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HQ do Dia | Batman – Terra Um (Vol. 2)

Apesar de todo o caos “multiversal” na editora devido à The Multiversity e a própria Convergence, a DC Comics continua firme e forte com sua proposta de linha de graphic novels de super heróis no universo da Terra Um. Para quem não está familiarizado, o conceito da Terra Um na editora é o de um universo super heroico recém-formado e maleável. Na Terra Um Superman, Mulher Maravilha e os Titãs ainda estão no início de suas carreiras e tem histórias contadas através de graphic novels da linha Terra Um. E este é o caso do segundo volume de Batman – Terra Um escrito por Geoff Johns e ilustrado por Gary Frank e lançado este mês de Maio pela DC Comics lá fora.

No primeiro volume de Batman – Terra Um vimos pela “enésima” vez uma versão alternativa da origem do Cavaleiro das Trevas, apesar da inegável qualidade do roteiro de Geoff Johns e a incrível arte de Gary Frank, a HQ apresentou somente mais uma história de origem que tem lá suas diferenças em relação às outras, mas não foi suficiente para empolgar os leitores que já leram tudo que é possível em relação ao Batman. A grande diferença entre este segundo volume em relação ao primeiro é que, apesar de termos aqui um Batman em início de carreira, isto aqui não é mais uma história de origem do protagonista. Volume 2 é a história de um Batman novato aprendendo da pior maneira possível o que é ser um vigilante em uma cidade como Gotham.BatmanEarthOneV2cover

O roteiro de Geoff Johns é extremamente reto, limpo e sem interferências como narrações filosóficas ou vagas que geralmente vemos em histórias deste tipo. O clima da revista é duro, frio e sério. A história ainda trás referências aos acontecimentos do primeiro volume de Batman Terra Um, mas de forma alguma estas interferem na leitura de alguém que pegue o segundo volume para ler sem ter lido o primeiro. A trama gira em torno do Charada, que é retratado como um terrorista astuto, oportunista e sádico, disposto a acabar com a vida de Bruce WayneJohns faz um ótimo trabalho com o vilão focando mais em seus atos do que em suas motivações. O roteiro deste Volume 2 é elétrico e fluído demais para justificativas mais extensas e seria um erro entrar em minúcias psicológicas de um criminoso, portanto o autor deixa clara a motivação do antagonista, mas não perde tempo com “mimimi”. O ritmo no Volume 2 é similar ao de um filme de ação – muito movimentado e com beats bem definidos marcando a história, mas o roteirista consegue encaixar pontualmente diálogos (principalmente entre Bruce Wayne e a versão mais casca-grossa de Alfred dos últimos anos) muito interessantes que levantam questionamentos válidos sobre a mitologia do personagem. Além da relação entre Wayne e Alfred que é impagável nesta versão dos personagens, Johns ainda faz um ótimo trabalho nas tramas paralelas envolvendo James Gordon, o Detetive Bullock e a família Dent. Tudo entrelaçado a um roteiro simples e nunca se estendendo demais em subtramas. Ação, investigação (inteligível), drama policial e até algumas surpresas, tudo na medida certa. Analisando friamente você vai notar que este roteiro não tem nada de especial e se vale somente de uma consistência muito grande além de uma caracterização boa do elenco.

Leia mais: A lista completa das animações da DC Comics

A arte de Gary Frank no primeiro volume de Batman – Terra Um foi o destaque da graphic novel na época. Naquela oportunidade, mesmo com um roteiro morno o ilustrador provou novamente porque é um dos profissionais mais conceituados em se tratando de arte de super heróis na atualidade. Neste segundo volume, com um roteiro muito mais direto, polido e movimentado Frank realmente mostra com quantos Batarangues se faz um Cavaleiro das Trevas. A ambientação de Gotham permanece sombria, suja e linda na sua decadência. As cenas de ação são brutas e épicas na medida certa. Os diálogos são marcados por expressões faciais vivas e convincentes e a caracterização do elenco é impecável, dando aos personagens um visual clássico, mas com algumas diferenças marcantes em relação às suas versões mais conhecidas. Uma apresentação gráfica digna do mitológico elenco de Batman.

O segundo volume de Batman Terra Um é uma evolução incontestável em relação ao primeiro em termos de roteiro. Aqui vemos sim um Batman ainda bem cru, enfrentando uma ameaça que põe em risco não só sua carreira como vigilante, mas todos ao seu redor. Fazendo um paralelo com o recente arco Ano Zero mostrado na revista mensal do personagem e escrito por Scott Snyder podemos notar semelhanças muito grandes nas duas premissas, mas a maneira como Geoff Johns trata a história (que inclusive tem até o mesmo vilão, o Charada) é muito mais direta, agressiva e compreensível. Temos o mesmo elenco, os mesmos vilões e o Batman basicamente no mesmo ponto em sua carreira. No entanto, em Terra Um vemos um personagem muito mais conciso e uma história muito mais elétrica. O roteiro não tem nada de excepcional e não está aqui pra revolucionar o conceito do personagem, mas diverte dentro da proposta do selo. A arte de Gary Frank neste volume continua sensacional e se beneficia demais com um roteiro mais voltado para a ação e investigação. O graphic novel já é uma recomendação extremamente válida tanto para antigos ou novos leitores que querem ler uma boa história fechada do Cavaleiro das Trevas.

Leia minha última resenha: HQ do Dia | Convergence #7

E aí, curtiu?

Escrito por Igor Tavares

Carioca do Penhão. HQ e Videogames desde 1988. Bateria desde 1996. Figuras de ação desde 1997. Impropérios aleatórios desde 1983.

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