3 contos esquecidos dos irmãos Grimm

CAPA

Neste ano, várias cidades pela Europa estão celebrando o 200º aniversário da publicação da coleção contos de fadas dos irmãos Grimm. O primeiro volume das obras, contendo 86 estórias, surgiu em dezembro de 1812, e foi preciso um ano inteiro para preparar as celebrações, por isso estão ocorrendo agora, em 2013.

Grimm

Os irmãos Grimm

O livro foi uma compilação de coletas, adaptações e contos de famílias, e foi pare de uma série de trabalhos de Jacob e seu irmão menor, Wilhelm, publicado no folclore germânico e literatura. No entando, eles não estavam interessados apenas em contos de fadas. Durante o resto de suas vidas, Jacob publicaria 21 livros, Wilhelm 14 e juntos, 8 – muitos deles, trabalhos acadêmicos respeitados sobre história, etnografia, lexicografia e direito.

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Os irmãos Grimm no filme de 2005

 Mas nem todos os contos dos irmãos Grimm viraram filmes bonitos da Disney, alguns são extremamente estranhos ou bizarros (ou os dois), e talvez fizessem algum sentido em outras épocas, mas não na nossa. Eis aqui, três contos dos irmãos Grimm que foram “esquecidos” pela mídia, e que são, digamos, bem diferentes dos contos de fadas que estamos acostumados:

1. O RATO, O PÁSSARO E A SALSICHA

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Um rato, um pássaro e uma salsicha moravam juntos em uma casa, e por algum tempo, as coisas iam bem: o trabalho do pássaro era voar pela floresta, todos os dias, e trazer madeira; o rato levava a água, acendia o fogo e arrumava a mesa; a salsicha preparava as refeições, certificando-se de que foram devidamente aromatizadas rolando em cima delas.

Mas um dia, os amigos do pássaro começaram a caçoar dele, chamando-o de “pobre coitado” e dizendo que ele fazia todo o trabalho duro enquanto os outros ficavam em casa. Ele chegou em casa naquele dia, e exigiu que eles tivessem um sistema mais equitativo de tarefas, e eles tiraram a sorte para determinar quem faria o quê.

Bem, a salsicha foi escolhida para pegar madeira, mas foi comida por um cachorro quando entrou na floresta. O rato foi designado para preparar as refeições, mas quando ele rolou pelos vegetais como a salsicha fazia, ficou preso e morreu. E o pássaro deveria pegar a água e acender o fogo, mas de alguma forma, ele conseguiu fazer a casa pegar fogo, e então, ao tentar puxar um balde de água do poço para apagar o fogo, ficou preso no balde e se afogou. A moral desta história é que cada um deve saber o seu lugar.

2. RALÉ

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Um galo e uma galinha constroem uma carruagem de cascas de nozes, encontram um pato para ajudá-los e dão carona para um alfinete e uma agulha. Eles passam um tempo fazendo farra em um pub, e depois vão para uma hospedaria. Num primeiro momento, o dono da hospedagem não quer deixá-los dormir lá, mas então, eles oferecem a ele um ovo que a galinha pôs e o pato. Ele aceita.

Na manhã seguinte, o galo e a galinha acordam cedo, pegam seu ovo de volta e comem (canibais?), colocam o alfinete na toalha do dono da hospedagem e a agulha em sua poltrona. Então, voam para longe (ok, qualquer um que assistiu “A fuga das galinhas” sabe que isso é impossível). O pato, enquanto isso, fugiu.

O dono da hospedagem acordou e foi ao banheiro lavar seu rosto, quando percebe que há um alfinete em sua toalha, causando-lhe uma dor enorme. Quando chega na cozinha, percebe que não há mais ovo e nem pato. Após tudo isso, ele pretende descansar em sua poltrona, mas descobre que ali também há uma terrível surpresa (a agulha). Irritado, ele promete nunca mais deixar que a “ralé” se hospede ali. (Por “ralé” entende-se material de alfaiate e animais atropomorfos).

3.  HURLEBURLEBUTZ

Era uma vez, um rei que estava perdido numa floresta. Repentinamente um anão branco aparece para ele. O anão diz ao rei que ele pode ajudá-lo a encontrar o caminho para sair da floresta, em troca de sua filha mais nova. O rei, que já estava em pânico naquela floresta, aceitou. O anão levou o rei são e salvo de volta para seu castelo, e disse-lhe que voltaria em uma semana para buscar sua filha.

O rei, obviamente, estava muito triste – sua filha mais nova era sua preferida. Quando contou sobre o acordo para suas filhas, elas lhe disseram para não se preocupar, pois iriam se livrar do anão. Uma semana depois, as filhas encontraram a filha de um pastor, vestiram-na como uma princesa e disseram-lhe para ir embora com a primeira pessoa que viesse buscá-la. Quem veio buscá-la foi uma raposa, que disse “Sente-se em minha cauda, Hurleburlebutz! Para a floresta!” Antes de chegar, a raposa ordenou que a menina tirasse os piolhos de seu pêlo, e ela o fez.  Então, a raposa percebeu que estava com a menina errada, e a levou de volta para o castelo. Uma semana depois, a raposa voltou ao castelo, e levou outra menina para a floresta. A menina acatou suas ordens e a raposa viu que não era a princesa novamente, e voltou ao castelo.

 Na terceira vez que a raposa voltou ao castelo, o rei entregou sua verdadeira filha. A raposa levou-a até a floresta, e quando ordenou que ela tirasse os piolhos de seu pêlo, ela gritou “Eu sou a filha de um rei, não vou tocar em seu pêlo sujo!”. A raposa percebeu que esta era sua noiva e transformou-se de volta no anão branco do começo da história. O casal viveu feliz por um tempo, até que um dia, o anão avisa para a princesa: “Preciso ir embora. Três pombas brancas virão voando até aqui, você deve pegar a pomba que estiver voando no meio e cortar-lhe a cabeça. Mas lembre-se: deve ser a pomba do meio, que estiver voando entre as outras duas.” As pombas vieram e a princesa cortou a cabeça daquela que o anão ordenou. Após isso, um príncipe encantado aparece. Na verdade, o anão branco era um príncipe, que foi amaldiçoado por uma feiticeira maligna, e só uma história COMPLETAMENTE CONFUSA como essa, poderia livrá-lo da maldição.

 Ok, qual a moral você tira dessas histórias?

Por Louise


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