A verdade sobre a escolha de elenco nos filmes de super-heróis

Os super-heróis são os donos dos cinemas. É inegável. Rumores, debates, declarações e reclamações giram em torno deles. A maior polêmica sempre acontece num ponto: a escolha do elenco.

A escolha de um elenco de heróis é algo difícil para as duas partes (fãs e estúdios). Os fãs clamam por personagens similares aos dos quadrinhos, enquanto os estúdios, visam o lucro. O último grande susto foi a escolha do ator afro-americano Michael B. Jordan para o papel de Tocha Humana, no próximo filme do Quarteto Fantástico. Antes dele, houve a discussão sobre Jamie Foxx no papel de Electro, em O Espetacular Homem-Aranha 2 e o trio que fez questão de sacudir o cérebro dos fãs: Ben Affleck, Gal Gadot e Jesse Eisenberg como Batman, Mulher Maravilha e Lex Luthor, respectivamente. Para cada pessoa que está aguardando o desempenho de um ator ou a qualidade de um novo filme, há duas que estão tão indignadas, ao ponto de boicotar um filme que nunca assistiram com base, unicamente, no fato de que o elenco não é como deveria ser. Vamos ser honestos aqui: filmes de super-heróis são, em sua essência, um processo pragmático e orientado para o negócio.
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Mulher-Maravilha

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No caso de você não estar ciente, aqui estão as principais queixas dos fãs os filmes de super-heróis de Hollywood:

– Os cineastas são idiotas que têm pouco conhecimento e/ou o respeito pelo material original.
– Os diretores de elenco são idiotas que não entendem a essência dos personagens e não acompanham as escolhas de elenco que os fãs postam em seus sites ou redes sociais.
– O ator escolhido nunca será como o personagem dos quadrinhos.

Essas reações acontecem (às vezes, com algumas alterações) cada vez que alguma novidade sobre um filme é divulgada.
Quase todas essas queixas parecem esquecer o fato mais óbvio e simples (pelo menos para mim) sobre o processo de seleção de elenco: o foco é o negócio, o dinheiro, a venda, e é uma estratégia que tem funcionado.

Se você nunca ouviu o termo “demografia” permita-me explicar: aos olhos de um negócio (como grandes estúdios de cinema) a sociedade é dividida em um gráfico de pizza. Crianças, adultos, homens, mulheres, minorias, não-minorias, etc, etc… As divisões variam, mas a ideia central do gráfico permanece a mesma: foco.
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Algumas empresas conseguem sucesso focando em apenas um pedaço dessa pizza, mas filmes grandiosos não podem se contentar com isso. Um filme que custa mais de 100 milhões (mais de 200 milhões em alguns casos) de dólares, quer alcançar o maior número possível de pedaços do gráfico, inclusive, se possível, obter uma mordida de cada pedaço.

Não é novidade ressaltar que coisas como a raça, o sexo e a idade de um elenco de atores são os principais fatores de apelo num filme. Há várias evidências de que a diversidade realmente vende. A franquia “Velozes e Furiosos” é uma das séries de maior sucesso atualmente, no mundo dos negócios, e possui um dos elencos mais variados de Hollywood (negros, brancos, latinos, asiáticos, e mais).

… O que nos leva ao exemplo mais recente de rage entre os fãs: o novo Quarteto Fantástico.

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Em janeiro de 2014, o Quarteto Fantástico era o número 76 dos 100 melhores quadrinhos vendidos por mês – e parece estar preso neste mesmo lugar há algum tempo. Ou seja: o número de leitores não é tão grande. Se o material de origem não supera as expectativas com os fãs de quadrinhos, por que um estúdio deveria segui-lo? Pode parecer estranho e/ou ofensivo dizer isso, mas uma história sobre uma família branca de super-heróis não tem o apelo necessário para o cinema mundial.
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Por mais difícil que seja aceitar, Michael B. Jordan é uma escolha muito bem feita para o filme, pois, não apenas gerou comentários e atenção para o projeto (lembre-se que tudo é válido: falar bem ou falar mal), mas atingiu um dos pedaços cruciais da pizza. Some isso com um respeitado ator britânico (Jamie Bell) no papel de Coisa, uma atriz-revelação (Kate Mara) transformando Sue Storm em uma mulher mais realista ​​(em oposição à beleza e glamour de Jessica Alba) e verá quantas partes da pizza eles já conseguiram alcançar.

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A DC, com Batman vs Superman, trouxe uma estrela já conhecida em Hollywood (Affleck), um apelo internacional (Gadot), uma pitada indie/geek (Eisenberg) e novos rumores sobre o projeto surgindo todos os dias. Remova a maquiagem e os efeitos especiais dos Guardiões da Galáxia e verá as estrelas conhecidas, Bradley Cooper e Vin Diesel, uma pitada de indie e comédia com Chris Pratt e John C. Reilly, e a beleza negra de Zoe Saldana. Essas escolhas fazem parte de uma grande estratégia, afinal, os filmes de super-heróis são as galinhas dos ovos de ouro dos últimos tempos.
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Concluindo: se você ama um herói nos quadrinhos, não crie grandes expectativas sobre ele nos cinemas. São mundos diferentes. O que vai para as telonas é aquilo que os estúdios presumem que trará mais lucro, e sempre será assim. Um grupo de fãs despejando ódio na internet só traz mais atenção ao filme e, bom, vamos combinar que esses mesmos fãs (com raras exceções) vão comparecer às salas de cinema, nem que seja para soltar um “eu sabia que ia dar merda” no final. Eu, como fã de quadrinhos, já desisti do sonho de visualizar meus ídolos dos quadrinhos, nas telas de cinema, mas não é por isso que vou deixar de assistir os filmes, apenas vou torcer para que seja feito o melhor trabalho possível com eles.

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OBS: não estou pedindo para ninguém para de reclamar ou criticar o que acha que está errado, apenas tentando esclarecer alguns pontos mais polêmicos.
Post by: Loucifre

Por Louise


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