Game indie da semana

Ninja Pizza Girl

A volta do game indie da semana traz um jogo de plataforma e corrida com obstáculos, no estilo similar ao já analisado Action Henk (se ainda não conhece, dá uma olhadinha!): Ninja Pizza Girl.

A empresa responsável pela criação do jogo, a Disparity Games, foi criada em 2011 por um casal extremamente experiente tanto no meio da animação, quanto do suporte para jogos, Jason e Nicole Stark (nada envolvendo o Homem de Ferro ou Game of Thrones, curiosamente).

Com mais de 20 anos de experiência, os dois australianos deram o pontapé com o game para iOS e Android que virou uma febre durante o ano de lançamento, Run Fatty Run.

Jason trabalhou com Happy Feet 2, A Lenda dos Guardiões: As Corujas de Ga’hoole e Viva Piñata: Animais de Festa, além de ter participado como animador de suporte em diversos games para PS1, PS2 e Xbox 360.

Nicole, por sua vez, participou como a principal artista de animação responsável pelo popularíssimo Jimmy Neutron, Jet Fusion e na trilogia de jogos Ty the Tasmanian Tiger, e no game Barbie’s Sparkling Ice Show também como animadora-chefe.

Em 2006, no entanto, ambos deram um tempo em suas (incríveis) carreiras para se dedicar aos seus próprios filhos. E por que todo esse background até então nunca presente, você pode se perguntar; e a questão tem tudo a ver tanto com o talento do casal, quanto com os trabalhos com que se envolveram e, principalmente, a relação tão próxima com os rebentos.

Ninja Pizza Girl é um jogo rápido que exige estratégia relacionada ao modo como você interage com o ambiente (exatamente como o já citado Action Henk, mas com mais elementos). Apesar de não ser perfeito – e grande parte disso se explica por ser um game de early access, ou seja, ele ainda está em desenvolvimento (o próprio casal já comentou de se tratar de um “protótipo”), NPG é extremamente divertido e é o tipo de coisa que consome bastante o tempo.

Os controles são extremamente simples e instintivos: as setas direcionadas direita e esquerda determinam o lado para a corrida (assim como o A e o D), com a barra de espaço pressionada uma vez, você pula; duas vezes, você faz um chute a partir do pulo. Shift serve para passar por debaixo dos obstáculos (seja devagar ou deslizando), dar rasteiras e realizar movimentos que suavizam a queda quando um salto é realizado de uma altura considerável.

A trilha sonora, apesar de não ser (ainda, creio eu) tão variada, é extremamente empolgante e funciona muito bem com o ritmo do jogo.

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A arte, tanto modelação, animação, quanto a concepção dos personagens e sua realização em desenho (traços feitos pela talentosa filha do casal, Raven Stark), são muito legais e bem feitas (mesmo ainda sendo protótipos).

                                                                                                           Raven e Jason

Por ser um jogo em early access, infelizmente ainda há alguns problemas, como resposta falha de comandos em algumas (raras) situações, hitbox (algo como corpo “físico” interagível) a personagem e de alguns objetos no ambiente; e a física do jogo, que apesar de ser bem feita seguindo o conceito proposto, tem lá suas falhas de execução – nada que não vá, acredito, ser corrigido em futuras atualizações.

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Como background, acompanhamos uma adolescente chamada Gemma, que tem habilidades de parkour baseadas em movimentos ninja, e ela as utiliza para entregar as pizzas que seu pai faz. Com a ajuda de seu irmão mais novo, Gemma consegue descobrir as melhores rotas, obter dicas e ganhar uma noção melhor do tempo.

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O jogo, mesmo sendo protótipo, recebeu apoio do governo Australiano em sua produção (mesmo sendo indie!), sendo desde já indicado a vários prêmios, alguns, inclusive, fora da alçada “comum” dos videogames.

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Ninja Pizza Girl trata de temas sensíveis, como o bullying e a agressão física e psicológica sofrida não só por adolescentes, mas por todos os tipos de pessoas diferentes com várias características.

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Com uma interação leve e bem humorada, o game consegue mostrar de maneira bem tranquila como o bullying e demais tipos de agressão funcionam, como identificá-los e como é importante se defender e/ou buscar ajuda. O próprio gameplay dá importância a determinados hábitos para fortalecer a confiança da vítima, como buscar ajuda dos pais, amigos, e simplesmente aproveitar momentos de relaxamento – e tudo isso afeta seu jogo!

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A única coisa real que (me) incomoda é a tipografia e o esquema de cores que foram escolhidas para o menu e os avisos em tela. Eles destoam de um jeito estranho, e é perceptível que não pertencem àquele tipo de cenário.

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E em relação ao cenário, bem, o design dos níveis e do background, mesmo sendo inicial, é muito bom. Além da criatividade, os elementos em cena e a maneira como são apresentados e como funcionam é muito legal – o que apresenta um potencial futuro absurdo.

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Ninja Pizza Girl é o tipo de game obrigatório não só pela mensagem que passa, mas pela mecânica e o gameplay que funcionam de maneira incrível. Disponível inicialmente para PC, o game pode ser adquirido via Steam; no entanto, versões para WiiU, XBox One, PS4, PSVita, iOS e Android vem sendo pouco a pouco disponibilizadas.

Game indie da semana Ninja Pizza Girl

Veja também a Entrevista que fizemos com Nicole, Jason e Raven, família por trás de Ninja Pizza Girl!


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