É verbo, substantivo, adjetivo e…

O mundo abusa de você, seu trabalho te estressa, sua mãe te irrita pedindo para arrumar o quarto e todos a sua volta só sabem falar Ronaldo. Tem uma forma melhor de recompensá-los do que pronunciando num bem sonoro e belo palavrão? A arte do palavreado nefasto evolui a cada dia. Sua avó deve desentender toda aquela meia dúzia de palavras seguidas e ditas em menos de meio segundo quando na época dela era algo como “Seu mau caráter!” Na certa, isso não ofende mais ninguém.

O chulo não deixa de ser gíria e muitas vezes fazemos dele um advérbio. A palavra porra é um bom exemplo dessa aplicação, quando visto no seu sentido denotativo torna-se ainda mais feio do que o baixo calão em si. Afinal, líquido espermático não soa bem. “Porra meu, por que você fez isso?” – eficaz e dispensa explicação quanto ao aborrecimento.

A escola é o melhor lugar para aprender palavrões. Até mesmo expressões que não significam absolutamente nada transformam-se em verdadeiros xingamentos. Bastaria dizer “Você é uma pata de porco fedido” que a garota mais metida da sala cairia em lágrimas. Claro que sucederia num bilhetinho aos pais que deveria ser assinado pelos mesmos e que você nem se importaria. Afinal, vê-la naquele pranto todo por causa da sua ofensa era um valor impagável, mesmo sabendo que ser a pata de um porco fedido não chega aos pés em ser um filho da puta veado do qual seus amigos costumavam referir a você.

Até na cordialidade fala-se palavrões. “Vai toma no cu Sergião, quanto tempo, hein?!” – a sincera saudade mostrada nessa frase é bem notável. Nessa hora o Sergião vira um murro na sua cara ou deveria ficar pasmo com sua alegria em revê-lo. Fato é que amigos se cumprimentam xingando uns aos outros. Quanto maior a intimidade, menor é o nível do palavreado. Outra situação é a comemoração de um gol do Flamengo sobre o Fluminense: “Belo gol, Junior!” – nem seu vizinho mudo comemora um gol assim.

A boca-suja é mais do que uma forma de expressar; é um espírito de força maior capaz de traduzir o seu humor, sua rebeldia e tudo de mais virtuoso que possa existir. Um palavrão bom e dito na hora certa limpa toda a mente, além de desestimular o stress e mandar tudo de pior se fuder para o quinto dos infernos.

Aí você sai do trabalho, passa no mercado para umas compras, chega em casa com sacolas até no pescoço e, no fim, deixa tudo aquilo jogado no sofá. Tira o sapato, passa no pipi-room e volta em direção a cozinha. Com as compras novamente em mãos, você passa rastejando pela porta e sem querer bate o dedinho do pé na quina da mesa. Ah… comente o que você gritou!

Engraçaralho para cadinho!

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