela diz que a perua dos palhaços está a solta e vai te seqüestrar. Pata ka parel! Você fica com um trauma tão grande que nem no circo Vostok você terá coragem de ir.

Eu me lembro muito bem de tudo isso. Quando criança (não digo quando pequeno, pois pareço mais um cotoco), eu era assim meio genioso e portanto, contudo, todavia, entretanto eu cresci impulsivo demais, mas com muito medo de tudo mesmo. Quando minha mãe não queria sair comigo, ela dizia que ia tomar injeção (ela me enganou por longos anos) e me deixava na casa da minha avó. Hoje eu chego para ela e digo: “Como você era, hein mãe?!” Continuando com o relato… o futuro da nação, segundo o Renato Russo, seria a geração Coca-Cola, porém devido a crise, nossas crianças conseguem no máximo ser Geração Tubaina. Com todos esses problemas e traumas já causados na infância, nossas crianças já nascem com a responsabilidade de vencer seus receios e com isso os garotos e garotas vão procurar sua real identidade, (agora começa a metamorfose ambulante) viram metaleiros, emos, punk, clubbers, pagodeiros, axezeiros; a grande maioria cresce indo pro Cabral e usam os cabelos espetados e modelados com sabonete Francis. As garotas com 12 anos já estão falando do Fernandinho, do Ricardinho, Marquinhos e Rodriguinho, que um beija mal, o outro péssimo, tal tira todo o seu fôlego e lhe dá um fogo tremendo. Os garotos aos 11 já falam do tamanho do mandjolo, do último filme da Emmanuele passado no cinepeitinho ou da Rita Cadillac com o José Mayer nas Brasileirinhas. Aos 15 as garotas pensam que são mulheres maduras começam a usar as roupas da mãe e almejam caras de 18 anos em diante e se os meninões que são maiores de idade não ficarem com elas, as garotinhas que já assistiram “Meninas Malvadas” e/ou “Menina Má” põem tudo em prática o que aprenderam nos filmes. Uma dica aos maiores de 18, fuja deste tipo de perfil, pois elas podem ferrar a sua vida sem você ter encostado o dedo nelas, literalmente. Enquanto os garotos de 15 pensam no Yu-Gi-Oh, Playstation 2, no Super Trunfo e no Perfume de Emmanuele, alguns que se dizem diferentes se matriculam no curso do Oliver do Teste de Fidelidade para aprender a conquistar as gatinhas e depois saem por ai com a Colônia  do Fábio Junior pensando que as garotas vão cantar “demorei muito pra te encontrar, agora eu quero só você”…

Não esquecendo que o orkut e o MSN vem acompanhando a vida deles desde de os 7 anos de idade ou até antes, esses dias mesmo presenciei uma cena dessa: dois garotos que não estouravam essa idade exigia que um entrasse no MSN rapidamente para os dois conversarem. Aos 17 as garotas começam a cultuar o corpo, usam roupas que denotam suas silhuetas dizendo e pensando: “Eu sou perigosa e dou um baile em mulheres de 25 anos.” Enquanto os garotos descobrem o álcool, a camonha, a academia e a primeira transa que dura no máximo um minuto e meio. E até o momento, eu garanto que nenhum deles pensou na porra do futuro da nação desse país.

Pergunte se eles sabem o que é o PAC, com certeza vão perguntar se isso é de comer. Agora questione sobre “Furfles Feelings”, você vai ouvir o coro em demasia. Esses dias, eu e mais alguns amigos conversando sobre política (mentira!) vimos vários desses da geração Tubaína gritando chupa-engole, chupa-engole, chupa-engole e um dos nossos futuros imitando o Jeremias. Cresce o assunto nas suas patotas falando do BBB, da Mary Moon, do último porre que tomou, de quantos pegou em uma noite na balada ou na micareta, no sonho de ser modelo ou jogador de futebol.

Enfim acabou a geração Coca-Cola, mas como diz o Raul Seixas: “Se você mata uma mosca, sempre vem outra no lugar”. Assim como se deu o fim desta geração a da Tubaína chegou dizendo que o país vai mudar, só não sei pra onde!


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