Desafio Literário Volta ao Mundo: Argentina

Seleção e indicação de autores e autoras

Para aquela(e)s que não sabem, nós do PL estamos participando do Desafio Literário da Volta ao Mundo (clique aqui para maiores, garbosos e maravilhosos detalhes), criado pela Jessica Gubert (com uma pequena mãozinha minha), e o primeiro país da rota da nossa viagem literária internacional é a Argentina.

Pensando nisso, eu e a Jessica decidimos montar uma relação com autores e autoras para dar uma forcinha em relação às opções dentre escritore(a)s hermano(a)s.

Lembrando que assim como agora no mês de janeiro temos um país destinado à meta de leitura, teremos o México para fevereiro. Segue a relação e o post (que estará também no site da Jessica).

Desafio literário para 2016 Volta ao Mundo (do blog #random) (1)


Na Argentina, se toma um mate que não é o chimarrão que tomamos no Brasil, e se fala uma língua latina que não é o português que falamos no Brasil. É do ladinho. É ~hermano~. Tem tradição de futebol também. Mas é completamente diferente, a começar pelos hábitos de leitura: uma pesquisa de 2000 revelou que os argentinos leem cerca de quatro vezes mais livros que os brasileiros

Certo, é uma pesquisa de quinze anos atrás e ela pode estar defasada — assim como pode não estar.

Também se escreve mais, proporcionalmente: são publicados anualmente no Brasil cerca de três vezes o número de livros publicados na Argentina no mesmo período. Mas nossa população é cerca de cinco vezes maior que a de lá.

Mas vamos ao que interessa: o(a)s escritore(a)s.

Tenha em mente que não vou conseguir fazer uma lista completa ou igual à que um nativo faria, por exemplo. Então, se tiver algo a adicionar, à vontade! Aqui vão alguns autores argentinos mais conhecidos ou prestigiados, com uma pequena descrição que a Jessica e eu fizemos.

Adolfo Bioy Casares:

Com uma narrativa excêntrica e de uma lógica própria, Adolfo, nascido em Buenos Aires, criou uma série de ambientes mágicos que povoaram o cenário da literatura latino-americana enquanto desafiava o dia-a-dia com uma verossimilhança esmagadora. Casares foi importantíssimo na formação de diversos outro(a)s autore(a)s, como Córtazar, que o incluiu como personagem em O jogo da amarelinha.

Livros:
A Invenção de Morel (1940)
O Sonho dos Heróis (1954)
Diário da Guerra do Porco (1969)

Alejandra Pizarnik:

Natural de Buenos Aires, Pizarnik se aventurou não tão somente na literatura, tendo estudando filosofia e se dedicando à pintura. Alejandra é uma escritora celebradíssima que tem ganhado mais destaque com o passar do tempo, sendo estudada por diversos acadêmicos, que desdobram mosaicos incríveis em suas obras até hoje.

Livro: A Condessa Sangrenta (1971)

Ana María Shua:

Conhecida mundialmente como a “rainha da micro-história”, Ana María Shua já escreveu mais de oitenta livros desde que sua carreira como escritora se iniciou, sendo traduzida em inglês, francês, alemão, italiano, português, holandês, sueco, coreano, japonês, búlgaro, sérvio e muitas outras línguas. O impressionante trabalho da escritora, natural de Buenos Aires, envolve desde novelas, contos, noveletas, micro-histórias, poesia, drama, literatura infantil, livros humorísticos, trabalhos sobre folclore judaico, antologias, roteiros cinematográficos, artigos jornalísticos e acadêmicos – sendo cada um deles premiado em pelo menos uma parte do mundo.

Livros:
A Morte Como Efeito Colateral (1997)
A Porta Para Sair Do Mundo

Angélica Gorodischer:

Embora (surpreendentemente) nunca tenha recebido traduções brasileiras, Angélica é conhecida como uma das vozes femininas mais importantes da ficção científica latina de todos os tempos. Nascida em Buenos Aires, Gorodischer possui um vasto currículo criativo, indo de contos, ensaios, algumas peças e até mesmo roteiros para o cinema. Embora relativamente desconhecida no Brasil, a autora argentina é bastante lida nos demais países latinos, e até mesmo nos Estados Unidos – tendo influenciado trabalhos atuais do gênero. O problema aqui é: conseguir ler em espanhol ou inglês: a contista nunca teve suas obras publicadas no Brasil. Algumas delas foram traduzidas para o inglês, mas a maioria fica só no espanhol mesmo.

Livro: Prodigios (1994)
Conto: Sensatez del Circulo (1979) [link]

Carolina Aguirre:

Carolina é uma roteirista, escritora e blogueira argentina. Além dos blogs e livros, trabalha como colunista dos jornais La Nación, Clarín, Perfil e Diario Crítica, bem como das revistas Metrópolis, Joy, Gataflora, Ohlalá, IN, Orsai, La Mujer de Mi Vida, Estilo Novias, Marie Claire España, Ciudad X e Para ti. Pode-se dizer que Carolina integra a nova geração de escritores que cativa seus leitores primeiramente pelo meio digital e depois no papel. Um de seus livros já virou série de televisão em países como Argentina, Uruguai e Espanha.

Livro: Encontro às Cegas – 227 Dias para Arrumar um Namorado (2011) (sim, é claro que esse é o livro que virou série, haha!)

César Aira:

Considerado como um dos grandes expoentes da literatura contemporânea Argentina, Aira publicou mais de oitenta livros, que vão desde novelas, poemas, artigos acadêmicos e contos. Desde 1993 o autor argentino vem seguindo um ritmo frenético de escrita e publicação que chegam a até quatro livros por ano! Quando não está escrevendo, César está realizando projetos de tradução para o francês, inglês, italiano, português brasileiro e de obras estrangeiras para o espanhol.

Livros:
Como me Tornei Freira (1993)
Haikus (2000)
A Trombeta de Vime (1998)

Clara Voghan:

Voghan era contadora, até que, em 2001, resolveu começar a publicar livros de romance contemporâneo. Conhecida pelo humor e a leveza de sua obra, Clara já definiu seus escritos como “histórias leves para se ler no metrô”. Com uma simplicidade cômica e referências ao dia-a-dia, Voghan tem conquistado cada vez mais fãs. Para quem tem o e-reader da Amazon, a Kindle Unlimited tem várias de suas obras disponíveis em espanhol e inglês. Não tenho notícias de nenhuma tradução para o português ainda.

Livro: Renata: ¿Cuantos kilos debo bajar para ser feliz? (2015)

Cláudia Piñero:

Tida como outro expoente da literatura argentina, Piñero é celebrada por seus trabalhos enquanto novelista e roteirista para projetos dentro e fora de seu país. Nascida em Buenos Aires, Cláudia possui uma série de prêmios literários ao redor do mundo, concentrando a maior parte deles na Alemanha (onde é profundamente admirada). Vários de seus trabalhos foram traduzidos para francês, alemão, inglês, português, japonês e italiano.

Livro:
As Viúvas das Quintas-Feiras (2005)
Tua (2005)

Ernesto Sábato:

Este romancista, ensaísta e artista plástico argentino é considerado um dos maiores e mais importantes autores argentinos do século XX. Estudou física na Faculdade de Ciências Físico-Matemáticas da Universidade Nacional de La Plata e foi um militante ativo do movimento de reforma universitária, sendo eleito Secretário Geral da Juventude Comunista. Doutor em física, abandonou a ciência para se dedicar exclusivamente à literatura e à pintura, tornando-se um dos mais combativos defensores dos direitos humanos. Em 1975 recebeu o Prêmio de Consagração Nacional da Argentina e dois anos mais tarde, o Prêmio Medici na Itália. Presidiu a CONADEP (Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas), cuja investigação abriu as portas para o julgamento dos militares da ditadura argentina. Em 1984 recebeu o Prêmio Cervantes; em 1987 foi homenageado na França como Comandante da Legião de Honra; em 1989 recebeu em Israel o Prêmio Jerusalém; no mesmo ano recebeu um Doutorado honoris causa da Universidade de Murcia, na Espanha; em 1991 recebeu um Doutorado honoris causa da Universidade de Rosario, na Argentina e em 1993 recebeu um Doutorado honoris causa da Universidade Estadual de Campinas, São Paulo, Brasil. A mesma honra lhe foi outorgada por parte da Universidade de Turin, na Itália, em 1995. Faleceu em 2011, deixando obras literárias incríveis e uma história de luta e resistência como legado.

Livros: 

O Túnel (1948)
Antes Do Fim (1998)
Sobre Herois E Tumbas (1961)
Abadon, o Exterminador (1974)
O Escritor E Seus Fantasmas (1963)

Jorge Luis Borges:

Tido como um dos expoentes (e um dos mais importantes exemplares) da literatura fantástica latino-americana, Jorge Luis Borges trabalhou como bibliotecário e professor universitário, mas se destacou, principalmente, como escritor. Em suas obras reina a irrealidade literária e o caos que governa o mundo. Dentre poemas e contos interligados, Jorge Luis Borges figura como um dos latinos mais traduzidos de todos os tempos.

Livros:
O Aleph (1949)
Atlas (1985)
História da Eternidade (1936)
Antologia Pessoal 
Prólogos, com um Prólogo de Prólogos
O Informe de Brodie (1970)
Nove Ensaios Dantescos 

Julio Cortázar:

Considerado por muitos o maior contista moderno, Cortázar foi um escritor argentino que… nasceu na Bélgica. Na embaixada argentina em Bruxelas, para ser mais exata. Mas aos cinco anos já morava na Argentina, país sobre o qual mais escreveu em suas obras. Cortázar também era tradutor, e traduzia Poe para o espanhol.

Livros:
Histórias De Cronópios E De Famas (1962)
Todos os Fogos o Fogo (1966)
Bestiário (1951)
Octaedro (1974)
As Armas Secretas (1959)
O Jogo da Amarelinha (1994)

Liliana Bodoc:

Desafiando um gênero pouco explorado na Argentina, Bodoc é uma criadora de textos épicos e fantasiosos, que despertaram a curiosidade do mundo inteiro. A autora foi traduzida para o inglês – tendo ganhando prêmios por sua escrita surpreendente e empolgante. Embora razoavelmente desconhecida no Brasil, Liliana Bodoc figura como uma das autoras mais populares na América Latina.

Livro (ou três): La Saga de los Confines (2000-2004)  – o primeiro livro da saga, Os Dias do Cervo, foi publicado no Brasil pela Planeta em 2010 — mas só o primeiro]

Desafio literário para 2016: Volta ao Mundo

María Elena Walsh:

Nascida na pequena Ramos Mejía, María é um dos grandes destaques da Argentina em mais de um aspecto: além de poetisa e escritora de, principalmente, livros infantis, a autora foi uma exímia compositora, tendo dado vida musical aos próprios escritos em mais de uma oportunidade. Vários de seus poemas são amostras de amor sinceras ao seu país, desafiando a ditadura argentina através desse sentimento.

Livro: Dailan Kifki (1966)


Em breve indicaremos autores e autoras do México para fevereiro. Não esqueça que o importante é ler, conhecer novo(a)s autore(a)s e se divertir. Boa viagem =)

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