The Last of Us | Crescer em um mundo destruído não é fácil

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Nesses meus 24 anos de existência, sempre gostei muito de área de games. Em casa, minha irmã e irmão sempre estavam jogando, me dando a oportunidade de passar pelas fases de jogar um Atari, Super Nintendo, Nintendo 64, PS1 e até mesmo os portáteis. Dessa forma, meu amor foi sempre crescendo em que também jogava no PC, começando por Sin City, Age of Empires e The Sims. Minha lista de games favoritos é gigantesca, sempre dando espaço para um novo que pudesse surgir. Então em 2013, tive a maravilhosa surpresa em meu PS3 de conhecer o maravilhoso “The Last of Us”, que se tornou um queridinho que proporcionou até uma bela tatuagem no braço.

Agora em 2020 antes da chegada de “The Last of Us Parte 2”, que será em 19 de junho, não perdi a chance de revisitar esse game que está sempre brilhando na minha mente – dando até a oportunidade de finalizar algumas conquistas e pegar a tão amada platina. Então, junte-se a mim e venha saber um pouco mais sobre essa obra-prima dos games que todos precisam conhecer e jogar se possível.

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Primeiro vamos começar com a história: Joel é um cara qualquer que vive com sua filha, quando todas as pessoas começam a ficar doentes e atacar umas às outras. Até aí nada de novo em uma sinopse de história envolvendo um apocalipse e doença misteriosa, mas em “The Last of Us” as coisas são diferentes meu querido amigo. Um fungo chamado “Ophiocordyceps camponoti-rufipedis”, sim o nome é exatamente esse, é um fungo que ataca somente as formigas paralisando seus corpos e fazendo com que elas fiquem paradas ou vagando pelo formigueiro sem fazer suas tarefas, tornando elas “zumbis”. Esse é realmente um fungo que ataca as formigas, com pesquisas científicas, então segue aqui que o Proibidoler.com também é ciência. Mas retornando para o game, os humanos acabam sendo atingidos por essa doença que corrói o cérebro e torna as pessoas zumbis ou como são chamados, ‘estaladores’.

Entendemos um pouco como tudo começou, mas o importante é o que vem 25 anos depois. Joel segue vivo ao lado de sua amiga e parceira de negócios, Tess que precisam sempre estar fazendo alguns trabalhos para conseguir cartões de comida para sobreviver, já que o Governo mesmo está mais perdido nisso tudo do que outra coisa, principalmente quando precisam controlar o grupo rebelde, os Vagalumes. Mas agora precisam fazer a entrega mais desafiadora de suas vidas, levar a jovem, Ellie para o grupo de rebeldes sendo considerada como ‘a cura’, após ser mordida e seu corpo não sofrer nenhuma alteração com tudo isso. Desafios ocorrerão no caminho e traumas escondidos serão revelados nessa jornada de superação de Joel com sua aproximação com a garota, mostrando um pouco do Mundo e como ele não é fácil de se viver, também contando como ele era antes já que ela nasceu no meio dessa devastação toda.

Podemos então começar pela história do  game. Fazia um bom tempo que eu não jogava algo tão diferente e emocionante, sentindo meu corpo tremer e lagrimas caírem pelo canto dos olhos, algo que na época ocorria raramente. Hoje em dia  o sentimento continua mesmo sabendo tudo o que vai ocorrer, o plano seguinte e as pontas da história, aquelas lágrimas e tremedeira estavam ali novamente de uma maneira diferente e até mais madura da minha parte, principalmente no momento de hoje – caso você esteja lendo isso no futuro, 2020 foi um ano bem punk. Eu me conheci ainda mais e entendi perfeitamente o amor que tenho pelos personagens, história, cenário e tudo que está em torno criado pela Naughty Dog.

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Cena do game “The Last of Us”

Não apenas me identifico com Joel e Ellie, mas com todos os personagens que encontramos em nosso caminho, sejam conhecidos pelo nosso protagonista ou apenas mais um rosto tentando sobreviver aquela desgraça. Cada um apresenta o reflexo da sociedade diante de tudo aquilo: o homem que precisa superar uma perda, a menina que precisa entender aquele mundo, o homem que deseja o perdão, a família que não pode ter o luto desejado e o todo que está apenas sobrevivendo da melhor forma possível, mas que diante disso tudo acaba esquecendo todo o senso de solidariedade e coletivo pensando apenas no próprio umbigo.

Já vemos muito disso em filmes, série e até mesmo em variados games, mas o modo como é humanizado isso em “The Last of Us” deixa ainda mais nítido que o humano não está nem um pouco preparado para algo do gênero caso ocorra. Se analisarmos um acidente de avião em que o grupo sobrevive e caça um servo canadense que pesa pelo menos 330kg, é bem mais fácil eles brigarem para ficar com a maior parte do que dividir a comida igualmente. Sinto muito para aqueles que forem vegetarianos, mas na hora da sobrevivência hardcore não tem jeito. O apocalipse não é algo bonito e realmente pode fazer as pessoas ficarem até um pouco doidas, mas se elas tem umas às outras se ajudando, talvez fosse mais fácil aguentar essa barra toda, algo que vemos bem em torno da Ellie entendendo que é ótimo ajudar, mas que infelizmente os humanos podem ser cruéis – nem todos, mas uma grande parcela sim.

Saindo da história e indo para os gráficos. Estamos falando de um game de 2013 bem ali no começo até do PS3, então se a gente se colocar naquele ano os gráficos eram lindo e sinceramente até hoje se a gente for fazer uma boa observação continuam sendo – principalmente as mudanças que ocorreram assistindo agora os trailers do próximo game que mostram uma total evolução gráfica. Entendemos como “Uncharted 4” aprendeu com a mecânica usada em TLOU: o peso que a arma tem, seja uma pistola ou shotgun; o peso do corpo humano ao andar, esbarrar no outro e também quando pulamos e caímos; e também detalhes de ambiente que sempre são nítidos – seja no fundo com muita cor e até mesmo aquele ambiente mais cinza. Tudo  feito em “TLOU” foi passado para frente em outros games que foram saindo na geração do PS4, principalmente o game que acabou ganhando um remaster tendo pequenas melhorias mais nítidas para o PS4 Pro.

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Cena do game “The Last of Us”

A dublagem, seja a original americana como a brasileira são incríveis.O trabalho e cuidado em cada detalhe nessa parte que é tão importante para um game foi feita da maneira mais divina possível, dando certo nas escolhas de cada personagem. Troy Baker dando voz ao Joel é algo que me faz sempre tremer, toda a presença e modo de falar passa um medo e segurança ao mesmo tempo muito louco. Ashley Johnson dando voz a Ellie acaba nos trazendo um alívio, com sua voz super leve e doce, mas que engrossa ela no momento necessário. A forma como ambos passam o sentimento para seus personagens é algo, que pelo menos para mim, importa muito e que conecta ainda mais o jogador com a história que está sendo contada.

E para completar, porque se deixar eu fico horas e horas comentando sobre esse jogão, falemos do final. Seu final funciona de maneira que fica claro que Joel adotou Ellie como sua filha, querendo protegê-la daquele desconhecido que deveria ajudar mas acaba apenas machucando todos. Nem sempre ser a salvação é a melhor coisa, existem explicações e limites para isso. Será que sacrificar uma pessoa que pode ser “A Cura” em uma pesquisa de incerteza será melhor? Pode ser que não, principalmente quando é alguém jovem e simplesmente decidiram não dar uma opção. Algo que com toda certeza será falado mais em seu próximo game, principalmente sobre o amadurecimento de Ellie após a passagem de cinco anos nesse mundo que continua apocalíptico, mas ainda mais sombrio. Afinal o humano não sabe aprender.“The Last of Us” é um game que só digo uma coisa: deem uma chance de conhecer essa obra. História diferente, personagens que trazem um quentinho no coração e uma gameplay que nos deixa entretido do começo ao fim. E para os que se sentiram interesse na Parte 2, jogar o primeiro game é essencial para entender tudo o que se passa, afinal não é de flashback que se vive um game.

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