Entre pedestres e perdidos

Sinal fechado por Yuri Alexandre Por que toda vez que você, apressado demais para raciocinar, vai atravessar a rua, um bonequinho de sinalização para pedestres começa a piscar no vermelho? Pedestres, em geral, vivem o mesmo dilema. No entanto, andar por ai dividindo a calçada com árvores, bueiros, buracos, camelôs e até ciclistas, é uma atividade estimulante para os bons observadores. Mas cuidado: atravessar fora da faixa (ou não) pode resultar na sua morte.

É quase infinito o número de acidentes no trânsito, muito deles envolvem os que se locomovem apenas usando as pernas e, ainda dentro dessa parcela estão as senhoras de idade. Essas mal descem do ônibus e já querem atravessar a rua. É neste momento que aquele motoqueiro travesso vai passar com sua, e somente sua, velocidade normal e levará junto dele a senhora. Era uma vez uma idosa…

Incidentes hão de acontecer por maiores os cuidados. Quem nunca manteve os olhos atentos ao chão que pisa e mesmo assim experimentou um escorregão por ter pisado na bosta de um cachorro? Mais um dos dilemas de um pedestre. Claro que a sua cara de merda, literalmente, vai feder mais que o teu calçado e o medo de alguém ter visto tal cena não se compararia caso você tivesse caído. Aliás, espatifar-se no meio da rua é horrível. As mulheres sofrem ainda mais no quesito “olhe para o chão”; além de pularem os buracos, repararem nas merdas e lixos, desviarem-se de poças d’água, elas não podem nem pensar em andar sobre as grades do metrô. Se você é um paulistano e nunca viu nenhuma mulher usando salto alto e bico fino presa numa das grades do metrô da Av. Paulista, ou você é um nerd que varia entre o computador e o vídeo-game, ou você só vai à Paulista em dia de parada gay.

A interação automóvel-homem nas condições de um passeio a pé deve ser considerada zero. Engenheiros, mecânicos, socialistas e toda uma caralhada de pessoas pensaram e concluíram que uma luz piscante que indicasse mudança de direção seria um facilitador tanto para os motoristas quanto para os pedestres. Então você, sábio leitor, sabe me dizer o porquê de poucos motoristas usarem a porra da seta? Todo pedestre sofre o impasse de ter que atravessar uma esquina sem sinalização, contando apenas com a sorte de nenhum carro virar aquela rua. O desuso da seta é tão absurdo que muitos buzinam para alertar que estão mudando de faixa no trânsito.

Por mais, há todo um universo existente nas calçadas do mundo afora. Desde mímicos prateados (também conhecidos como mendigos estáticos) até lixos que brotam das mais variadas fontes. Aposto que você já teve de andar pela rua só porque uma caçamba de entulhos atrapalhava seu caminho, ou então, teve de desviar dos jatos d’água de alguém que estava lavando a calçada cheia de sede.

Enfim, pedestre sofre com o próprio congestionamento de pedestres. Quem nunca se esbarrou ou ficou naquela indecisão quando alguém está vindo contra a sua pessoa? Se você opta em ir para a direita, a outra pessoa vai seguir o mesmo passo (indo para a esquerda dela) e continuarão ainda um impedindo o trajeto do outro. A regra é ficar parado nessas situações. Não hesite! Caso vocês pararem ao mesmo tempo, surpreenda o adversário e vire-se de costas. No mínimo, ele ficará sem reação alguma e ainda permanecerá lá parado. Agora é a parte mais intrigante: comece a andar na mesma direção que ele estava. Pronto! O plano foi bem sucedido… só que se você não reparou, agora você está indo contra o seu destino inicial. De duas a uma: ou dê a volta no mundo ou vire-se novamente, mas isso fica pela sua conta e risco. Quem disse que pedestre não toma decisões também? Vou-me agora, pois o bonequinho ficou verde.

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