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HQ do Dia | Wonder Woman: Earth One Vol. 1

O maior ícone feminino dos quadrinhos na visão de Grant Morrison.

Já se vão quase três anos desde o primeiro anúncio oficial de que o aclamado Grant Morrison estaria trabalhando com o ilustrador canadense Yanick Paquette na graphic novel da linha Terra Um da DC Comics chamada “Wonder Woman: Earth One Vol. 1”. De lá para cá em inúmeras entrevistas divulgando o aguardado trabalho, ambos colaboradores ressaltaram em diversas ocasiões toda a árdua e extensiva pesquisa e o esmero com o qual alegam que imbuíram esta história. E este mês finalmente o público pode tirar suas conclusões sobre a interpretação destes artistas do maior ícone feminino dos quadrinhos.

Somente relembrando, a linha Terra Um da DC Comics retrata um universo recente e com uma pegada teoricamente mais moderna no qual seus heróis estão ainda “engatinhando” no início de suas devidas cronologias. Isso é mostrado (para o bem ou para o mal) em outras graphic novels como Batman: Terra Um. Portanto na história de Morrison somos apresentados a Diana Prince em seu primeiro contato com o mundo fora da Ilha Paraíso (também chamada na revista por vezes como “Amazonia”). O roteiro de Morrison é conduzido através de um julgamento perante a Rainha Hypolita, mãe de Diana, no qual a princesa é julgada por ter escapado da ilha para ajudar o enfermo piloto Steve Trevor, que havia caído na costa de Themyscira e estava gravemente ferido. Utilizando o laço da verdade, as testemunhas e a acusada são convocadas a falar sobre os eventos que compõem grande parte da história. Em meio a isso o autor ainda aproveita o ensejo para revelar sua interpretação da origem da personagem.

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Estruturalmente, o roteiro de Morrison para esta história é dos mais lineares e inteligíveis de sua bibliografia. Portanto para os leitores que geralmente tem problemas com o formato de apresentação de suas histórias, isso não é desculpa para não dar uma chance ao material. Quanto ao conteúdo, de fato fica claro o comprometimento do roteirista escocês com todo o trabalho de pesquisa em relação à história da personagem e do próprio feminismo. Então apesar desta ser a interpretação de Morrison sobre a Mulher Maravilha (e você tem todo o direito discordar filosoficamente dela), seria injusto desmerecer o trabalho de resgate de alguns temas mostrados nas encarnações primordiais da protagonista com pitadas de elementos da Era de Prata. O roteiro toca pontualmente (mas de forma bastante direta diga-se de passagem) temas como perda da inocência, isolacionismo, sexualidade, misticismo, objetificação, caridade e o papel de uma sociedade utópica em um panorama globalizado.

No que contempla o feminismo em si, a interpretação de Morrison é controversa e singular: O autor intencionalmente colide a visão idealizada da mulher amazona “perfeita” com a mulher “real” do mundo externo. E no fundo, é possível perceber que o que o roteirista quer dizer é que apesar das diferenças de criação e visão de mundo, ninguém é mais mulher que ninguém. Diana tem muito a ensinar ao mundo, mas o mundo também tem algo a ensinar à princesa amazona. De qualquer maneira, em muitas cenas este choque entre as realidades pode soar deselegante, grosseiro e até ofensivo dependendo da interpretação do leitor para esta importante causa. A cena da troca das calças pelo collant é sintomática, uma clara alusão aos próprios fãs mais xiitas da personagem que criticaram muito a editora na última vez em que as calças foram usadas no uniforme.

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Sobre a origem da heroína, para os feministas, fica o gosto amargo de uma associação indireta a um personagem masculino – nos dias de hoje, uma opção polêmica e ousada do autor que é justificada através de uma sombria e levemente mesquinha motivação da Rainha Hypolita. Muitas críticas negativas foram proferidas (por vezes mesmo antes de se ler o material) sobre o conteúdo teoricamente “bondage” associado à personagem aqui. A pessoa que se presta a LER as 130 páginas de “Wonder Woman: Earth One” e tem um mínimo de noção de estrutura narrativa percebe com facilidade que, apesar de sugerir a tal prática fetichista (assim como sugere a homossexualidade) como parte da cultura das amazonas, o roteiro não é exclusivamente sobre transformar um ícone feminino em uma figura submissa. Longe disso.

A arte de Yanick Paquette nesta graphic novel também foi objeto de críticas devido às inúmeras cenas divulgadas previamente (além da capa) mostrando a personagem atada em correntes. Novamente, voltando ao roteiro, o leitor percebe que em 70% do gibi Diana está sendo julgada como uma criminosa. Portanto as restrições físicas se fazem necessárias. Voltando ao que de fato importa, o trabalho de caracterização de Paquette é tão cuidadoso, controverso e ousado quanto o próprio roteiro de Grant Morrison. O design da ilha é deslumbrante, naturalista e moderno como poucas vezes visto nesta mitologia. As cenas tanto de diálogo quanto de ação são impactantes e grandiosas como exige um roteiro com protagonistas deste calibre. As personagens se diferenciam em grupos: Enquanto as amazonas são o que se espera de uma raça de mulheres superiores, as mulheres do mundo externo são mostradas de maneira sóbria e consistente como devem ser. A fotografia de Paquette é corajosa e não se furta de algumas cenas que podem sim ser consideradas sexualizadas por alguns leitores ou sensuais por outros. De qualquer maneira, são escolhas visuais ousadas, que não se comprometem com a toada politicamente correta vigente nos dias de hoje. Apesar de mostrar um trabalho lindo, meticuloso e extremamente consistente durante todo o curso da história, em algumas páginas no entanto, o uso do laço como elemento de diagramação é levemente caótico, mas tem uma simbologia forte que não poderia ser descartada de maneira alguma.

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Logicamente por se tratar de um roteirista que desperta opiniões tão polarizadas quanto Grant Morrison, resenhas a respeito de um trabalho como esse geralmente são inócuas. Ou seja, o leitor comprará ou não o material dependendo da expectativa de cada um em relação ao trabalho do autor. O mérito de “Wonder Woman: Earth One” é não se comprometer. Grant Morrison tem uma nítida visão da personagem, que vai muito além da interpretação simplista e beligerante da “heroína guerreira fodona que bate em tudo quanto é macho” tão exaltada nos dias de hoje. Diana aqui é uma pessoa que não quer ser tratada como objeto por sua família. Diana aqui é uma pessoa que entende que, para crescer o mundo precisa de Themyscira tanto quanto Themyscira precisa do mundo. Diana aqui é uma pessoa mais preocupada em curar do que guerrear. No meio disso tudo, temos as “Morrisagens” e isto incluí a tal origem masculinizada, além das insinuações sexuais controversas. O que fica claro é que esta equipe criativa tem uma interpretação própria e valente da Mulher Maravilha que homenageia elementos significativos da história da personagem através de um roteiro de fácil entendimento e uma arte extremamente polida. Esta pode não ser a sua Mulher Maravilha, assim como o Superman da Terra Um pode não ser o seu Super. Entretanto os colaboradores envolvidos com o gibi fazem de tudo aqui para que esta não seja uma Mulher Maravilha qualquer e, para o bem ou para o mal, isto se chama comprometimento artístico.

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Escrito por

Carioca do Penhão. HQ e Videogames desde 1988. Bateria desde 1996. Figuras de ação desde 1997. Impropérios aleatórios desde 1983.

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