Esperando

Sabe uma coisa que eu acho entediante engraçada? As salas de espera. De verdade, é engraçado mesmo.
Hoje lá estava eu, pobre sofredora do mal que todo escravo analista de atendimento sofre (tendinite), na sala de espera de uma clínica quando comecei a reparar em cada detalhe contido ali, naquele ambiente de pessoas exageradas enfermas com suas dores e cores.
Tudo começa pela recepcionista, sempre com aquele desânimo sorriso no rosto – típico de quem quer tomar café da manhã no trabalho e recebe a resposta da chefe: toma café em casa, as 5h da manhã, antes de sair -, sempre satisfeita com o trabalho que faz. “Bom dia, me empresta a carteirinha do convênio por gentileza?”. Sem querer, mas já citando as inúmeras vezes que a coitada é interrompida no preenchimento de uma simples ficha por velhinhas esperando o fisioterapeuta, é claro. “Moça, algum dia vão me chamar?”
E então começa a espera. “Aguarde ali, na sala de espera, até alguém chamar o seu nome” e eu, educadamente me dirijo às cadeiras mais distantes da televisão – que por acaso, sempre está ligada na Tv Globinho.
Foi nessa hora que eu comecei a prestar atenção a minha volta e até dividi por grupos, as pessoas que estavam ali (não tinha nada para fazer mesmo). Primeiro Grupo: o maior e mais denso, o dos idosos. Segundo Grupo: o dos desocupados que queriam só um atestado pro Carnaval. Terceiro Grupo: o dos que tinham alguma coisinha mínima e estavam tão entediados ali como todos os outros do Primeiro e Segundo Grupo.
Sempre tem algumas revistas do ano passado, cruzadinhas e crianças chorando.
Ah, as crianças chorando! As mães ficam falando sobre a novela das oito – com desconhecidas – enquanto o filho mimado de oito anos faz escândalo porque quer que aumentem o volume da televisão pra que ele possa assistir sossegado a Tv Globinho.
Lembrando que todos sempre fazem cara de doentes – pois estão em uma clínica e doentes vão à clinicas e hospitais – quando nem estão tão doentes assim. É engraçado.
Tudo parecia engraçado demais – pensei que não podia piorar ficar mais engraçado, de verdade -, quando, de repente, uma senhora – aparentava ter uns 45 anos – se auto afirmou ser mãe de um daqueles moleque piranha que escutam Chris Brown e Mc Tevez no ônibus, ao ligar o celular e começar a ouvir Leonardo – junto com todas as outras pessoas que podiam ouvir em um raio de 200 metros.
Sério, aquilo quase me fez ter um colapso.
Mas tudo sempre acaba bem. Todo mundo sempre supera a fase da sala de espera quando a recepcionista chama e indica ao paciente a sala do médico – médico que provavelmente nem vai olhar pra sua cara, receitar um anti-inflamatório e negar o atestado.
Acessos de risos vem, acessos de riso vão.
A sala de espera de uma clínica sempre tem dessas…


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