Proibido Ler Entrevista

Marguerite Bennett a autora da nova equipe feminina do Universo Marvel

Marguerite Bennett nos últimos anos vem se destacando como uma das autoras mais versáteis, competentes e consistentes do mercado de quadrinhos. A jovem escritora Sulista em um curtíssimo intervalo de tempo teve oportunidade de trabalhar com uma gama de histórias, personagens e editoras que fazem inveja a muitos veteranos da indústria de arte sequencial. Além de seus trabalhos em BatmanBatgirlO Legado de LoganNoturnoSleepy Hollow e muitos outros a roteirista recentemente fez parte da equipe que aniquilou a Terra-2 em Earth-2 Earth-2: Worlds End para a DC Comics e é responsável pelo primeiro título solo de Angela na Marvel.

Mas não é só isso. 2015 é um ano muito especial para Bennett. A moça recentemente foi responsável pela adaptação em quadrinhos do primeiro volume da série de livros do autor James PattersonMax Ride para a Marvel, é a co-autora da nova equipe feminina da editora chamada A-Force e ainda sobra espaço para um novo projeto misterioso na DC Comics.

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Impossível falar sobre todos os trabalhos de Bennett em uma só entrevista, no entanto a jovem cedeu um pouco de seu tempo ao Proibido Ler para nos contar um pouco sobre seus mais recentes projetos, planos para o futuro e sobre a inclusão de profissionais e personagens femininos no universo dos quadrinhos.

Proibido Ler: A primeira pergunta é : Como você está gerenciando seu tempo? Do nosso ponto de vista você tem escrito uma porção de coisas boas para a Marvel, DC, BOOM, Archaia e é impressionante como você consegue isso tudo.

Marguerite Bennet: Ha! (risos) Fica complicado. Você quer fazer o seu melhor trabalho, e às vezes isso significa não gastar tanto tempo, mas fazer cada hora do dia o mais produtiva possível. Não há somente os roteiros a serem escritos, mas tem as ideias, os esboços, os pré-roteiros, as revisões, a edições de diálogos, revisões de arte, entrevistas, telefones de trabalho, conferências, retiros, convenções, o tempo de viagens e a pessoa ainda tem que tentar gerenciar uma vida social junto com isso tudo. É muito fofo você ter notado isso – Eu sou completamente abençoada. Tenho vinte e sete anos de idade e no momento posso me valer somente de minha paixão pelas histórias como combustível – mas quando ficar mais velha terei mais responsabilidades e isso significa que tenho que usar o momento presente a meu favor e tentar fazer o máximo que conseguir agora.

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Bennett literalmente destruiu a Terra-2 da DC Comics no último arco da revista.

Proibido Ler: A Marvel acaba de publicar a primeira edição de Max Ride, livro de James Patterson adaptado por você para os quadrinhos. Eu não havia lido o material original e entendi facilmente a primeira edição da revista. Você pode descrever a premissa básica da história para o público não familiarizado?

Marguerite Bennett: É muito gentil da sua parte! A história é sobre uma família de adolescentes fugindo de um laboratório sinistro que os criou através de experimentos genéticos, os transformando nesses seres com asas tecnológicas e habilidades fabulosas. Eu trabalhei em adaptações televisivas antes, mas nunca adaptei um livro – era muito importante para mim agradar os fãs do material original e apresentar um novo público a Max e seu time. Em termos práticos eu primeiramente escutei o audiobook e depois voltei para o livro físico para dividir os pontos principais do roteiro no número de edições da revista que precisaríamos fazer. Eu destaquei as cenas mais icônicas e desenhei círculos e caixas de texto ao redor das informações mais importantes. Eliminei algumas coisas que poderiam ser facilmente retiradas. Marquei lugares onde poderíamos explorar arcos de personagens. No final, dividi minhas anotações em cinco edições e trabalhamos a partir disso, com o pensamento de como adaptar a história de Max em uma mídia visual – Alex Sanchez, nosso ilustrador, é maravilhoso em páginas duplas experimentais, então eu quis garantir que ele teria bastante espaço para as esquisitices e a grandiosidade. Eu fiquei muito emocionada com a resposta que recebi e sou muito grata a Sana Amanat (A editora da Marvel), James Patterson, Alex, Esther Sanz (Colorista) e todo o nosso time.

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A autora acaba de adaptar o romance Maximum Ride para os quadrinhos pela Marvel.

Proibido Ler: Você também está escrevendo A-Force junto com G. Willow Wilson, um novo título da Marvel que será publicado durante Guerras Secretas em Maio. O que você pode nos falar sobre este time totalmente feminino de super-heroínas?

Marguerite Bennett: No mundo de Guerras Secretas, existe uma mapa meio “quebra-cabeças”, feito dos restos do Universo Marvel. No oceano deste novo mundo existe uma ilha onde as heroínas do Universo Marvel habitam. Elas são protegidas pela A-Force, um time de Vingadoras composto de Mulher-Hulk, Capitã Marvel, Medusa, Nico Minoru e Cristal. Aparições horrendas começam a surgir em sua terra isolada – monstruosidades e colossos que elas nunca viram antes – e no meio disso, uma garota assutada aparece na costa. Elas devem juntar estas peças deste mistério de quem quer conquistar sua ilha antes que tudo seja perdido.

Proibido Ler: Tenho que dizer que simplesmente adoro o fato de que você e Wilson não viram razão pra justificar a formação desta equipe totalmente feminina com algum motivo estúpido. Qual foi a reação do público para este tipo de publicação?

Margerite Bennett: Foi esmagadoramente positiva. Nós tivemos algumas piadas sexistas, é claro, muitas acusações de sermos guerreiras da justiça social, algumas pessoas chamando a revista de “T&A-Force” (Tits and Ass – Force – Algo como Peitos e Bunda – Force) — o tipo de coisa que revela que o acusador é bastante mesquinho, egoísta e pequeno. Este tipo de falta de noção foi um em cada trezentos comentários sobre a revista. Em grande maioria, tivemos pais nos escrevendo sobre como estavam empolgados em compartilhar essas histórias com seus filhos, independente de gêneros, adolescentes emocionadas que existiam heroínas com as quais elas poderiam se identificar, apoio e empolgação de homens e mulheres de todas as idades e histórias de vida em relação a estas histórias. Eu pretendo deixá-los orgulhosos. Isso é por eles.

AFORCE-1

A-Force é a primeira equipe de Vingadores totalmente feminina escrita por Bennett e G. Willow Wilson.

Proibido Ler: Qual sua personagem favorita em A-Force?

Marguerite Bennet: Eu amo Nico Minoru e Singularity, a novata que ela coloca “debaixo de suas asas”. Nico é o coração emocional em A-Force – ela tem laços de amor com Lady Loki e America Chavez e é guiada por um sentimento de bondade e ao mesmo tempo de ser fiel às suas convicções, e isso a leva a conflitos com a Mulher-Hulk por causa de seu senso de dever e conflitos com Medusa por causa de suas ambições. Nico parece mais honesta, emocionalmente.

Proibido Ler: Você também está trabalhando com Kieron Gillen em Angela: Assassina de Asgard. Foi desafiador trazer este tipo de personagem “estrangeiro” (Agela originalmente é uma franquia da Image Comics) para uma revista solo no Unverso Marvel e estabelecer uma história interessante?

Marguerite Bennett: Kieron é uma delícia de se trabalhar, então se foi um desafio, foi um desafio adorável. Angela foi introduzida no Universo Marvel através dos Guardiões da Galáxia em arcos prévios, mas muito pouco se sabia sobre sua pessoa. Foi fascinante tentar explorar uma personagem que originalmente era tão reservada e sem emoção – nós conseguimos furar aquela “armadura” através de sua relação com Sera, uma anja perdida que acreditava-se estar morta por anos.

Proibido Ler: Como é a divisão dos trabalhos entre você e Kieron Gillen em Angela?

Marguerite Bennett: Kieron escreve a história principal em cada revista e sugere uma sub-história, que Sera (Companheira de Angela) contará e aí eu desenvolvo a ideia. Existem histórias do passado de Angela, histórias de seu relacionamento com Angela e até uma canção de batalha enquanto Angela comete um ato terrível e lendário no presente. Stephanie Hans ilustrou estas sub-histórias e elas estão entre as páginas mais emocionantes que já vi em toda minha carreira.

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Bennett atualmente escreve Angela – Assassina de Asgard para a Marvel.

Proibido Ler: Partindo para a DC Comics… Você escreveu algumas edições individuais para a editora por algum tempo tipo Lois Lane Filha do Coringa. Eu acho que já está na hora deles te darem um título para você escrever sozinha. Alguma chance disso acontecer em breve?

Marguerite Bennett: MUITO em breve! E é um projeto que estou muito empolgada, eu realmente não acredito que isto está acontecendo. Estamos em desenvolvimento por oito meses e eu tenho que manter minha boca fechada somente mais um mês. Eu não poderia pedir a DC Comics por um título que me fizesse mais feliz do que esse.

Proibido Ler: Você teve a sorte de ter Scott Snyder como professor de roteiro e algum tempo depois ele a convidou para co-escrever Batman Anual #2 para a DC. Eu não consigo imagina o quão emocionante isso deve ter sido. Você pode descrever como isso aconteceu?

Marguerite Bennett: Depois que saí da faculdade, eu tive uma crise de consciência – Eu sempre soube que queria ser uma escritora, mas eu era uma daquelas escritoras falsas que ficam sonhando e fazendo esboços e esquetes mais do que produzir algo concreto. Então eu peguei três trabalhos, dormia cerca de cinco horas por noite e escrevi um livro durante um ano que posteriormente usei como meu portfolio para entrar em uma maravilhosa escola de graduação na faculdade Sarah Lawrence, onde me concentrei em escrita criativa e onde Scott Snyder ensinava em uma disciplina sobre Graphic Novels. Eu levei pra ele algumas histórias originais minhas em quadrinhos durante um workshop e ele respondeu muito positivamente ao material – nós mantivemos contato por um ano após isso e saindo de uma aula um dia ele veio até mim e disse como ficou pensando sobre as histórias que escrevi e que ele sentia que eu estava pronta para trabalhar com isso profissionalmente. Eu fiquei tão feliz que chorei no carro voltando para casa. Ele me apresentou a Mike Marts, o editor chefe do Batman na DC Comics naquela época e fiz uma entrevista formal – re-escrevi roteiros, escrevi roteiros novos, editei, trabalhei com artistas, mostrei que poderia aceitar críticas e funcionar sob pressão, o treinamento completo pra esse tipo de coisa. Minha primeira revista foi publicada em 31 de Julho de 2013 e sou muito grata por tudo que aconteceu antes e depois disso.

Proibido Ler Entrevista | Marguerite Bennett a autora da nova equipe feminina do Universo Marvel

A estreia de Bennett nos quadrinhos no Anual 2 de Batman.

Proibido Ler: Como uma profissional da indústria de quadrinhos como você vê o esforço sendo feito para se criar um ambiente mais diversificado para criadores e fãs desse segmento de entretenimento?

Marguerite Bennett: Eu acredito fortemente que histórias quebram estereótipos e abrem as mentes. Eu acredito que a arte influencia a vida tanto quanto a vida influencia a arte. Se nós não conseguirmos nos enxergar (ou enxergar algum aspecto nosso) refletidos na nossa mídia (seja em filmes, livros, televisão etc) nós começamos a achar que tem algo errado conosco. Quando encontramos outra pessoa diferente de nós mesmos de alguma maneira que ainda não vimos em nossa arte, nós comumente tratamos essa pessoa como estranha, doentia, errada e até perigosa. Diversidade é algo que não somente cria uma arte melhor – ela cria uma sociedade melhor.

Proibido Ler: Pode soar meio cafona, mas você pode mandar uma mensagem para os jovens escritores que estão lendo isso aqui?

Marguerite Bennett: Não desista. Escreva a história que você quer ler. Escreva todos os dias, desenhe todos os dias, faça a arte que te faz feliz todos os dias, mesmo que seja somente por alguns minutos roubados. Todo mundo melhora. Talento é comum, mas trabalho duro é raro e trabalho duro é o que dá resultado. Ninguém vai fazer isso por você. Não tenha medo. Você pode fazer isso sim.

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Gostaríamos de agradecer imensamente Marguerite Bennett pode ceder um pouco de seu tempo para esta entrevista. Para mais sobre a autora leia a nossa resenha das primeiras edições de Angela – Assassina de Asgard Earth-2: Worlds End aqui.

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