SCOOBY – O Filme (2020) | Uma nova abordagem para o clássico

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Scooby-Doo é um dos desenhos mais queridos já criados, mesmo que tenha tramas tão simples, os mistérios resolvidos por Salsicha, Scooby, Fred, Velma e Daphne arrecadavam boas risadas e leves sorrisos. Criado pelo incrível Hanna Barbera, não demorou muito para que o produto fosse traduzido para outras mídias, como o cinema, tivemos duas adaptações, a primeira tentativa até funcionou, mas a segunda foi um fiasco que deixou a turma longe das telas por um bom tempo.

Depois de longos anos no hiato, “SCOOB – o Filme” recria a versão da querida turma que serve como um reboot e ao mesmo tempo um possível universo compartilhado de Hanna Barbera. Dirigido por Tony Cervone, famoso por comandar animações do próprio Hanna Barbera, o longa aposta na essência dos personagens clássicos subutilizando a nostalgia como a melhor arma para conexão com o público. Embora, pareça que a história deseja se concentrar especificamente no show referências do universo Barbera, do que propriamente dos mistérios e soluções recorrentes da turma.

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SCOOBY - O Filme (2020) | Uma nova abordagem para o clássico

Nessa nova história, Salsicha (Will Forte) era uma criança solitária até encontrar Scooby, ambos logam se tornam inseparáveis amigos compartilhando o amor pela comida. Um dia, são surpreendidos pelo trio Fred (Zac Efron), Velma (Gina Rodriguez) e Daphne (Amanda Seyfried), encantados com a dupla e suas peculiaridades, não demora para todos se tornem amigos, um grupo que encontra nos mistérios que rodeiam as cidades uma conexão.

Adultos, o grupo entra em um momento de crise e dúvidas sobre seu futuro, Fred, Daphne e Velma querem mudar o foco da equipe, mas Salsicha e Scooby parecem deslocados nessa nova abordagem, tudo porque para os outros, eles não são tão especiais. Os dois se afastam em busca de conseguir suas próprias identidades, só não contavam que Dick Vigarista (Jason Isaacs),sim, esse mesmo, teriam planos especiais com Scooby em uma de suas presepadas de crimes, entretanto, a dupla  contará com a ajuda de ninguém menos do que o Falcão Azul (Mark Walberg).

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Sem enrolações, a narrativa nos coloca direto no centro da história, para o que de fato interessa, justamente porque ela apresenta seus personagens de uma forma dinâmica e com sua devida objetividade, os olhos dessa abordagem é algo que faça despertar a curiosidade e preocupação do telespectador, tanto para os marinheiros de primeira viagem como para o fãs clássicos. Embora se sustente em um tom infantil, o seu humor é capaz de trazer risos, tanto para crianças como adultos. Para isso ela sempre utiliza coisas da cultura pop, propriamente a tecnologia, como os smartphones, e sobra até mesmo para o Netflix e o Tinder. 

Porém, isso não tira de escanteio o caminho que o filme deseja seguir, você tem os personagens conhecidos, as características e essência, mas falta o coração, isso fico notável porque os mistérios, marca registrada do desenho, não existe. Ao que parece, a preocupação de Hanna Barbera foi para o filme serve apenas de base para expandir seu possível universo compartilhado. Não é a toa, que ao decorrer da trama, tais inserções ficam forçadas.

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A condução de Tony Cervone é certeira, o diretor trabalha sabiamente com o material que têm em mãos, ainda mais por experiência, sabe deixar a animação cativante e atrativa em explorar os conceitos da amizade e amadurecimento, sem perder o foco no processo e sempre ressaltando excelentes takes. O visual apresenta novos traços dos personagens, embora, as  clássicas características artísticas dos personagens. 

Ao encarar “SCOOB – O Filme” como uma homenagem ao universo criado por Hanna Barbera, você enxergará um brilho carregado de emoção e diversão, agora se desejar olhar o filme sob os olhos críticos de alguém que respirava a animação como fonte de vida, pode com certeza esperar uma frustração e total fuga do material base. Entretanto,  fica claro que a animação deseja apenas aproveitar o o o puro entretenimento focado para um novo público sem precisar ousar em sua abordagem.