HQ do dia

Capitã Marvel Ed. 1 e 2

Aproveitando a súbita onda de popularidade que Carol Danvers obteve nos últimos dois anos devido a elevação de seu status de Miss Marvel para Capitã Marvel no final da guerra contra os X-Men, a Panini em 2014 lança dois encadernados nacionais da primeira série solo da personagem sob a alcunha de Capitã Marvel.

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O primeiro encadernado se chama Capitã Marvel 1 – A heroína mais poderosa da Terra e reúne as edições 1 a 6 de Captain Marvel de 2012 escrito pela roteirista Kelly Sue DeConnick. A autora logo na primeira edição consolida Carol Danvers como uma personagem peso-pesado na Marvel e o título “Capitã” é um reconhecimento do próprio Capitão América a Carol por todos os serviços prestados aos Vingadores e a humanidade ao longo dos anos. Logo em seguida sem muita enrolação temos um arco envolvendo viagem no tempo e um esquadrão feminino de pilotos combatendo uma invasão alienígena na costa do Peru durante a Segunda Guerra Mundial.

A autora explora muito bem o aspecto militar da personalidade da protagonista durante todo esse arco. Sua paixão pela aviação também é bem retratada e a roteirista merece todo crédito pela pesquisa envolvendo veículos e termos até bem específicos do jargão aeronáutico e militar. Fechado o arco na Segunda Guerra ainda temos duas outras histórias analisando a situação atual da personagem e aquela típica fábula revisitando suas origens. Infelizmente essas duas últimas histórias quebram bastante o ritmo de ação estabelecido no primeiro arco e acabam parecendo bem burocráticas, como se a Kelly Sue tivesse sido obrigada a revisitar a origem da protagonista por alguma orientação editorial.

A arte no primeiro encadernado é em grande parte de responsabilidade de Dexter Soy, que faz um bom trabalho. O traço do artista é dinâmico, fluído e totalmente voltado para a ação. Felizmente a caracterização das personagens femininas como sex symbol é coisa do passado (ou de outras publicações) e aqui temos Carol e as demais protagonistas retratadas com guerreiras e soldados. A colorização dos desenhos de Dexter tem tons de fosco metálico e combinam bem com a história na Segunda Guerra. O traço agrada, porém em nenhum momento impressiona. Já nas duas últimas histórias do encadernado os desenhos ficam por conta da ilustradora Emma Rios e sinceramente não foi uma boa escolha. Apesar da desenhista ter bastante habilidade com expressões faciais e cenas casuais, nas cenas de ação e nas partes mais “super-heróicas” a arte é simplória, feia e inadequada. Falta “punch”no traço de Rios e somado ao fato das duas últimas histórias do encadernado (edições 5 e 6 de Captain Marvel) terem um roteiro sonolento a arte não ajuda em nada.

Partindo para o segundo encadernado chamado Capitã Marvel 2 – O céu é o limite Carol Danvers se une a antiga Capitã Marvel, Monica Rambeau para investigar o desaparecimento de embarcações e aeronaves na costa de Nova Orleans e é claro que com todas essas peças e tralhas metálicas elas acabam tendo que enfrentar um robô gigante formado de sucata militar. De volta a Nova York, Carol tem que re-organizar sua vida e enfrentar uma antiga inimiga Shiar, isso tudo sem poder voar.

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O segundo encadernado tem colaboração de Christopher Sebela no argumento junto com DeConnick e começa numa toada muito bacana com ação nas partes dos confrontos em Nova Orleans e uma análise do relacionamento entre Monica Rambeau e Carol. A dinâmica estabelecida entre as duas personagens pelos autores é perfeita, real e totalmente plausível. Diálogos muito naturais misturados a uma boa dose de ação. No arco seguinte, iniciado com a perda do poder de voo de Carol a trama mostra bastante da vida pessoal da personagem, o que é um ponto positivo. Os autores conseguem dar finalmente um elenco de apoio decente e algo concreto na vida pessoal da protagonista. Carol aqui é mostrada como uma pessoa de verdade. Uma imagem e construção de persona que vai além da cara de “clipe da Valeska”, das falas de impacto e da chutação de bundas desenfreada. No entanto faltou alguma ameaça um pouco mais cascuda para deixar a história um pouco mais explosiva. Senti falta da chutação de bundas aqui no final. A introdução de uma limitação para a protagonista até agrada e deixa a história menos previsível, mas de qualquer forma este final de encadernado não tem nada de sensacional em termos de ação e conflitos, apesar de fazer um ótimo trabalho mostrando a vida pessoal da personagem.

A arte é uma colaboração entre o artista regular, Dexter Soy e a partir do segundo arco temos desenhos de Felipe Andrade. Assim como o argumento a arte vai “muito bem, obrigado” durante toda a primeira parte na história em Nova Orleans e degringola um pouco quando Andrade assume as ilustrações na volta de Carol a Nova York. Não que a arte de Felipe seja ruim, mas acho que a história poderia se beneficiar muito mais com uma arte menos cartunesca e caricata, que infelizmente não combina nem um pouco com o tom deste título.

Bom fãs da Carol, acho que nenhum de vocês realmente precisou ler nenhuma resenha para correr para as bancas e comic shops e comprar esses dois encadernados esse ano. Independente da qualidade do material, quem é fã vai comprar simplesmente pelo desejo de ler material nacional de sua personagem do coração. Sinceramente acho que em todo este primeiro volume de Kelly Sue DeConnick em Captain Marvel (que termina na edição #17 de 2013) a qualidade do material em si foi ofuscada pela bela iniciativa de se fortalecer uma personagem muito relevante no Universo Marvel. Este primeiro volume não é de fato uma HQ sensacional e acima da média se comparada aos títulos lançados na mesma época na própria Marvel. Capitã Marvel é uma ótima leitura e diverte bastante. A HQ tem erros, acertos e o mérito total de dar uma cara a protagonista e finalmente colocar Carol Danvers no lugar em que merece na Marvel, mas não posso dizer que o trabalho da autora e da equipe de desenhistas é acima da média e revolucionário somente por causa do frenesi gerado pelo hype deste lançamento lá fora e aqui.

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