Proibido Ler Entrevista

Artur Tavares – Especial Universo Valiant no Brasil

Quase que diariamente as pessoas me pedem recomendações de bons quadrinhos para ler e a minha resposta é uma pergunta automática: “Você conhece alguma coisa da Valiant Comics?”. A resposta que recebo dificilmente é positiva entre os leitores novatos ou mais casuais. Isso me causa certa estranheza tendo em vista que a editora HQM vem lançando praticamente todo o material do novo Universo Valiant desde Maio do ano passado a um preço competitivo e com uma qualidade de papel e impressão acima da média das publicações mensais do mercado nacional.

Então, ao invés de fazer um novo artigo recomendando os títulos da Valiant pra vocês como esse, esse, esse e esse nós resolvemos fazer diferente: Entramos em contato com o pessoal da HQM e convidamos um dos sócios da editora a bater um papo conosco e nos apresentar todo o Universo Valiant.

Na entrevista abaixo você lê partes de uma bate-papo de quase duas horas com Artur Tavares, jornalista, tradutor, editor e um dos donos da HQM no Brasil. Além da extensa conversa sobre a nossa paixão mútua pelo Universo Valiant e por quadrinhos em geral, falamos também muito sobre o mercado nacional de quadrinhos e as expectativas de lançamentos futuros aqui no Brasil:

Universo Valiant

A Valiant é a editora de quadrinhos com o universo mais coeso da atualidade.

PROIBIDO LER:  Você poderia apresentar o Universo Valiant pra quem ainda não conhece em algumas palavras? Quais títulos são publicados pela HQM aqui no Brasil?

ARTUR TAVARES: Cara, a Valiant é um universo de personagens super-heróicos que nasceu nos anos 1990 com uma insatisfação do Jim Shooter na Marvel, quando ele era editor chefe. Aí ele decide sair da Marvel descontente com a era “Image”, na verdade com os autores que na verdade iriam fundar a Image. Ele havia tentado implementar um novo universo na Marvel e não tinha funcionado muito bem. E ele leva essa idéia do novo universo para a Valiant, que é calcar as histórias em um realismo maior, mas não em um sentido realista do Frank Miller, da violência, mas no sentido realista em abordar a física de uma maneira possível, de acordo com as teorias que a gente tem no nosso planeta de verdade… E tentar sempre relacionar os fatos políticos e sociais que eram notícia com o que estava acontecendo dentro do universo Valiant. Isso fez com que a Valiant alcançasse um grande público nos Estados Unidos nos anos 1990. A editora na verdade fez muito sucesso lá fora, mas por conta da Era Image aqui no Brasil a editora nem chegou a ser publicada aqui nos anos 1990, assim como pouca coisa da (editora) First foi publicada aqui no Brasil como American Flagg, Grimjack, Jon Sable. Até saíram coisas (da First) no Brasil, mas foram muito poucas, também muito ocultado pelo sucesso de Spawn e do Youngblood.

Mas voltando para a Valiant, ela teve um período de sucesso muito grande nos anos 1990 pois tinha muitas pessoas importantes na indústria trabalhando como por exemplo o Barry Windson-Smith, que fez o Arma-X do Wolverine – Ele era responsável pelo X-0 Manowar; O Joe Quesada, que anos depois foi editor chefe da Marvel era desenhista do Ninjak;

X-0 Manowar_1

A histórica primeira edição nacional de X-0 Manowar publicada em Maio de 2013.

PL: O Fabian Nicieza também trabalhou na Valiant…

ARTUR: O Nicieza trabalhou mais da metade pra frente assim como o Brasileiro Luke Ross, que desenhou um pouco no X-0 Manowar, mas isso é em uma segunda fase, na fase da Acclaim. Quando a Acclaim, empresa de vídeo games, compra a Valiant e aí que na verdade começa a decadência da editora e leva a seu fechamento. Isso já na segunda metade para o final da década de 1990, quando o mercado americano de quadrinhos já está quebrado… A Marvel entra em falência e tudo mais, muito por conta da deflação de preços por causa também da Image… Dessa coisa de ter um milhão de revistas, aí você fica muito inflado e tudo mais.

Aí a Valiant é isso. Ela fecha no final dos anos 1990 e já nos anos 2000 um grupo de investidores, que eram fãs da Valiant nos anos 1990, compram os direitos dos personagens e fundam uma nova editora, que não é a mesma editora. Na verdade a Valiant nos anos 1990 se chamava Valiant Comics e hoje ela se chama Valiant Entertainment porque os caras têm os personagens, mas eles não compraram a empresa que estava falindo e fechada de fato. Hoje quem comanda Valiant, além desses investidores, são pessoas (no editorial da Valiant) que trabalharam na Marvel, inclusive pessoas que trabalharam na Marvel na época da falência. O editor chefe da Valiant hoje é o Warren Simons que foi responsável por coisas como os X-Táticos (De Peter Milligan e Michael Allred) e se não me engano o Punho de Ferro… Foi ele que juntou pela primeira vez o Matt Fraction e o David Aja que hoje estão no Gavião Arqueiro. Isso na época do Punho de Ferro. Como curiosidade, pouca gente sabe disso… Quem lê Gavião Arqueiro conhece os mafiosos que o Gavião enfrenta… Que toda hora eles falam “Bro, Bro”… Tudo é “Bro”, né? (risos) Isso é uma homenagem ao Warren Simons porque ele fala desse jeito. Ele chama todo mundo de “Bro”, então a influência dele na Marvel era muito grande antes da Valiant. Tanto que o Aja é responsável pelos designs de personagens dessa nova geração da Valiant.

Sobre o que a gente publica: A HQM tem os direitos de publicação de todo o Universo Valiant, de todas as revistas que saem lá fora e aqui estamos trabalhando por ordem cronológica. Então hoje no temos o X-0 Manowar, o Harbinger , o Bloodshot, o Archer e Armstrong e o Shadowman. A partir das próximas edições que saem que já estão na gráfica começa o Harbinger Wars, que é o primeiro crossover de personagens da editora, que vai se chamar “As Guerras Harbinger”. Aí depois do fim do Harbinger Wars tem a estréia de Eternal Warrior – O Guerreiro Eterno em X-0 Manowar e em alguns meses Quantum e Woody na Universo Valiant junto com o Unity, que é a primeira super-equipe da editora e vai se chamar Unity mesmo, a gente optou por não traduzir o nome. Aí ao longo do próximo ano vai estrear a Doutora Miragem, Rai… Aí as revistas vão sendo canceladas lá fora e sendo substituídas por outros títulos como Os Delinquentes e aí pra 2016 temos Ivar, Ninjak e tudo mais.

PL: Fico feliz com os anúncios de “Guerreiro Eterno” e “Quantum e Woody“, que são dois títulos ótimos da Valiant lá fora…

ARTUR: O Quantum e Woody é realmente muito legal e muito premiado, mas ele é complicadíssimo de se editar e traduzir porque ele tem muita piada, muito texto e dá muito trabalho… E é difícil adaptar aquelas piadas por causa do jogo de linguagem e das referências, mas eu vou te falar que eu gosto. Não é minha preferida, mas eu gosto. O que eu gosto do Quantum e Woody é que ele é um gibi de super-herói, com aquela pegada meio Homem-Aranha, mas ele é subvertido. Ele faz piadas com sexo, é um gibi violento, embora seja uma violência “cartunizada”. Isso me interessa e na verdade isso me interessa na Valiant como um todo, o teor adulto da editora é importante. São heróis, mas na verdade não são heróis, são pessoas que tem poderes e se vêem em situações de interferência no mundo. Eu acho que essa é a grande diferença. Eu não vejo, por exemplo, a Valiant com essa coisa de, comparando com a DC Comics, por exemplo, de ter os heróis como deuses e nem muito como a Marvel que são heróis que tem que lidar com o cotidiano. Na verdade na Valiant eles são personagens que são o que eles são. Como o Bloodshot, por exemplo, ele é um cara militarizado, mas ele não é o Capitão América no sentido de que ele era um soldado e hoje é um herói. Não, ele é um soldado e tem que lidar com situações militares de fato e com as cagadas do exército. É um outro olhar para o gênero de herói.

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“Harbinger”na capa de Universo Valiant #3

PL: Como surgiu a idéia de trazer os quadrinhos dessa nova safra da Valiant para o Brasil?

ARTUR: Cara, na verdade não foi uma idéia. A gente aqui na HQM lê muito gibi. Tanto eu quanto os outros sócios a gente lê muita coisa de fato e a gente entrou nessa de publicar quadrinhos justamente pelo fato de nós gostarmos muito de ler quadrinhos. E nós estamos sempre antenados e lendo uma coisa, lendo outra… E o que aconteceu é que estávamos com The Walking Dead em bancas, fazendo sucesso (e ainda estamos) (risos) e a gente percebeu que a Valiant estava aí despontando e tanto a Marvel quanto a DC passavam por certos problemas criativos, a DC mais do que a Marvel… E lemos bem no começo, assim quando saíram as primeiras histórias (da nova Valiant). Nós lemos tudo isso e nos interessamos e fizemos o contato. E a negociação levou na verdade coisa de 6 meses, talvez um pouco mais do que isso. Aí até que a gente conseguisse planejar, ver como ia fazer, se ia fazer banca, se não ia fazer banca… E no meio desse estudo de mercado a gente percebeu que não daria pra fazer encadernados porque são muitos personagens e como os materiais são todos de muito boa qualidade e todas as revistas tem nomes muito fortes na indústria nós decidimos fazer na banca. Não foi uma idéia no sentido de que estávamos procurando um material de banca… As coisas na HQM acontecem de forma um pouco mais orgânica. A gente vai atrás do que é bom e a gente arrisca e não era um formato que a gente estava procurando do tipo ”Vamos bater de frente com o nosso concorrente” – Nada disso. Foi só uma oportunidade boa que estava na nossa cara. É como acontece com qualquer material que licenciamos.

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O sucesso Archer e Armstrong é publicada em X-0 Manowar

É claro que nós trabalhamos com clássicos. Com coisas que sabemos que são vendáveis né? Mas se é uma série só, é lógico que vamos optar por fazer encadernados. Porque eles tem venda mais rápida, eles são mais fáceis de editar, consomem menos tempo. Editar duas revistas mensais é complicado porque cada uma delas tem cerca de 80 páginas, e elas vão aumentar o número de páginas nos próximos meses…  Então se você for pensar nós temos 160 páginas pra se fazer por mês, impreterivelmente, né? Enquanto o encardernado de The Walking Dead, em comparação tem 148 páginas. Se a gente tinha um fluxo de trabalho de mais ou menos 2 encadernados por mês, instantaneamente com a Valiant a gente passa a ter o dobro de trabalho. Isso sem contar a entrada agora da “Dark Horse Apresenta”, que são mais oitenta e poucas páginas. Então você imagina… O nosso trabalho aumentou muito mais. A responsabilidade hoje é muito maior. Na verdade a revista mensal foi uma saída que nós encontramos pra trazer o Universo inteiro da Valiant pro leitor Brasileiro com mais rapidez. Por outro lado se fosse só uma série. Se fosse o X-0 Manowar, por exemplo, eu tenho certeza que ela estaria saindo em encadernados e não em bancas.

PL: Quais os principais artistas trabalhando na editora atualmente?

ARTUR: Nessa primeira fase até onde a gente publicou com certeza os principais são o Barry Kitson, que tem aí mais de 20 anos de história nos quadrinhos, já trabalho na Legião de Super Heróis (da DC Comics) muitas vezes, já trabalhou para a Marvel. Ele fez uma ou outra história do Bloodshot, vai fazer Harbinger daqui a pouco. O Trevor Harsine que trabalhou em X-Men Genese Mortal (com Ed Brubaker). Menos conhecido do público Brasileiro tem o Lewis LaRosa, que é capista, mas trabalhou com o (Garth) Ennis no Justiceiro do selo Marvel Max. O Mico Suayan também menos conhecido dos Brasileiros que trabalhou em Injustice da DC Comics. E o Cary Nord, é claro, que é vencedor do Eisner pelo Conan em 2004.

Na segunda fase, nesse pós “Harbinger Wars” aí você vai ter o Doug Braithwaite que fez Justiça com o Alex Ross em Unity. Você vai ter o Clayton Crain que fez aquele Motoqueiro Fantasma pra Marvel e fez outras coisas pra Marvel, ele vai estar em Rai. O Jeff Lemire que é muito famoso aqui no Brasil por conta da Vertigo vai escrever para a Valiant, embora não tenha desenhado ainda. Assim como o Matt Kindt que desenha e escreve e trabalhou na Liga da Justiça, ele vai fazer roteiros do Unity.

Em relação a artistas é isso. Já roteiristas a Valiant tem o Fred Van Lente que fez o Marvel Zombies naquela fase depois do (Robert) Kirkman no Archer e Armstrong. Você tem o Joshua Dysart que foi indicado a um Eisner pelo Soldado Desconhecido no Harbinger. Ainda tem o Robert Venditti que escreve o Lanterna Verde para a DC Comics no X-0 Manowar. O Peter Milligan entra em Shadowman dando continuidade no trabalho dele em Hellblazer, ele também trabalhou em X-Táticos. E tem alguns Brasileiros fazendo capas: O Will Conrad fez capa, o Grampá fez capa, o Rafael Albuquerque tá fazendo capa, o Diogo Bernard que é um Brasileiro que está surgindo agora está desenhando atualmente lá fora o X-0 Manowar, ainda vai demorar pra nós vermos aqui no Brasil, mas ele é um ótimo artista. Ah, no Archer e Armstrong vai trabalhar agora uma desenhista Italiana a Emanuela Lupacchino que depois foi trabalhar em Supergirl.

Então dá pra ver que eles se preocupam bastante com a qualidade do editorial, em comparação com outras editoras. Tem muitas editoras que se aproveitam do talento de uma pessoa pra fazer uma capa, outra capa e as internas às vezes são ruins. Na Valiant você não vê isso. Na Valiant você vê um cuidado editorial de primeira, no sentido de que eles não querem ser a terceira editora de super-heróis dos Estados Unidos. Eles querem ser a primeira um dia. Eles devem chegar a isso, ou não devem (risos), mas eles estão lutando para ser a maior de fato. Pelo menos em termos de qualidade eu acho que ela já supera e muito a Marvel e a DC Comics hoje.

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Bloodshot na capa de Universo Valiant

PL: Concordo. Eles recentemente contrataram o Paolo Rivera para desenhar aquele título novo chamado The Valiant

ARTUR: Ah sim, o Paolo Rivera. É verdade, tinha esquecido dele. Ele é muito famoso no Brasil por causa do Demolidor (de Mark Waid), mas talvez lá fora seja muito mais famoso do que aqui muito por causa do Homem-Aranha. Eu gosto, acho ele muito legal. Acho essa nova safra de desenhistas vindos da Marvel muito interessante… Essa coisa do própiro David Aja, do Paolo Rivera. Eles trazem um pouco dos quadrinhos dos anos 1970 de volta. Sem muita gente com corpão, numa sobreposição ao que eram os quadrinhos até o final dos anos 2000. Essa coisa do Alan Davis do Bryan Hitch, dos Brasileiros. O próprio Bryan Hitch fez umas capas e fez umas páginas de uma edição comemorativa de X-0 Manowar, mas nunca fez nada de fato para a Valiant.

PL: Na sua opinião qual é o principal diferencial da Valiant atualmente em relação às outras editoras maiores de quadrinhos?

ARTUR: Eu acho que o principal diferencial é manter uma média de oito a dez títulos por mês ao invés de 52… Hoje não são mais 52, né? (risos) E assim você tem controle total da coisa. Nessa brincadeira dos 52, se você for lembrar no começo dos Novos 52 (da DC Comics) a coisa parecia muito organizada e de fato, não era, né? Porque primeiro, tem casos clássicos como o Robin que era Robin e nunca foi Robin… O Superman que morreu e não morreu e eles não entendiam muito bem o que eles estavam fazendo. Ou por exemplo, na Marvel , a grande brincadeira de você ter o Wolverine em 10 títulos diferentes, ter 5 títulos de Vingadores, 20 títulos de X-Men. Você não precisa disso. Você precisa contar uma boa história. Se você tem um universo super inflado, que você ache mecanismos para que ele não funcione ao mesmo tempo. O exemplo disso é a própria Valiant que está cancelando os títulos mais antigos e substituindo por novos. Então existe um universo se inflando também, mas eles acham meios diferentes de inserir os personagens nesse universo. Então o próprio Archer e Armstrong é talvez o maior exemplo. Eles conseguiram contar uma história que tem começo, meio e fim e você cancela a revista do Archer e Armstrong, cancela o Quantum e Woody, coloca os dois juntos numa mesma revista (Os Delinquentes) e quando essa revista acabar, que também é uma mini-série, o Archer e o Armstrong também vão aparecer em The Valiant e o Quantum e Woody vão ganhar uma outra mini-série, mas que é uma pequena que também terá um fim. E isso vai ser substituído pelo Ivar. O próprio Guerreiro Eterno teve uma mensal curta, está no Unity, vai ter uma segunda mini-série em 3 edições que também vai ter um fim depois, vai aparecer em The Valiant e vai continuar dentro de Unity. Então você tem essas pequenas interferências, mas você não tem essa continuidade, você não força o leitor a ler.

Fica muito complicado… Tipo, você “reboota” a DC, aí você começa uma revista do Monstro do Pântano nova. Aí é muito legal, você tem um desenhista muito bom e uma equipe legal. Aí passado um ano a equipe criativa sai e você troca a equipe criativa. Invariavelmente você vai ter uma queda de qualidade ou você vai ter uns novos caras entrando pra fazer algo diferente. Então o leitor daquela primeira leva fica incomodado com o que está acontecendo. A Valiant ao invés de forçar o leitor a ler uma história contínua só pela continuação das vendas, ela pega e cancela e fala “Olha, seu personagem vai estar aqui por tantos meses e sinta-se a vontade pra continuar”. Eu acho que esse é o diferencial.

E a coesão. A coesão do universo é fundamental também. É claro que já houve alguns problemas cronológicos nas histórias da Valiant, não vou dizer que o universo até agora foi 100% coeso, mas ele está muito mais coeso do que qualquer outra editora hoje em dia. Você pega a Marvel e em um título dos Vingadores o Capitão América está jovem, no outro está velho. Aí em um título o Homem-de-Ferro usa uma armadura de uma cor, no outro de outra. Em um título o Thor ainda tem o martelo, no outro ele usa o machado. Tem uma Thor mulher que não apareceu em lugar nenhum ainda. Na (saga escrita por Brian Michael Bendis) Era de Ultron por causa de problemas de atraso você não sabia se o Homem-Aranha era o Doutor Octopus ou o Peter e aí tiveram que mudar os diálogos no meio do caminho pra que as falas do Aranha fossem mais parecidas com o Octopus.Você não tem isso na Valiant. Eles tem um planejamento muito a frente. Vou ter dar um exemplo disso: Quando a gente recebeu o Joshua Dysart durante a “Fest Comix” ele já chegou a nos contar, mesmo que de forma muito superficial, sobre o Império que vai ser lançado se não me engano no meio do ano que vem. Ele já tinha esses planos. Já estava acertado com a Valiant e já tinha sido feita uma reunião com todos os autores, e pra você ver tem quase um ano, são uns 10 meses. Você sabe que daqui pra frente isso não vai mudar. E o diferencial pra mim é esse.

X-0 Manowar

O Guerreiro Eterno estreou em X-0 Manowar #9

PL: É. Eles falam que planejam muito, mas você vai ler um Superman, por exemplo, e na Action Comics ele está infectado pelo Apocalipse e nos outros títulos ele está normal…

ARTUR: (risos) Olha, pra te falar a verdade eu sou viúva da DC Comics (risos) e desde os 52 eu venho lendo muito pouca coisa. Mas é meio isso mesmo. Esse é o grande problema. Você não sabe o que está fazendo porque você não está preocupado em contar uma boa história, você está preocupado em preservar uma marca. Ainda mais por causa dessas coisas do cinema agora. Os quadrinhos viraram plataforma de venda mensal pra um produto muito maior que é o cinema que tem um filme a cada um ou dois anos. Aí você usa os quadrinhos não pra contar uma boa história, mas sim pra manter uma plataforma de sobrevivência daquelas marcas. Eu acho que é meio isso.

PL: Você tem títulos favoritos?

ARTUR: O meu título favorito é o Archer e Armstrong. Sempre foi, acho que desde a primeira vez que eu li e até hoje ainda é. Isso como leitor. Como editor eu me sinto mais satisfeito editando o Habinger, não mais satisfeito, mas eu entendo que o Harbinger tem um roteiro mais trabalhado, mais sério, um desenrolar mais político e eu acho o Harbinger mais inovador como material. Embora meu gosto como leitor puxe mais pro Archer e Armstrong porque é engraçado, trata de temas legais… Acho legal porque tem essa coisa de bater de frente com religião, sabe? E eu gosto de história antiga da Mesopotâmia. Essa coisa da evolução da história e isso me atrai como leitor. Então é isso.

PL: Em Archer e Armstrong, Fred Van Lente pega um personagem que é imortal e outro que virtualmente pode fazer qualquer coisa, porque os poderes do Archer são sensacionais, e consegue deixar os dois vulneráveis. E isso é muito complicado de fazer…

ARTUR: …O que é muito interessante. Eu vi uma discussão um dia desses em um grupo da Valiant no Facebook gringo e perguntaram: “Tá bom. E quem é o personagem mais poderoso da Valiant?” E a conclusão que se chegou é que todos são poderosos igualmente porque beleza… Você vai dizer “O Armstrong é forte”, mas ele não tem outros poderes, ele não voa… Aí tudo bem ele não voa, mas ele é imortal. Do mesmo jeito que o Peter Stanchek (De Harbinger) pode fazer qualquer coisa com a cabeça dele, mas ele pode ser vulnerável se pego desprevenido. Você pode dar um tiro nele e acabou o Peter. A mesma coisa com o Archer, embora seja praticamente impossível.

Então por isso Archer e Armstrong é tão interessante. Também pela interação deles. Essa coisa do irmão mais velho fazendo zoeira enquanto o mais novo é um bunda-mole é muito interessante. E isso é meio uma inversão do Batman e Robin. Porque eles são uma dupla e talvez o Archer tenha um jeito mais do Batman e o Armstrong seja o Robin, mas ao invés de serem totalmente sombrios eles são completamente palhaços. E a dinâmica deles é de uma família de palhaçada e não uma família do tipo: “Vamos lá, meu filho! Vamos lutar contra o Coringa, o palhaço do crime.” Não! Eles são os palhaços. (risos) Eu acho isso legal.

PL: Os vilões acabam sendo os mais sérios, né?

ARTUR: É. Quase todos. Eles são meio sérios, mas é tudo uma comédia de erros. Porque as facções do “Secto” (Organização antagonista em Archer e Armstrong) são todas imbecis. O Jim Morrison acaba sendo o vilão mais sério da coisa toda porque ele é um maníaco, né? Um megalomaníaco. Mas todos os outros vilões eles são meio imbecis. É aquela situação de que como o Secto sempre foi muito poderoso politicamente eles não tem o traquejo de vilania. Eles sempre resolveram as coisas do jeito que quiseram. Então quando eles se deparam com uma situação nova eles se tornam uns inúteis (risos). O próprio Archer, que é muito poderoso, pode ser um inútil sem a ajuda do Armstrong.

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Shadowman em X-0 Manowar #8

PL: Quais as principais dificuldades de se trazer este tipo de material para o mercado Brasileiro?

ARTUR: Cara, a maior dificuldade é você fazer o leitor Brasileiro largar o Batman (risos), que é o que vende. Na verdade o mercado Brasileiro vive um momento muito único que é o seguinte: Nunca antes tivemos tanto gibi no Brasil, ao mesmo tempo temos muito leitores jovens. Está havendo um super renovação de leitores, mas o problema é que com os filmes de heróis esses leitores estão indo para o tradicional, né? Então você tem que cavar mercado diariamente ali pra conseguir novos leitores. Então o trabalho de divulgação tem que ser muito forte e você tem que vencer a barreira do Cavaleiro das Trevas do Watchmen… E também tem isso, né? Hoje em dia todo mundo quer comprar os super encadernados de capa dura que ficam lindos na estante e ninguém quer ler gibi (risos). Se você for ver, por exemplo, o caso do recall do Cavaleiro das Trevas mais novo agora que veio sem os balões em uma página, demorou uma semana, depois que já estava vendendo pra que o primeiro leitor que comprou o gibi mostrasse(risos)… Assim, a galera comprou o gibi no dia que saiu, tirou foto ostentando tipo “Aqui comprei o Cavaleiro das Trevas” e essas pessoas que compraram não se deram nem o trabalho de folhear pra ver se estava tudo certo. E o próprio pessoal da editora demorou para perceber isso. Aí você vai alegar eles viram a prova gráfica, estava tudo certo e tal. Nós (na HQM) quando pegamos um gibi a primeira coisa que a gente faz é ler o gibi que a gente está lançando. A gente tem orgulho, sabe? Tipo “Olha que bonito o gibi que a gente lançou!” Porque a gente fica lendo gibi na tela de um computador, né? Todo o mês ou mês e meio nós passamos revisando o material todo no computador, mas é diferente você pegar um gibi no papel. E isso reflete no leitor, você entende? Ele tá mais preocupado em comprar o negócio e botar na estante porque já tem 3 ou 4 versões diferentes do material. Ou ele tem tanta coisa pra ler que quando você apresenta uma revista mensal nova o povo tá mais preocupado em comprar outras coisas. Mesmo você pegando e oferecendo um gibi que tem uma qualidade de impressão muito superior à concorrência. Enquanto a gente imprime aí no papel couché… Na verdade o papel que a gente usa nos nossos gibis mensais é o mesmo que a gente usa nos nossos encadernados. Aí quando nós lançamos o material o preço era bastante abaixo do que era possível pra margem de lucro, entendeu? O Universo Valiant saiu a R$ 9,90 na primeira edição e depois caiu pra R$ 8,90. E quando a gente aumentou o preço porque as vendas não estavam “lá essas coisas” e foi pra R$ 12,90 todo mundo que já comprava o gibi continuou comprando. Não houve redução de venda, na verdade até por conta disso e por conta da campanha que a gente fez pro pessoal não parar de comprar as vendas hoje são até melhores, no sentido de que muita gente ta procurando as edições antigas na nossa loja virtual e tudo mais… Então, eu sei lá se Brasileiro gosta de pagar caro em gibi mesmo (risos). Brasileiro gosta de pagar cinco reais numa garrafa d’água, talvez o Brasileiro também goste de pagar 15 contos num gibi (risos). Eu não entendo e acho discrepante, mas quem sou eu? (risos)

Quantum e Woody

A louca Quantum e Woody é um dos próximos lançamentos da Valiant no Brasil

PL: Você poderia resumidamente explicar a política de preços relacionando tiragem e qualidade do papel das revistas? Alguns leitores questionam que uma mudança do papel atual (que é excelente) para pisa brite poderia reduzir o custo e com isso o preço das HQs. Isso é uma possibilidade?

ARTUR: Cara, para dizer a verdade a gente nunca foi fazer a conta do papel jornal porque não é da nossa política editorial trabalhar com papel jornal. Se for ver agora, por exemplo, a gente lançou o Zero Point que é um material Argentino, tem um traço de mangá, um jeitão de mangá e quando nós estávamos planejando como ia fazer com o gibi e tudo mais, embora ele tenha um formato “magazine”, não tem o formato mangá, cogitamos usar o papel que a JBC usou nesta edição do Death Note, que é um papel parecido com papel jornal, embora não seja um papel jornal. Ele tem uma textura parecida e pela semelhança com o papel jornal a gente decidiu não fazer e usamos o couché.

O grande problema do papel jornal, cara é que assim… Traça come mais rápido, ainda mais esse papel jornal utilizado pela concorrente é um papel jornal de baixíssima qualidade feito mesmo pra detonar depois de um tempo de uso… E isso tira valor. Não é nem valor agregado. É valor sentimental em relação ao título. O leitor quando compra uma revista de linha do Superman ele pega, lê, joga ali de qualquer jeito, foda-se se a traça comer (risos) e tudo mais… Porque tem essa coisa de que talvez as histórias sejam de fato mais descartáveis. Porque o cara que quer colecionar o Superman ele quer pegar um Grandes Astros uma Crise. Ele não tá nem aí se a Action Comics tá com Apocalipse e se o outro título não… E a Valiant tem muito isso. Porque é uma coisa nova, é uma coisa única.

Agora essa relação de papel jornal com tiragem e tudo mais o que dá pra se ver pela concorrência é que um gibi de sessenta e poucas páginas hoje em dia da Marvel ou DC ta na faixa de preço de oito reais se não me engano e nós conseguimos fazer o X-0 Manowar a R$ 8,90. Ou seja, se vendesse o suficiente, sei lá o dobro do que vende a R$ 8,90 o preço nunca teria aumentado, você entendeu? Mas é claro a HQM tem uma máquina de funcionários muito menor. Como a editora é praticamente familiar, embora nós não sejamos parentes, como nós estamos juntos há 10 anos e os sócios cuidam de quase tudo sozinhos, nós temos diagramadores e revisores, mas a nossa máquina é bem menor. Então a gente pode trabalhar com preços muito mais baixos, enquanto uma editora maior tem que sustentar seus 10 ou 12 editores, pagar os royalties da Marvel e DC, que são muito mais altos. Então você entende? Se a gente trabalhasse com papel jornal a gente conseguiria colocar um preço muito mais baixo que a concorrente porque eles, mesmo com esse papel, tem que colocar um preço mais alto pra conseguir pagar todos esses custos internos. Como nós somos menores a gente pode arcar com o custo do couché e sobreviver com isso. Na verdade é uma conta muito mais interna do que para o consumidor.

PL: Os atrasos em publicações ocorrem em todas as editoras de quadrinhos nacionais. Isso não se aplica somente a HQM. Você poderia explicar para os leitores atuais da Valiant os motivos por trás de alguns atrasos?

The-Valiant_Rivera

Paolo Rivera é um dos novos artistas trabalhando na editora Valiant.

ARTUR: Na verdade o que aconteceu foram uma série de problemas e a gente nunca falou sobre isso com muito detalhe, mas é claro que temos que dar as explicações mais transparentes possíveis para os nossos leitores. Então, muito por conta da própria Valiant a gente passou o último semestre de 2013 no vermelho, porque né? Essa coisa de vender pouco… E a gente quis segurar o preço para baixo pra ver se levantava as vendas. Até um certo momento em que não deu mais e a gente teve que aumentar o valor que é o que está hoje em dia. Só que por conta dessa “vermelhidão” (risos), tivemos que parar tudo pra rever todas as nossas políticas editoriais, de vendas, de como ia fazer e tudo mais… E chegou a um momento em que a gente cogitou o cancelamento da mensal e publicar tudo em encadernados, mas depois voltamos atrás e conseguimos renegociar o nosso contrato com a Valiant para um valor um pouco menor e as vendas melhoraram um pouco. Só que isso ferrou a operação inteira da editora. E por um outro motivo que… Nós fizemos um caixa bastante considerável com The Walking Dead e gastamos boa parte desse caixa licenciando títulos que ainda não foram lançados. Então como a gente licenciou muita coisa e comprou muito direito autoral de uma vez e não “girou” esse direito autoral isso ajudou a ficar no vermelho. O que acontece é que para 2015 nós teremos uma situação inversa: Porque agora os gibis voltam a sair e são materiais muito fortes como é o caso do Rocketeer, do Bone, do Concreto que não é tão forte… e nunca vendeu muito bem, mas acho que dessas vez o Concreto vai vender melhor. Tem outras coisas para serem anunciadas aí também fortes e foi um dinheiro bem gasto. Então a gente vai reverter essa situação que na verdade foi um problema de balança no administrativo e que foi solucionado. Agora estamos enfrentando um problema de atraso da gráfica. Você pode ver que nós mandamos duas X-0 Manwar e duas Universo Valiant para a gráfica no começo de Outubro (Nota: Esta entrevista foi feita no final de Outubro de 2014) e até agora a gráfica não entregou para nós. É claro que nesse período eleitoral todas as gráficas tem que ficar imprimindo esses milhões de panfletos pra sujar as ruas, cartaz eleitoral tem que ser feito e tudo mais… E isso atrasa todos os outros trabalhos já que a gráfica não é exclusiva nossa. Mas tá saindo aos poucos. Semana passada saiu dois volumes de “Os mortos-vivos”, saiu Zero Point, antes tinham saído 4 “ediçõeszinhas” da mensal do Walking Dead. Só que agora o problema é a gráfica. Os nossos problemas internos acabaram. E assim que a gráfica recuperar o ritmo devemos ter uma periodicidade normal. Ontem mesmo eu estava comentando com o Carlos (outro sócio da HQM) ele disse  “Olha já estou trabalhando lá na frente. Estou falando como diagramador e mexendo em mais edições da Valiant”. Mas o que eu posso dizer é que a situação está normalizada agora e que tivemos um problema de balanço mesmo. E o Fest Comix contribuiu um pouco porque como nós trouxemos dois autores e um deles trouxe família e tal. Foram 4 dias de evento. E é claro que você quer agradar, né? E você acaba gastando dinheiro com restaurantes, hospedagem , deslocamento na cidade. E isso ferra um pouco suas finanças em geral.

PL: Vocês trabalharam um pouco de agente de viagens então… (risos)

ARTUR: E sabe, cara. Isso pra mim não me incomoda. Essa correira é legal. Teve uma noite em que ficamos até duas horas da manhã bebendo e conversando com os caras… Porque na verdade esse o momento em que você consegue tirar alguma diversão do seu trabalho. Você rala tanto publicando os outros e é ótimo receber os caras aqui e até porque você fica sabendo de histórias do mercado. São pessoas legais, né? É tudo nerd, né velho? (risos) É gostoso. Não vou dizer que receber autores aqui não é gostoso.

PL: Como está sendo o retorno em termos de vendas e aceitação das publicações da Valiant?

Valiant Universe

O elenco da Valiant por Tom Raney

ARTUR: Como eu te disse antes. A venda após o aumento de preços continua a mesma. Nós vamos ver agora em Outubro como vai ficar quando as HQs voltarem. Provavelmente as vendas vão ser um pouco melhores porque nós vimos muita gente comprando as edições antigas. Quem já compra diz que a linha da Valiant é o que se tem de melhor no país hoje junto com o Dredd (Juiz Dredd Magazine). Então você vê que o público que compra a Valiant e que compra o Juiz Dredd é um público diferente porque é um público que está preocupado com o que está além da Marvel e da DC. Então eu acho que é um público mais adulto mais maduro. A aceitação é muito boa, velho. A aceitação é muito boa, embora as vendas é aquela história, né? “Quem vende sempre quer vender mais” (risos). O dia em que a gente esgotar uma revista da Valiant a gente vai estourar champagne na rua (risos), mas eu acho que… Trabalhar com quadrinhos é uma puta luta. Se você for pegar os lançamentos… Tira a Panini e Mythos do mapa… Você vai ver que a grande maioria das editoras Brasileiras hoje estão lançando material de ProAC (Programa de ação cultural), material de PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola). Muito mais o ProAC porque o ProAC já sai financiado. E (as editoras) estão evitando lançar material gringo porque foi percebido um inchaço… Você vê que as editoras de médio porte hoje estão meio que sobrevivendo às custas de financiamento dos outros e não de material em si. Ninguém está vendendo 10000 Cavaleiro das Trevas. Ninguém está vendendo 10000 Sandman ou re-imprimindo Preacher pela décima vez. Eu acho que esse é o retrato do mercado Brasileiro hoje, muito além do que é o retrato da Valiant no Brasil. Então existe um público de mangá e existe um público de “Comics”, mas “Comics” Marvel ou DC. Todo o resto é o público que você luta. E é um público mais ou menos igual, que é um público carente de publicações legais e decentes.

PL: Eu acho interessante que as pessoas reclamam tanto da Marvel e da DC, pelo menos pra mim, mas elas não buscam as coisas. E eu falo “Pô. Tá saindo a Juiz Dredd Magazine. Você sabia? Tá saindo coisa da Valiant no Brasil pela HQM, você sabia?” E o cara: “Não. Eu não sabia. O que que é isso?” As pessoas não procuram se informar… Antigamente não tínhamos internet. Eu tinha que pegar alguma coisa na banca e ver se era bom e depois eu via se continuava comprando (risos)…

ARTUR: Pois é. Eu acho que tem também outra coisa. O cara que é leitor de Marvel e DC hoje reclama, e você sabe como é colecionador de quadrinhos. O cara dificilmente vai parar de comprar. Aí pra ele aumentar o orçamento de gibi dele, pra ele escolher outras coisas… Isso vai complicando. E aí tem essa enxurrada de coleções de SALVAT, Eaglemoss… O que também já não ajuda, né? Eles vão implodir o mercado (risos). Você vai ver daqui a um ou dois anos o mercado vai estar implodido de novo. E eles próprios vão implodir o próprio mercado que tem…

A gente estava falando de Marvel e DC, mas pode ver que aquelas coleções históricas do Hellboy… Saía uma por ano e esse ano não saiu. O Next Men do John Byrne saiu o primeiro volume. São só 3 e o segundo não saiu. As próprias editoras estão lidando já com o inchaço que causaram no mercado. Por que não lançaram a Crise nas Infinitas Terras no ano passado quando o (George) Perez veio? Porque não conseguiram dar conta… O Shazam do Jeff Smith, tudo bem estava anunciado há dois ou três anos, e está atrasando também. Então eu acho que a coisa pode desregular daqui para frente por causa desse inchaço.

X-0 Manowar

As lindas artes internas de Cary Nord em X-0 Manowar

PL: Existe a possibilidade de alguns títulos com arcos fechados como Quantum and Woody e The Death Defying Doctor Mirage serem publicados como encadernados no futuro?

ARTUR: Na verdade tudo vai sair em encadernado em determinado momento, mas sempre na mensal primeiro. Até porque fazendo o planejamento todo das coisas aqui. Dá pra te dizer que até 2016, ou talvez até mais que isso. Até onde se deu pra planejar. Com duas revistas mensais, colocando 4 histórias em cada uma delas é o suficiente pra sustentar a linha. É claro que durante o Armor Hunters (evento envolvendo X-0 Manowar) vai ter um pequeno inchaço aí de 5 histórias pra cada lado, mas é uma coisa temporária. Inclusive após o Armor Hunters as revitas voltam a ter 3 histórias cada uma como é hoje. Então a gente não vai inflar também. Nós vamos continuar com dois títulos o X-0 Manowar e o Universo Valiant por um bom tempo. A boa notícia é essa: É saber que você vai oferecer um material de qualidade por um bom tempo.

É essa coisa que você estava falando da Marvel sobre criar novos títulos… Não temos problemas do tipo “Fudeu! Como a gente vai enfiar oito títulos aqui?” (risos) Vai sair tudo bonitinho e direitinho na mensal sem precisar se criar novos títulos. O que vai acontecer na verdade e é inevitável, é que, por exemplo, o Quantum e Woody vai sair primeiro na Universo Valiant e aí quando tiver o Delinquents (Crossover entre Quantum e Woody e Archer e Armstrong) ela vai passar pro X-0 Manowar. Talvez não seja bem esse o exemplo, mas a gente vai ter essa alternância entre uma série e outra em algum momento. Mas a intenção é sempre publicar as coisas onde elas começaram. Nem sempre é possível.

PL: A Valiant é uma editora fundada em 1989. A HQM tem acesso à biblioteca antiga da editora Valiant da década de 1990? Se sim existe possibilidade de publicar estas histórias pela primeira vez no Brasil?

ARTUR: Temos acesso a todo o catálogo antigo da Valiant sim. Eles estão remasterizando tudo lá fora. O “Q2”, que é o Quantum and Woody velho já está saindo lá fora, mas nós não vamos colocar na linha porque a gente não publicou o material antigo. O lance da Valiant antiga é que eles tem um problema do Unity antigo que tem o Turok no meio, o Doutor Solar e são personagens que não são mais da Valiant. A gente está ainda esperando pra saber se isso vai ser re-editado de alguma forma… Se essas edições da Valiant antiga sairão lá de maneira completa ou se vão ficar só no volume 1, entendeu? Porque se for ficar somente no volume 1 não faz muito sentido. E também porque, velho… Vou te falar bem a verdade: É um material datado. É um material que vale muito mais a título de curiosidade do que qualquer outra coisa e que na nossa situação hoje é muito melhor consolidar a Valiant nova do que bombardear o mercado com as antigas. É uma questão de mercado e, além disso, tem a questão editorial. Não vamos lançar o primeiro encadernado do X-0 Manowar antigo e depois não lançar o resto. Porque por algum motivo lá eles não podem editar lá fora. Não vamos “dar o truque” no leitor. Não estamos aqui pra isso.

PL: Em minha opinião, em termos de roteiro e arte a Valiant tem um portfólio bem mais interessante que as editoras “grandes” do mercado atualmente. Vocês já se perguntaram por que somente os fãs mais “hardcore” de quadrinhos compram títulos Valiant?

ARTUR: É aquela velha coisa do Batman que a gente falou bastante (risos). Aquela questão do cinema, de que são personagens desconhecidos e etc… Pensa assim: Se o (Todd) McFarlane “rebootasse”o Spawn hoje e a gente lançasse uma mensal “rebootada”do Spawn… Cara, ia vender igual vendeu na época da Abril. Mas como a Valiant nunca saiu no Brasil antes não tem esse apelo. Então são essas séries de motivos que a gente discutiu antes.

PL: E o Spawn vai voltar, hein?

ARTUR: É. O Al Simmons vai voltar. Mas tudo bem. A gente já tem o Spawn na mão. Não tem problema. (risos) E vende bem até hoje.

Archer e Armstrong

Velociraptors e Alienígenas em Archer e Armstrong

PL: Quais os planos da HQM em relação aos futuros títulos a serem publicados?

ARTUR: A ideia agora é fazer o lançamento do Zero Point com o autor, ele é Argentino mas mora no Brasil. Tem um evento dia 1 (de Novembro) na Comix com ele.

Aí vamos lá: Saíram dois Os mortos vivos, volumes 15 e 16 (Redescobertas e Um mundo maior) – Eles vão pra banca em Novembro. Pro final do ano a idéia é lançar o Rocketeer, o Bone e o Concreto. Se der tempo um volume de Spawn novo. Se não isso fica pro começo do ano que vem. Então só pra dizer o que já está anunciado: Está anunciado dois volumes novos de Spawn do Endgame, cada um com 8 edições. O primeiro Spawn Origens, com Spawn 1 a 11; Duas Estranhos no Paraíso, O primeiro volume de Rachel Rising que também é do Terry Moore. Voltar com as mensais da Valiant e da Dark Horse Apresenta de agora até o final do ano. E tem mais coisa não anunciada e prefiro não falar pra não acontecer essa coisa do Rocketeer que muita gente cobra, mas tem muitas coisas boas para 2015… Inclusive estamos terminando uma negociação de um super clássico e coisas novas dessa nova safra de boas HQs da Image novas.

PL: Como empresários do ramo de quadrinhos qual é a opinião de vocês sobre o mercado nacional atualmente?

ARTUR: O mercado tá crescendo e periga implodir (risos).

Bom como nós já falamos muito sobre isso antes (risos) vou aproveitar pra falar sobre outra coisa. Vou falar sobre publicações Brasileiras. E é o seguinte: É muito legal ver muita gente nova aparecendo com títulos autorais. Como o Luciano Sales, o Camilo Solano, o Magenta King, o Magno Costa, o Marcelo Costa, o Fábio e o Pedro Cobiaco… Muita gente sendo financiado pelo Catarse e mudando a cara do mercado. Acima de tudo isso é legal demais. Eu fico muito feliz também, pois tenho amizade com alguns desses novos roteiristas e artistas e fico muito feliz pelo sucesso deles e pela independência deles. Sou extremamente favorável a isso. Acho que eles inclusive estão ensinando os editores a trabalhar diferente com o gibi nacional. Fico muito feliz de ver que o público Brasileiro largou mão de falar que quadrinho nacional é uma bosta. Até porque quadrinho nacional não é mais uma bosta. (risos) Se era antes, hoje não é mais. E é bom que ninguém mais aqui fica tentando fazer super-herói, o que é ótimo.

PL: Agora a gente tem um cara, né?

ARTUR: Tem uma cara. E é uma cara muito artística. Muito preocupados com a identidade nacional. Eu acho isso bom.

Agora você não tem mais motivos para não ler os títulos Valiant. Tudo isso é publicado no Brasil e caso você não encontre na banca mais próxima pode acessar LOJA VIRTUAL DA HQM e comprar todos os títulos Valiant e muito mais. Muito Obrigado ao Artur e toda a equipe da HQM pela atenção.

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