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HQ do dia | The Wicked + The Divine #1

Kieron Gillen e Jamie McKelvie formam atualmente uma das duplas criativas mais talentosas do mercado de HQs. Seja em títulos mainstream como o magnífico run em Young Avengers no ano passado ou em trabalhos autorais como Phonogram os dois se consolidaram como ícones de material bem feito e criadores de tendência na mídia.

The Wicked + The Divine é a mais nova série mensal autoral da dupla que nos transporta para um universo onde a cada 90 anos aproximadamente divindades de diversas crenças aleatórias tomam formas humanas e vem ao planeta Terra viver por 2 anos e depois morrem. Estes eventos são chamados de “recorrências” no título e o último se deu em 1923. Agora em 2014 é a hora do retorno dos deuses.

The Wicked + The DivineA primeira edição intencionalmente não explica quase nada sobre a mecânica da recorrência, salvo pequenos flashbacks. O foco deste número 1 é o impacto das divindades (representadas como ídolos da cultura pop) sobre o cidadão comum e a opinião pública. Vemos 80% de toda esta edição sob o olhar da jovem Londrina Laura e apesar dela não protagonizar a ação sua perspectiva mundana sobre o inimaginável e sua adoração pela deusa Amaterasu cumprem um importante papel narrativo na contextualização deste universo. A protagonista aqui é a andrógina Luci, suposta re-encarnação de Lúcifer. Aqui vemos todos os anos de Gillen escrevendo Loki em Journey into Mystery e Young Avengers sintetizados em uma personagem que é a epítome do sarcasmo, escárnio, ambiguidade e malandragem. Luci é tudo aquilo que Loki poderia ser na Marvel, mas por conta de entraves politicamente corretos da editora não pode. Uma personagem que facilmente carrega as 39 páginas desta primeira edição e coloca um sorriso no rosto do leitor a cada 3 frases de diálogo. Gillen destila veneno à la Vertigo por toda esta primeira edição e apesar da estrutura narrativa ser intencionalmente “jogada” na sua cara sem muita explicação e nem muita informação pra que o leitor se situe o autor consegue manter a história interessante somente pela alta qualidade dos diálogos.

Pra quem já conhece arte de Jamie McKelvie não é preciso muita explicação pra mostrar que o sujeito é um dos desenhistas mais completos da mídia atualmente. Seu estilo ultra-limpo e seu enquadramento que alterna entre o reto e claro e as inovações que brincam com simetria e contexto de painéis fazem desta arte aqui um clássico instantâneo. Além disso McKelvie entrega expressões faciais e linguagem corporal tão naturais que parecem capturadas em fotos e desenhadas posteriormente. Como disse não é nenhuma novidade pra quem já acompanha o trabalho do cara, mas pra quem nunca viu impressiona. Somado a um colorização soberba de Matt Wilson (a cena do show de Amaterasu é absurdamente colorizada), The Wicked + The Divine 1 entra facilmente para o rol das edições de estréia mais bem desenhadas de 2014.

O problema de The Wicked + The Divine é que apesar de ser uma edição de estréia arrasadora e definitivamente uma série que vale a pena acompanhar mensalmente o hype nos meses anteriores a seu lançamento me fizeram acreditar que a HQ era muito mais do que ela realmente é. Se você não acompanhou as notícias não deve ter nenhum problema, mas pra quem lê notícias sobre a HQ pode parecer um pouco decepcionante.

De qualquer forma me diverti muito lendo esta primeira edição. Temos uma premissa interessante, bons personagens, diálogos e arte impecáveis e um universo incrível de possibilidades. Ótima Leitura.

E aí, curtiu?

Escrito por Igor Tavares

Carioca do Penhão. HQ e Videogames desde 1988. Bateria desde 1996. Figuras de ação desde 1997. Impropérios aleatórios desde 1983.

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