Blood Knights (2013) | Subestimado e divertido – mas com problemas

7 meses atrás ( 22/05/2017 )

Desenvolvido pela Deck 13 (responsável por Lords of the Fallen), e publicado & distribuído pela Kalypso (famosa pela franquia Tropico), Blood Knights é um action RPG de hack’ n slash em um universo de dark fantasy medieval e gótico num mundo infestado por vampiros.

História

Num território ficcional próximo à Roma, caçadores de vampiros e vampiros brigam pela posse de uma relíquia conhecida como O Selo de Sangue, capaz de invocar um poderoso demônio e de causar tamanho desequilíbrio que provoca a destruição gradual da Lua. Um destacamento dos caçadores, liderados pelo capitão Jeremy, seu sub-capitão Castello e o padre e arcanista Bartholomew parte em direção às catacumbas para enfrentar os vampiros que desejam roubar o Selo.


Lá, os caçadores subjugam a vampira Alysa, e o padre une o capitão e a inimiga capturada para que possuam uma arma secreta para destruir as hordas de criaturas da noite. Os vampiros, no entanto, conseguem roubar o Selo, transformam Jeremy em um deles, e fogem para uma região montanhosa para invocar o demônio que destruirá a maioria dos seres humanos, reduzindo-os ao gado de seus predadores das profundezas. Cabe à dupla Alysa e Jeremy lutar contra humanos, vampiros e demais criaturas para recuperarem a relíquia e a levarem de volta às catacumbas vampirescas.

Personagens

Os personagens centrais são justamente os dois jogáveis, que podem ser intercambiados: Alysa, a vampira arqueira, e Jeremy, o caçador transformado em vampiro.


Além deles temos alguns NPCs e inimigos memoráveis, como a freira-vampira Roya, a vampireza selvagem Blood Fox, o padre arcanista Bartholomew, o sub-capitão Castello, o xerife de Godskeep, o mercador sem nome, a dona da taberna Sonia e alguns outros inimigos e aliados (revelá-los seria spoiler).

Gráfico

Os gráficos são relativamente datados (o jogoé de 2013, embora tenha sido desenvolvido ao longo de 2011 e 2012), mas nada que estrague a experiência in game ou torne Blood Knights intragável mesmo para as/os gamers mais chatos e exigentes.

Dublagem & Edição de Som

Embora cada personagem tenha um/a ator/atriz para si, as atuações são bem ruins e os diálogos são horrendos. O grande problema talvez não sejam os artistas em si, mas a direção de dublagem e o roteiro horrendo, que apesar de trazer um respiro interessante às histórias de vampiro com elementos bem curiosos, peca de maneira absurda nos diálogos – sem dúvidas na construção dos personagens.


Os sons in game cumprem exatamente o que prometem, por mais que pequem em “peso” e profundidade. Apesar de não ter músicas incríveis, estas não são nada repetitivas e há uma seleção de tamanho mediano que muda ao decorrer do jogo.

Jogabilidade

Com puzzles simples e às vezes muito mal elaborados, Blood Knights é um típico action RPG focado no hack ‘n slash.


Bem linear, o gameplay tem variação entre os personagens (Alysa e Jeremy), e por muitas vezes somos obrigados/as a variar mesmo dentro de um único combate – o que torna a partida mais interessante (embora as soluções sejam óbvias e muitas vezes destacadas no ambiente, seja na utilização dos poderes vampirescos, ou em “barris explosivos” curiosamente bem posicionados).

O game ainda conta com o já conhecido sistema de level up, com diversos equipamentos, características a serem melhoradas e algumas (poucas) habilidades a serem descobertas e utilizadas. Há também, infelizmente, a marca registrada dos RPGs do gênero: baixa variação nos inimigos – mas nada que empobreça a experiência.


Problemas

Por mais que Blood Knights seja divertido e sem dúvidas subestimado, ele tem uma série de problemas que fazem jus às duras críticas e diminuem a qualidade do que poderia ter sido um excelente título. Segue uma lista objetiva para além dos já citados:

1. Hiperssexualização

Infelizmente típico da indústria, há o exagero da sexualização das personagens femininas, que são, praticamente todas bidimensionais e rasas, e o design de suas roupas e corpos é voltado para o público masculino de maneira misógina e sem nenhum sentido – por que uma guerreira manteria partes vitais expostas? Além disso, o comportamento de inimigas e até a maneira de caminhar e atacar é sexualizado.


Incorremos, para variar, no mesmo erro de sempre na famosa Boob Armour ou Boob Plate, que é, basicamente, armadura com peitos – um dos erros mais crassos e ridículos que reforça a sexualização e destoa completamente do sentido de proteção das armaduras.

Como o redditer SoloTopLane explica de maneira gloriosa, “Tendo olhado em mais de ~5000 de elementos de armaduras da tese de PhD de Matthias Golls a algum tempo atrás, não consegui encontrar um único exemplar de armadura medieval Europeia desenhada para enfatizar nos seios femininos.”


O redditer continua, “em manuscritos medievais, as poucas mulheres que se tem relatos de usarem armaduras, há a descrição da utilização de proteções padrão ou vestidos combinados com armaduras que cobrem braços e cabeça. O torso do vestido por várias vezes delineia os seios, ou de maneira ainda mais comum, demonstram o reforço por debaixo das roupas para proteger a placa do colo, o que pode ser discutivelmente algo mais que proteção globular”.


No fantástico artigo escrito por Emily Asher-Perrin não só se fala sobre a inexistência de armaduras nesse modelo, mas também no risco que isso causaria no combate. Levando em conta que a proteção das armaduras tinha como finalidade proteger contra impactos perfurantes e cortantes desviando quaisquer ataques, que resvalariam na superfície metálica (o que não faz nenhum sentido quando pensamos em uma espada ou flecha que seria direcionada justamente ao centro da cavidade do colo, acertando diretamente o coração).

2. As personagens agem como caricaturas de si mesmos

As personagens, em geral, são rasas, não só as femininas. Embora a bidimensionalidade seja mais evidente nas mulheres do jogo, mesmo os homens são extremamente mal desenvolvidos, e se tornam em seus diálogos e ações, caricaturas projetadas de si mesmas – o que é piorado várias vezes pelos péssimos diálogos e a horrenda direção de dublagem.

3. Bugs

Embora 4 anos tenham se passado desde o lançamento de Blood Knights, o jogo ainda contém bugs bem chatos, seja em paredes ou chão sem solidez (você as atravessa e morre), na animação que às vezes se repete, no desaparecimento de inimigos por dentro de elementos em cena, ou ficar “truncado/a” em paredes invisíveis em cenários abertos, que lhe obrigam a insistir durante algum tempo até que o processamento do game corrija a falha.


4. Furos no Roteiro

Em diversos momentos você vai se perguntar “o que diabos acabou de acontecer?” ou “por que não fizeram x no lugar de y?”, e isso se repete a ponto de se tornar irritante. Os desenvolvedores não cuidaram o suficiente do roteiro, e isso transborda justamente nos pontos mais delicados, como nas incongruências e dos já citados diálogos.


Finalmente

Blood Knights é um jogo bastante subestimado, tendo recebido duras críticas na época de lançamento, mas é fonte de divertimento casual com aproximadamente 12 horas de jogo. Lançado em 2013, o game está disponível para PS3, XBox 360, PC e Arcade.


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