Toxicidade da comunidade: Por que devemos bater de frente (COMO JEDIS!)

O pano de fundo democrático e ao mesmo tempo não-regulado da internet é exatamente o terreno perfeito em que uma pluralidade de vários tipos e naturezas poderia se manifestar – e infelizmente isso não significa só algo bom. Não adianta ser extremo/exagerado, ela (a internet) é o lugar e a ferramenta que conduz encontros, discussões, produções e, bem, no geral, coisas extremamente positivas também.

Todo mundo tem pelo menos uma história legal sobre a internet em relação a ter conhecido alguém importante, ter adquirido algum tipo de conhecimento, ter se envolvido em qualquer gênero de discussão produtiva e até de ter criado alguma coisa, seja para si mesmo ou para um grupo seleto.

Só que aí vem o contraponto, o lado ruim: a liberdade de produção e, principalmente, de expressão da internet é confundida com a maestria chorumística de muitos com liberdade de opressão. Me limito a comentar um calabouço bem específico, a comunidade Gamer (afinal eu escrevo na coluna de games, né).

Comunidade Online

A comunidade é um grupo bem plural por si só, não se engane. Tem gente de literalmente todos os lugares, todos os tipos de opinião, todas as crenças, gêneros, sexos, etnias e até gente que se divide entre os que falam biscoito, os que falam bolacha e os que falam os dois; então, sim, é uma comunidade como qualquer outra. O que une cada indivíduo do grupo é o interesse por jogos, seja qual for a plataforma ou a preferência específica (e nisso surgem pequenos amontoados de interesse, sejam nos de ação, nos de aventura, hack ‘n slash, rpg – e esses ainda têm pequenas divisões dentro de si).

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Esse mesmo agrupamento (o geral) se reúne em n lugares na internet para compartilhar paixão, crítica e interesse, seja do ponto de vista do/a jogador/a (amador/a ou profissional) e até mesmo do/a criador/a. A comunidade ao longo do tempo se tornou bem mais unida e interessada, inclusive, em criar laços não apenas entre si, mas com as pessoas que criam os games – o que se intensificou com o aumento surreal de jogos Indies e com a qualidade da produção.

A acessibilidade no quesito troca de informações, opiniões e comentários se tornou bem mais intensa e interessante. Fora o tumblr, fóruns específicos e até sub-fóruns (reddit está cheio deles) voltados a games específicos, ainda temos redes de contato de cada plataforma (apesar de não ser exatamente a função primária de cada uma), como Steam, Live, PSN, assim por diante.

Não faltam meios nem lugares para que todos que gostam de jogar e querem aprender mais, conhecer mais (sejam mais pessoas) e aproveitar mais da experiência buscarem alternativas – e nisso nem distingui jogos off e online, sejam MMOs, multiplayers puros ou de campanha.

 O lado sombrio da força

Mas como eu bem disse lá em cima, as pessoas insistem em confundir liberdade de expressão com liberdade de opressão, e qualquer – e quando eu digo qualquer espero que você leia com a maior literalidade possível – qualquer oportunidade que surge para agir de maneira tóxica é aproveitada.

A toxicidade em questão não é jogar “mal” ou ter lá seus problemas de comunicação, certas pessoas tem dificuldade, a mecânica de alguns jogos não é fácil e as habilidades sociais das pessoas não são iguais – e ainda tem o fator NINGUÉM É OBRIGADO (A) a jogar bem ou se comunicar em todas as situações.

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O comportamento tóxico diz respeito à falta de consciência e bom senso, aos ataques absurdos que parecem ter saído do script de algum tipo de filme B dos anos 80 sobre adolescentes, mas nada disso tem graça e nem aparente solução. Décadas de insistência de que racismo e homofobia são práticas normais na sociedade simplesmente vazaram à terra sem-lei da internet, dando ênfase para dois polos absurdos desse tipo de atitude: Brasil e Estados Unidos. O desrespeito em criar situações de humor forçado com base em problemas que outras pessoas sofrem no dia-a-dia transformando em memes, virais e o chamado “humor politicamente incorreto” deturpou o senso crítico e moral a um ponto de que aparentemente qualquer tipo de comportamento é aceitável com base em 1) Bem vindo à internet, todos são assim 2) Liberdade de expressão.

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E são, ambos, instrumentos de uma falácia maior do que a baboseira que se propaga por aí.

Fazer piadas com a cor da pele das pessoas, ou o fato de alguém ser transexual parece ser o ponto de união entre gente que não consegue conviver numa boa – e as duas desculpas básicas do “todo mundo faz, sou só mais um” e da liberdade de discurso reina SEMPRE. Se você joga mal, é porque você é uma mulher, ou um negro que tem de voltar para a África, ou um homossexual, como se qualquer uma dessas coisas fizesse sentido – e peço desculpas por reproduzir esse tipo de estupidez aqui.

Casos como esse fizeram pessoas se distanciar da comunidade, abandonar uma prática tão legal, que construiu a parte da vida de tanta gente, que é jogar videogame (seja lá quando ou onde a pessoa nasceu). Tive a triste oportunidade de conversar com desenvolvedores e desenvolvedoras que aos poucos perderam o amor pelo trabalho graças ao tipo de coisa que se faz nesses lugares. Críticas pesadas e sem sentido nenhum, voltadas ao simples fato de um jogo ter ou não erros.

E esse não é nem o limite da situação. Garotas ameaçadas de estupro (jogadoras E desenvolvedoras) e/ou de morte pelo simples fato de serem garotas e de defenderem quem são e o que fazem. Todos nós lembramos muito bem o caso Gamergate, não? – embora muita gente insista em diminuir o que aconteceu e as suas repercussões.

A Aliança Rebelde

Mas nem tudo é ódio e estupidez, obviamente. Existe muita gente boa por aí, desde pequenos polos individuais até grupos de jogadoras e jogadores que correm atrás para transformar a comunidade em algo que ela já foi e que pode ser de novo: unida em prol dos jogos e do proveito, seja na amizade ou no simples ato de jogar ou assistir (e os youtubers responsáveis por vários dos canais relacionados à indústria, seja em Game Commentary ou simplesmente humor fazem muita diferença, tanto negativa quanto positiva).

Enquanto existe uma força tão opressiva e surreal estragando a diversão de tanta gente, é possível transformar a realidade de mais um bocado através de coisas positivas.

A Riot, por exemplo, apresenta dados de pesquisa comprovados que atitudes tóxicas e negativas em relação às partidas de League of Legends, tem a capacidade de reduzir significativamente o sucesso de um jogo – e isso deveria ser mais do que prova de que, além de ser terrível para a comunidade em si, acaba afetando o desempenho final in game.

Toxicidade da comunidade Por que devemos bater de frente (COMO JEDIS!)

Não adianta acreditar que pessoas com atitudes tão ruins vão simplesmente sumir, óbvio, mas é agindo diferente e correndo atrás para transformar a coisa toda em algo melhor que é possível mudar a maneira como todos agimos. Aos poucos qualquer coisa, qualquer mesmo, vai se tornar num motivo de discussão e insulto – isso porque grande parte das coisas já o é. Esse é o tipo de coisa que se deve esperar ao, de repente, uma criança ansiosa por um dia (ou uma semana) inteiro de aula querer jogar o game favorito e se deparar com insultos gratuitos? Ela vai começar a repetir as coisas que viu/ouviu e tudo vai ser passado para frente.

Ou quem estuda, trabalha e até mesmo os dois que quer encontrar um momento de sossego e prazer e acaba se estressando e sem nem perceber começa a reproduzir e rebater as ofensas; é esse o tipo de jogador/a que você quer ser?

Destruindo a Estrela da Morte

Diferente da ‘verdadeira’ Estrela da Morte, o alvo não é praticamente impossível, e a força está com todos nós – basta lembrar que ela existe em cada uma das nossas ações. Teremos mais jogos de maior qualidade, feitos por todos os tipos de pessoa e para todos os tipos de pessoa.

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E se você acha que a ação individual não promove resultados em relação à grandeza do todo, bem, já dizia o grande mestre:

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Size matters not. Look at me. Judge me by my size, do you? Hmm? Hmm. And well you should not. For my ally is the Force, and a powerful ally it is“.

(Tamanho importa não. Olhe para mim. Você julga a mim pelo tamanho? Hmm? Hmm? E deveria você não. Porque minha aliada é a Força, e uma poderosa aliada ela é).

Veja também: Alanah Pearce, a Youtuber que se livrou dos trolls com ajuda das mães deles!


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