Um belo dia de sol

Um famoso dia de sol, pessoas com seus biquinis, toalhas, protetores solar na mão e um isopor cheio de bugigangas alimentícias, bebidas de qualquer natureza e uma agitação total.

- Mamãe, vou ver o mar! - grita o filho no banco de trás do carro. Este por sinal é um chevette divino.

A viagem começa estonteante, poucos metros percorridos e seu filho grita lhe perguntando:

- Pai, chegando?

E você diz com aquele sorriso no rosto:

- Calma filhão, já já estaremos junto ao mar e você será dono do castelo de areia mais bonito da Praia Grande.

Esta cena muitos já passaram na vida ou ainda vão passar, sendo o emissor ou o receptor, ou seja, pai e filho ou filho e pai. Mas confesso que este belo dia não acaba por aqui.
A esposa do seu Arlindo nunca viu o mar, guardou por dois longos anos suas economias retiradas de suas belas tapiocas que eram vendidas no centro da cidade de Ferraz de Vasconcelos para um dia poder conhecer aquelas águas. Tais que beijam as areias fofas e quentes da orla marítima brasileira. E graças a Deus, para ela, chegava o grande dia! Como descrito anteriormente, ela e o seu Arlindo juntamente com seu filhão, o Cróvis, foram rumo ao litoral sul paulista para conhecer a maior praia desta região e a mais visitada também.

Quando Herondina viu o mar seus olhos encheram d’água. O Cróvis saiu correndo de onde o carro estava parado e se jogou como uma pedra atirada a esmo na areia, bife à milanesa era pouco para o garotinho, os olhos de Herondina brilhavam feito lustra móvel em tampo de mogno, ou melhor brilhava mais que óleo de peroba na cara do Maluf.

Seu Arlindo beijava a mulher como se fosse o primeiro encontro que teve com Herondina na Cinelândia de Ferraz de Vasconcelos. Era uma alegria em família. Logo eles acharam um cantinho a beira-mar e se instalaram aconchegantemente naquela praia que Deus abençoou por natureza (socorro!). Cróvis era um menino levado da breca, mal tinha 5 minutos que estava na praia e já estava brincando de procurar o Nemo. Enquanto isso ocorria, sua mãe gritava da areia:

- Cróvisssssssssssssssssssssssssssss, menino doido, não vai pro fundo criatura, se não você se afoga. Sem muito sucesso na missão ela torna a repetir a mesma frase para o filhote. Bastou alguns outros gritos e o Cróvis escutou sua querida mamãe e retornou para a terra firme (que um dia vai comer os olhos de todo mundo).

Entre castelos de areia e morros parecidos os da "Dona Marta", a fome começa a bater na barriga da família, mas isso não é problema para eles, pois logo ao lado do cabo do guarda-sol tem dois isopores, o da quentinha e o da gelaaaaaaaaaaaaaaaada! Herondina logo tira aquela bela farofa feita com o segredo de sua bisavó e com um capricho de suas mãos e também o melhor frango assado que pode comprar no Bar do Tião. Ela retira uma coxa para o Arlindo e diz:

- Amor, coisa chique é comer com o mindinho levantado. Vê se não vai me fazer passar vergonha e levanta isso logo.

E lá se via o Arlindo com seu dedo mindinho levantado, os cantos dos lábios com um resto da farofa e o Cróvis, ah esse garoto não tem jeito, estava novamente brincando de bife à milanesa naquela frigideira a céu aberto cheio dos coliformes fecais. Logo os vizinhos de praia começavam um belo pagode ao lado do cantinho de areia que seu Arlindo e Herondina habitava, aquela coisa maravilhosa começou a estontear os seus ouvidos. Era um coro dizendo coisas como “Estou fazendo amor com 8 pessoas”... “Ou caramão que dorme a onda leva, hoje é o dia da caça amanhã e caçador”.

Depois do pagode tocaram umas variadas como os refrões de “Se alembra desta paixão faz sorrir ou faz chorar”. Essa outra é MARA: “Na madrugada vitrola rolando um blues trocando de biquíni sem parar”. Loucura ou ausência de cotonetes?

O seu Arlindo logo pegou um puxadinho e fez o seu samba pra moça, para orgulho de Herondina. Não existia mais felicidade transbordando aquele dia do que qualquer outro que vivera em sua vida. Após cantarolar bastante, Arlindo resolve pegar o Cróvis, que naquele exato momento era dono de 5 castelos de areia, para refrescar ligeiramente a cutís nas águas límpidas do Boqueirão. Seu Arlindo mergulhava tranquilamente nas águas claras daquele recinto quando que, por ventura, um toroço lhe gruda o ombro como um adesivo da “Mack Color”, tipo aqueles que cola e não descolam e isso mal foi percebido por ele. A felicidade era tanta que ele ao voltar para a areia desfilava como uma daquelas magrelas de passarela e o torosso até reluzia os brilhantes raios UVB e UVA sobre o corpo que já tinha uma denotação da cor do pecado. Engraçado que até hoje eu não sei quem viu a cor do pecado e disse que parecia com um bronzeado praiano, se alguém souber, por favor, me twitta @mandjolorei.

Assim que seu Arlindo sentou na areia, Herondina faltou ter um AVC de tanto que ficou horrorizada com o toroço colado ao corpo de seu amor. Ela chingou o seu Arlindo de tudo quanto é nome e disse que ele a matou de vergonha. Para passar a raiva nada como fazer umas comprinhas; como Herondina havia economizado bastante e sobrou um bocado de notas de 2 reais, ela decidiu estrapolar, tudo o que era camelô passando por ela vendendo alguma coisa ela comprava. Parecia mais uma sacoleira em plena 25 de março do que uma turista em Praia Grande. O tempo foi passando, o sol foi apertando, o protetor solar não existia e os 3 pegaram uma insolação lascada. Seu Arlindo parecia uma carne vermelha, Herondina um pimentão e seu filhote parecia lata de  “Suvinil Cor Vermelho Cardinal”.

A volta foi mais emocionante! A praia foi evacuada às 18:00 e a estrada de volta a terra de Arlindo e família estava tão próxima em kms e tão distante em questão do congestionamento que havia naquelas vias públicas. Seu chevette branco 86, em menos de 20 kms percorrido ferveu mais que o Frevo de Olinda. O carro então teve que ser rebocado e lá se via a alegria de Herondina indo por fervuras estrada abaixo. O Cróvis não parava de chorar pela dor da insolação e pela demora para chegar em casa, a fome batia em seu estômago vazio e as farofadas da praia já tinham tudo acabado. Cróvis pensava no próprio fim! O jeito foi o seu Arlindo enganar o moleque dizendo que ia levar ele no Mcdonaldi quando chegasse-se em casa. Bastou chegar em casa e nada disso foi feito. Oh coitado! O menino foi enganado, o que ele teve que ingerir foi apenas, um miojão feito pelo seu Arlindo. Dona Herondina, por sua vez, chegou em casa arrasada e lamentava as 8 horas na estrada.

- Foi tudo um desastre!

Então decidiu nunca mais farofar na sua vida. E quanto ao seu Arlindo, este só pensava na fervura do Chevette; para ele isso foi uma tristeza irreparável. E o Cróvis... ah... o Cróvis durmiu feito um anjo depois do miojão do Mcdonaldi.

imagem de Bianca (kOv's)
Bianca (kOv's) diz:
ter, 24/03/2009 - 03:49

Trocando de biquini sem parar.. É, o B.B. King deve odiaaaar essa música! kkkkkkkkkkk

E, sei lá, mas, esse 'Cróvis' me soou parecido com kOv's.. Ou com Clóvis, que a maioria das pessoas entendem quando eu me apresento! õ.Ô

Humm, senti uma pontadinha de tributo a mim ae Bruninhoo? Só pq eu te liguei?! xD~ Zuera amoor!

E ó, eu NUNCA passei por isso como filha, portanto, também não passarei como o progenitor, correto? Espero! kkkkkkkkk

Beeijo gatchenhoo, e espero q sua farofada na praia tenha sido melhor que a do kovs tá? Experiente!

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imagem de sem platéia
sem platéia diz:
qua, 25/03/2009 - 01:19

HAHAHAHAHA !
ADOOOREI ! Muito bom messssssssmo!
Coitados ): Pobre (literalmente) Herondina...
Beijão :*

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imagem de Dan Borges
Dan Borges diz:
qua, 25/03/2009 - 20:28

Huuummmm...

Muito sarcastico e a pitada de humor negro foi acima da medida, mas enfim...

Num tem como agradar tds os leitores do blog neh?

Vou ler o proximo post

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imagem de rodox
rodox diz:
qui, 26/03/2009 - 15:47

Realmente Dan, agradar a todos é impossivel em todos as coisas da vida. Confesso sim e admito que fui muito sarcástico. Mas quanto ao humor negro eu não concordo. As pessoas hoje utilizam se do humor afrodescendente(forma politicamente correta da coisa) coisa que eu acho até dificil de fazer.Se fiz me policio mais no proximo post. Ok? Valew pela critíca, pois assim sempre melhoramos o que fazemos. Abraços

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imagem de Dan Borges
Dan Borges diz:
seg, 30/03/2009 - 19:17

Criticas sempre pra ajudar e nunca para desmerecer

;)

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imagem de rodox
rodox diz:
ter, 31/03/2009 - 07:38

Isso aê!

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imagem de Geise Meireles
Geise Meireles diz:
qui, 26/03/2009 - 02:37

Oi companheiro!!
Você tem um senso humorístico impressionante! haha
Acontece muito isso quando os interioranos visitam pela primeira vez o Rio de Janeiro... imagina o mito que se cria diante da "cidade maravilhosa", acham que praia só tem lá. kkkk

Ps.: mudei o último capítulo que escrevi, tem uma história que antes foi escondida hehe...

bjossss

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imagem de Ferdi
Ferdi diz:
seg, 30/03/2009 - 01:44

Vergonha alheia, sério.
É triste pra mim saber que isso é uma realidade, triste e meio medonho.

Sou uma pessoa sanguinária e pelo bem de todo resto adoraria matar todos esses seres, enfim..

Enfim..

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imagem de www.proibidoler.com
www.proibidoler.com diz:
ter, 19/04/2011 - 13:01

Um belo dia de sol.. Dandy :)

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imagem de www.proibidoler.com
www.proibidoler.com diz:
dom, 19/06/2011 - 18:15

Um belo dia de sol.. Reposted it :)

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