HQ do Dia

Telos #1

Lembram de Telos? Não? Apesar de pouquíssimo tempo de vida no Universo DC, o personagem figura entre os seres mais poderosos da editora desde que foi introduzido na saga “Convergence”. A princípio Telos tratava-se de um planeta prisão no qual as múltiplas realidades condenadas do Multiverso DC foram mantidas, no entanto Telos evoluiu para uma espécie de carcereiro multiversal e protagonista principal da mais recente saga da editora. Para mais detalhes sobre Telos leia nossas resenhas sobre a saga Convergence.

Bom, a convergência terminou e hoje temos um novo e riquíssimo Multiverso DC no qual o próprio Telos ganhou um título próprio escrito pelo autor de “Convergence”, Jeff King e ilustrado por um dos desenhistas da saga, Carlo Pagulayan, que estreia este mês.

hq-do-dia-telos-1Em “Telos” o personagem confronta seu “criador”, Brainiac após os eventos finais de “Convergence” a respeito de sua família perdida. O argumento de Jeff King, ao contrário do que se possa imaginar, não oferece muitas explicações sobre eventos prévios mostrados em “Convergence”. King parte direto para o confronto no qual Telos quer explicações sobre as promessas de Brainiac ao final da mega saga. Se você não leu “Convergence” portanto, pode acabar levemente perdido se pegar esta edição para ler sem algum conhecimento prévio.
O Telos de Jeff King, apesar de todo o seu mimimi, poderes e atitude agressiva, continua tão frio, raso e genérico quanto em sua aparição em “Convergence”. O autor dá uma motivação bem justa e clara para o personagem e temos até um pano de fundo com um cenário proposto que foi feito para durar um arco de ao menos mais 5 edições. No entanto nesta edição de estreia, nada “gruda” na cabeça do leitor. Telos e Brainiac, apesar de estarem intimamente conectados, não tem química alguma entre si. E tendo em vista que 90 % desta primeira edição consiste em uma discussão entre os dois, a leitura rapidamente cai em um tremendo marasmo.
A arte de Pagulayan cumpre o papel de apresentar o confronto entre os dois seres e os cenários alienígenas da melhor forma possível. O visual de ambos é detalhado e grandioso como deve ser. Os quadros em larga escala nas páginas são bem posicionados, causam o impacto visual esperado e o fluxo de leitura é bem confortável. Portanto temos aqui uma apresentação muito caprichada de um roteiro bem sonolento.
A promessa de um gibi que tivesse abrangência grande o suficiente para transitar entre as múltiplas realidades do atual multiverso DC é uma dádiva para qualquer escritor de ficção. Em “Telos”, Jeff King tinha esta ferramenta a sua disposição, no entanto a edição de estreia do título não chega nem perto do potencial que este tipo de elenco pode alcançar. Estamos lidando aqui com dois seres que tem poder suficiente para aprisionar universos inteiros. Isso deveria ser usado a favor da revista logo de cara para capturar a imaginação do leitor fã do universo cósmico da DC, todavia o autor escolhe um tom mais intimista e um conflito de personalidades bem justo, mas falha miseravelmente em dar peso a esta abordagem. O resultado é uma edição de estreia com uma apresentação bem bonita, mas sonolenta e que necessita urgentemente de um aumento de escopo.

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