O Protegido – Ciclo das Trevas Vol.1

Quando 500 páginas são lidas em horas

Em um mundo onde o breu da noite sinaliza a morte; onde demônios do fogo, da água, do vento, da pedra, da areia e das árvores, famintos, vagam à procura de seu alimento favorito – a carne humana; onde dormir é um luxo que poucos conseguem; onde crianças se tornam adultos cedo demais; onde as mulheres preocupam-se mais do que tudo em gerar filhos homens para substituir os que foram devorados pelas bestas; onde ter uma família significa mais do que ter dinheiro; onde a procura por alimento é uma luta de vida ou morte; onde o sol é o único ser supremo que se sobrepõe aos demônios… Três crianças sobrevivem para um encontro que fará a luz brilhar na escuridão. Estamos falando do mundo de um dos livros mais vendidos segundo a Amazon UK – O Protegido – Ciclo das Trevas Vol.1  – publicado pela DarkSide Books.

A noite pertence aos demônios famintos que a cada dia vão diminuindo o número de pessoas com vida. Uma lenda fala de um salvador que há muito tempo, com seu exército e com símbolos de lutas, expulsaram os demônios para os confins do subsolo. Porém depois de 300 anos passados, a maioria das cidades esqueceram que existiram feras que comiam gente, e pior, se esqueceram de como desenhar símbolos de ataque. Restaram alguns símbolos de proteção que os mantem vivos e o sol que é o único que se sobrepõe aos demônios. Homens corajosos buscam em catacumbas de ruínas antigas encontrar as armas dos guerreiros que sobrepujaram as feras. É nesse mundo que três crianças sobrevivem com o objetivo de  encontrarem um momento que fará a luz brilhar na escuridão.

o-protegido-ciclo-das-trevas-vol-1-quando-500-paginas-sao-lidas-em-horas2O Protegido – Ciclo das Trevas Vol.1  é um romance fantástico que faz o leitor mergulhar de cabeça na história e daí em diante, dificilmente ele  conseguirá parar de ler. São 500 páginas de ação, fantasia, luta e, acima de tudo, coragem. Peter V. Brett, autor da série literária “Ciclo das Trevas“, conta neste primeiro volume a saga de três personagens: Rojer, Leesha e Arlen. A cada página, as aventuras destes protagonistas desdobram-se em histórias de heroísmo, covardia, paixão, alegria e dor.

Rojer, o Menestrel Faltadedo – é o mais novo. Com apenas três anos de idade, viu o pai e a mãe serem brutalmente devorados por demônios. Sua casa era uma choupana de madeira corroída pelo tempo, cujos desenhos de proteção entalhados na madeira haviam se desgastado, deixando os demônios adentrarem e devorarem quem ali estava. O menino foi salvo por um menestrel (artista que recitava e cantava poemas em versos frequentemente sempre acompanhado de um instrumento musical) que o criou como filho e ensinou-lhe o seu ofício. Rojer aprendeu a tocar rabeta (uma espécie de violino) como nenhum outro, e descobriu que sua música enfeitiçava os demônios, esse encantando faziam eles dançarem e consequentemente fugirem do local onde estavam . O jovem acreditava que todos os que com ele conviviam, acabavam morrendo e isso fez com que ele vivesse na solidão dos caminhos, alegrando as pessoas por onde passava, mas com um sentimento de tristeza profunda que lhe marcava o semblante.

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Leesha, a Ervanária – uma menina meiga que, aos 11 anos, teve a vida arruinada e a honra destruída por conta de mentiras. Ela encontra refúgio com Bruna, uma senhora com mais de cem anos, respeitada por todos como a maior parteira e ervanária (curandeira) do lugar, que lhe ensinou os segredos das ervas e da química para curar as feridas provocadas pelos demônios. Leesha não conhecia nada além de local onde morava quando foi para a cidade aprender mais do ofício de ervanária. Ela não queria e nem pensava em ser como as outras mulheres ao seu redor, que viviam apenas com a única obrigação de gerar filhos. Ela era especial no saber da cura e tinha como meta curar seus filhos, nome que ela usava para chamar todos os seres que acabava prestando algum tipo de auxilio no nascimento.

Arle, o Protegido – menino que desde muito cedo conheceu a morte e a covardia, tendo com apenas 12 anos enfrentado as feras demoníacas para salvar sua mãe – proeza que muitos homens não têm coragem – jurou nunca conceder nada aos demônios e que seria um guerreiro matador, coisa que não existia no seu mundo sombrio. Após perder sua família, Arle se embrenha pelas florestas fugindo das criaturas até ser salvo pelo mensageiro Ragen, com quem ele aprende a arte da defesa contra as sombras, e a desenhar a única arma que consegue deter os demônios: as Proteções.

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“As Proteções” são desenhos antigos que foram passados pelos ancestrais e que nesta época são usados para evitar que os demônios consigam alcançar os homens. Mas havia mais e Arlem sabia disso – o garoto queria descobrir o mundo. Queria ser Mensageiro, pois esses eram homens de coragem que passavam as noites longe de casa sem temer os gigantes das sombras. Junto com eles viajavam os menestréis, homens que contavam as sagas dos guerreiros que matavam demônios e também a de um Salvador que viria para trazer a redenção aos homens, que nunca foram vistos por ninguém. Arlen acreditava que eles existiam ou que existiram um dia, e por isso virou um Mensageiro, contra a vontade de sua mãe e pai adotivos, para poder viajar e procurar, nas muitas ruínas de cidades antigas, armas e desenhos que pudessem, de alguma forma, ferir os inimigos dos homens. Traçou um caminho sem volta pelas estradas, florestas e desertos, sempre escapando de ser devorado pelos mais grotescos e cruéis monstros da noite, enfrentando batalhas sem fim para encontrar o que procurava.

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Todos os três tiveram longas batalhas em suas vidas até que o destino os colocou num mesmo lugar e naquele momento, o mundo conheceria um futuro diferente para os homens. Eles deixariam de ser caçados para se tornarem caçadores de demônios.

Todas as descrições que autor faz são minuciosas, com riquezas de detalhes e que fazem o leitor embarcar  no mundo sombrio e fantástico criado por ele. A forma com que ele fala das proteções – as quais não podem ser apagadas por abrirem passagem aos demônios – deixa a história com uma tensão formidável. Uma folha de árvore que voa e desce maliciosamente em cima de uma linha de proteção pintada ou escrita na terra, abre o caminho para a morte brutal. A chuva que lava o giz, a lama que cobre o ferro, o vento que sopra a areia ou o pó em cima das proteções a fuligem do fogo, tudo isso passa pela cabeça dos viajantes e também de nós, os leitores.  E se nos descuidarmos por um segundo, esse único segundo pode ser fatal. Dormir? Ninguém consegue (o leitor menos ainda), basta o sol se por para que demônios das trevas que possuem as mais variadas formas, invistam contra muros, portas, janelas e círculos de proteções, batendo e urrando violentamente até os primeiros raios de sol invadirem a escuridão.

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A leitura proposta por Peter V. Brett é inebriante, na edição lançada pela DarkSide Books, as 500 páginas desta história foram muito bem diagramadas e coladas numa edição que tem um acabamento de luxo. Em capa dura e com uma arte de capa que chama muito a atenção. O leitor pode até se assustar com o tamanho e o peso do livro, mas a partir do momento que ele ler o primeiro capítulo ele não vai parar mais,  essa bitela chamada de livro será lido em poucos dias ou horas, pois quanto mais se lê mais vibrante se torna a história e isso é fato.

Existe muita luz na escuridão! 

Resenha escrita por @JoalDilho, a convite do Proibidoler.com. Joal prefere não ser identificado, mas que se define, assim como nós, como um ser apaixonado por literatura fantástica.

Se você se interessou em ler “O Protegido – Ciclo das Trevas Vol.1“, ele está disponível para venda através deste link.


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